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El poder global y la nueva
geopolítica de las naciones Flavio Aguiar Febrero 2008 Num mundo em
que a guerra continua sendo a moeda corrente da expansão capitalista,
a única Região a não sofrer conflitos armados de monta
nos últimos decênios é palco de uma
peculiar “sublevação” de suas
massas de deserdados, sob a forma de eleições de
líderes populares que fogem ao
modelo do neo-liberalismo triunfante depois do fim da Guerra Fria, ou da derrubada de presidentes eleitos que fogem às suas promessas
de campanha e aderem a este
modelo. Entretanto a expansão do capitalismo
triunfante continua a gerar contradições
que redesenham a economia
mundial, com a China e a Índia,
potências armadas, disputando espaço
em suas regiões
próximas e para além delas.
Que futuro se pode esperar diante de tantos desafios inesperados para quem acreditasse que o fim do conflito entre os EUA e a URSS, com
a vitória daquele, traria uma era de hegemonia incontestada pelo maior
e mais poderoso império que
a história já viu? Leia a seguir a íntegra da
entrevista com o professor
José Luis Fiori, da UFRJ,
que também é colunista da
Carta Maior. Carta Maior No seu livro “O poder global” a relação entre a acumulação do
poder territorial - quase sempre
através da guerra - e da riqueza capitalista é
permanente e inevitável, e se transformou
numa marca do “milagre europeu”, a partir do século XVI,
mas com raízes que remontam ao século
XII da era cristã. Mesmo o mais otimista dos seus leitores reconheceria
que sempre “estamos em
guerra”. Mas um leitor mais cético perguntaria: “sim, mas resta sabermos hoje no meio de que guerra
estamos”? Mais exatamente, no meio de que guerra
ou de que guerras estamos? José Luis Fiori - Segundo cálculo de alguns historiadores, o
número das guerras cresceu sistematicamente
através dos últimos séculos,
e foi maior no século XX, do que em qualquer outro tempo. Entre 1400
e 1990, houve cerca de 1000 guerras no mundo, e elas seguem se multiplicando. Mas
do meu ponto de vista, este não
é o ponto essencial do argumento, quando
se pensa na dinâmica do sistema mundial. Trata-se de uma realidade terrível,
mas do ponto de vista do sistema criado pela expansão
conquistadora do poder e do capital europeu, a Guerra
cumpriu um papel decisivo. Na verdade, ela
promoveu durante todo este tempo, uma
espécie de “destruição
integradora” de territórios e populações.
Primeiro, na Europa, e depois, até o século XX, do resto
do mundo. Além disto, dentro deste
sistema, a “preparação para a guerra” cumpre um outro
papel, mais importante do que a própria
guerra como fator dinamizador, a verdadeira
mola mestra que moveu através do tempo o processo de competição e a acumulação do
poder dos príncipes e dos Estados nacionais que sempre competiram e lutaram pela expansão do seu poder, dentro e fora dos seus territórios “nacionais”, na busca contínua de um poder global que
nunca lograram alcançar.
Esta mesma competição também move a “ponta’ do progresso tecnológico e
cumpre um papel decisivo na acumulação da riqueza das nações. Neste sentido, se pode dizer que o sistema mundial vive em
meio à uma guerra contínua, e neste momento segue sendo movido, muito mais do que pela Guerra do Iraque,
por exemplo, pela preparação
para a guerra – conquistadora ou defensiva, não importa – por parte das grandes potencias, e dos principais Estados nacionais do
sistema.. CM - Ao final do livro o sr. sugere que as
presentes “sublevações” populares na
América Latina têm a ver com
a própria expansão do
capitalismo norte-americano e seu presente “idílio combinatório” com a expansão chinesa. Dá para desenvolver mais essa idéia? JLF - Na verdade, o que digo é que ocorreu
na América do Sul, uma surpreendente convergência, no início do século XXI, entre dois processos autônomos, mas que vem tendo uma
resultante virtuosa do ponto de vista das forças progressistas e de esquerda que lutam por maior igualdade social e autonomia
nacional. Do ponto de vista interno do continente, a década neoliberal dos anos
90 não entregou o que prometeu e provocou uma reação popular e eleitoral que varreu os governos conservadores, através
de eleições democráticas, em
quase todos os países da América do Sul. Em Além disto, esta rapidíssima
expansão da economia
mundial, e em particular da econômica
asiática, junto com a globalização
do sistema inter-estatal, que se se
acelera depois do fim da
Guerra Fria, criaram uma situação mundial nova, gerando uma forte
pressão competitiva - política e econômica
– a nível de todo o sistema mundial, incluindo a América do Sul que
está sendo obrigada a redesenhar
completamente sua inserção
política e econômica dentro do sistema mundial. Por isto já dissemos,
num artigo recente, que do
ponto de vista das “longas durações históricas” acabou definitivamente a “adolescência”
geopolítica e geo-econômica
da América do Sul. CM - O sr. diz que o Brasil e a África do Sul,
ao contrário da China e da Índia, não são
