DECLARACIÓN  II Cupula do IBAS

 

Octubre 2007

1. O Primeiro-Ministro da Índia, Sua Excelência Dr. Mannmohan Singh, o Presidente do Brasil, Sua Excelência o Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, e o Presidente da África do Sul, Sua Excelência o Senhor Thabo Mbeki (daqui em diante referidos como “os líderes”) se encontraram em Tshwane, na África do Sul, no dia 17 de Outubro de 2007 para a Segunda Cúpula do Forum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS).

2. Os lideres reconheceram que, desde o início, em 2003, o Fórum de Diálogo IBSA proporcionou uma forte estrutura para a cooperação trilateral em vários setores-chave entre os parceiros do IBAS. Mencionaram que o IBAS também proporciona um importante instrumento de cooperação em questões regionais e internacionais e de promoção dos interesses dos países em desenvolvimento, dessa maneira contribuindo para o fortalecimento e o aprofundamento da cooperação Sul-Sul.

3. Os líderes adotaram os resultados da IV Comissão Ministerial, realizada em Nova Delhi, em 17 de Julho de 2007.

4. Os líderes comprometeram-se mais uma vez a buscar vigorosamente o aprofundamento da cooperação Sul-Sul para o desenvolvimento sustentável. Reafirmaram seu compromisso mútuo com a erradicação da pobreza por meio do crescimento econômico sustentável e inclusivo. Destacaram a importância da implementação dos princípios adotados na Declaração do Rio, na Agenda 21 e no Plano de Implementação de Joanesburgo da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, particularmente o princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e enfatizaram que capacitação e fortalecimento institucional são a chave para o desenvolvimento sustentável global.

5. Os líderes registraram, com satisfação, a contínua participação da academia e de líderes empresariais. Os líderes estão satisfeitos com o fato de a participação da sociedade civil ter contribuído para o aumento da visibilidade do IBAS. Aplaudiram, igualmente, o compromisso dos povos dos três países com a participação no Festival de Música e Dança no Brasil, no final de Outubro de 2007.

6. Os líderes saudaram e aplaudiram a vinda conjunta de parlamentares da Índia, do Brasil e da África do Sul e as conversas produtivas mantidas como uma importante contribuição para as entre os povos e o fortalecimento do Diálogo IBAS.

7. Os líderes saudaram e apoiaram integralmente o lançamento do Fórum de Mulheres, que fortalece a participação das mulheres no IBAS, e reconheceram a contribuição fundamental das mulheres para o desenvolvimento social, econômico e cultural da Índia, do Brasil e da África do Sul. Reafirmaram o compromisso com a promoção da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres.

8. Os líderes reiteraram a importância de fortalecer o sistema de governança global por ser um ingrediente crucial para a promoção da paz, da segurança e do desenvolvimento sócio-econômico sustentável. Reafirmaram o compromisso permanente e a fé no multilateralismo, com as Nações Unidas desempenhando o papel preeminente. Reiteraram que o sistema internacional não pode ser significativamente reordenado sem uma abrangente reforma das Nações Unidas. Os líderes enfatizaram que a reforma do Conselho de Segurança é fundamental para esse processo, para assegurar que o sistema das Nações Unidas reflita a realidade contemporânea. Expressaram seu apoio total a uma autêntica reforma e a expansão do Conselho de Segurança, nas categorias de membros permanentes e não-permanentes, com maior representação para países em desenvolvimento em ambas as categorias. Reiteraram que negociações intergovernamentais sobre a questão da reforma do Conselho de Segurança devem ser iniciadas imediatamente. Concordaram, igualmente, em fortalecer a cooperação entre os seus países e com outros Estados-membros interessados numa autêntica reforma do Conselho de Segurança. Reafirmaram, também, a necessidade de esforços conjuntos dos Estados-membros para a revitalização da Assembléia Geral.

9. Os líderes enfatizaram seu compromisso com o objetivo da completa eliminação das armas nucleares e expressaram preocupação com a falta de progresso no cumprimento dessa meta. Enfatizaram que o desarmamento e a não proliferação de armas nucleares são processos que se reforçam mutuamente e que requerem progresso contínuo e irreversível nas duas frentes, e reafirmaram, com relação a essa questão, que o objetivo da não-proliferação seria melhor cumprido pela eliminação sistemática e progressiva das armas nucleares, de maneira abrangente, universal, não-discriminatória e verificável. Enfatizaram, também, a necessidade de se iniciar negociações em um programa de etapas para a completa eliminação das armas nucleares com um quadro temporal para eliminar as armas nucleares, para proibir o desenvolvimento, produção, aquisição, teste, estocagem, transferência, utilização ou ameaça de utilização, e para possibilitar sua destruição.

10. Os líderes enfatizaram fortemente a necessidade de assegurar o fornecimento fontes de energia seguras, sustentáveis e não-poluentes, para satisfazer a demanda global crescente por energia, particularmente nos países em desenvolvimentos. Nesse contexto, concordaram em explorar propostas de cooperação no uso pacífico de energias nucleares sob salvaguardas apropriadas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Concordaram, igualmente, que a cooperação internacional sobre o uso civil de energia nuclear, sob salvaguardas apropriadas da AIEA, entre países comprometidos com os objetivos do desarmamento e a não proliferação de armas nucleares, poderia ser ampliada por meio de propostas progressivas aceitáveis, consistentes com suas respectivas obrigações nacionais e internacionais. Reiteraram também a importância de assegurar que qualquer decisão multilateral relativa ao ciclo de combustível nuclear não debilite o direito inalienável dos Estados de desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos, em conformidade com suas obrigações legais internacionais.

11