potências militares nem têm vocações hegemônicas
por várias razões. É possível então desenhá-los como partes de uma
“frente comum”, como freqüentemente
se faz em relação à ordem ou desordem
do comércio mundial? JLF - Do meu
ponto de vista, a China e a Índia, depois dos anos 90, se projetaram
dentro do sistema mundial como potências econômicas e militares, têm
claras pretensões hegemônicas
nas suas respectivas regiões, e ocupam hoje uma posição
geopolítica global absolutamente assimétrica com relação ao
Brasil e à África do Sul. Apesar
disto, o Brasil, a África do Sul e a Índia - e mesmo a China, ainda que seja por pouco tempo mais – ainda ocupam a posição comum dos “países
ascendentes”, que sempre reinvindicam
mudanças nas regras de “gestão” do sistema
mundial, e na sua distribuição hierárquica e
desigual do poder e da riqueza. Por isto, neste momento, compartilham uma agenda reformista com relação ao Sistema das Nações Unidas, e à formação do seu Conselho de Segurança. Da mesma
forma como compartem posições
multilaterais e liberalizantes,
em matéria de comércio internacional, na Rodada
de Doha, formando o G20, dentro da Organização
Mundial do Comércio. Nestas
questões políticas e econômicas,
entretanto, pode-se prever um afastamento
progressivo da China, que já
vem atuando, em vários momentos, com a postura de quem comparte, e
não de quem questiona a atual configuração de poder mundial. Daqui
para frente, seu comportamento
será cada vez mais o de uma
Grande Potência, como todas as
que fazem, ou fizeram, parte do “círculo dirigente” do sistema mundial. E
por isto, é de se esperar uma
maior convergência de posições entre a Índia, a África
do Sul e o Brasil, do que com
a China. Mas mesmo com relação à Índia, as convergências políticas deverão
ser tópicas, porque o Brasil e a África do Sul devem se manter fiéis ao “idealismo pragmático” de suas
atuais políticas externas. Nenhum
dos dois demonstra vontade, nem dispõe
das ferramentas de poder e dos desafios
indispensáveis – no momento - ao
exercício da realpolitik, própria das Grandes Potências. CM - O sr. olha para o futuro. O que o sr. vê? JLF - Vejo um
universo em expansão, que é
o sistema mundial criado a partir da Europa, e do longo século
XVI, de que fala o historiador francês
Fernand Braudel. Com sua permanente preparação para as guerras e suas
crises econômicas crônicas. Não vejo nenhuma “crise terminal” nem do sistema mundial,
nem do poder americano que seguirá competindo pelo poder global, a despeito
da ilusão unilateralista da
década de 90. Neste sentido, o que estamos assistindo e seguiremos assistindo
é a continuação do movimento
expansivo de um sistema que sempre
foi liderado pela competição
e que precisa da própria competição
entre as potencias para seguir se expandindo. Não acredito em hegemonias benevolentes que durem,
nem em pazes
perpétuas, nem muito menos numa economia mundial equilibrada. Guerras e crises
não significam o fim de um sistema que se expande em grande medida, movido pelas próprias
guerras e crises. Nós ainda
vivemos e seguiremos vivendo dentro de um universo formado por um
conjunto de unidades territoriais, monetárias e econômicas, hierarquizadas e competitivas, que são
a base material do “sistema político e econômico
mundial” que sempre foi, a um só tempo, nacional e
internacional. Dentro deste “sistema mundial
moderno”, as relações entre o poder político e econômico foram sempre muito estreitas,
e nunca houve paz duradoura
ou equilíbrio econômico estável. Pelo contrário, não só as guerras e as crises econômicas se reproduzem e expandem através da história, como além disto, parecem cumprir um papel mais importante do que
as “hegemonias internacionais”,
na ordenação hierárquica do próprio sistema. Neste novo patamar
expansivo deste universo, como eu
disse no Prefácio do livro Poder Global “está cada vez mais
claro que o centro neurálgico da nova competição
geopolítica mundial envolverá pelo menos duas potências – Estados Unidos e China – que são cada vez mais complementares
do ponto de vista econômico e financeiro,
e que hoje já são indispensáveis para o funcionamento expansivo da economia
mundial. Além disto, o novo eixo
da geopolítica mundial, deve envolver cada vez mais, três Estados “continentais” - os Estados Unidos, a Rússia
e a China – que detém em
conjunto, cerca de um quarto
da superfície territorial do mundo, e mais de um terço
da população global. Neste
momento, existem várias hipóteses sobre o fim do “sistema
mundial moderno”, mas o mais provável
é que antes deste apocalipse,
o sistema mundial ainda viva pelo menos mais uma longa rodada, de
ajustes, conquistas e guerras, como na velha geopolítica inaugurada pela Paz de Westphalia. Parece que ainda não soou a hora final do “sistema
mundial moderno”, apesar de que suas
transformações estruturais em curso possam estar criando uma situação de complicada “saturação sistêmica”.
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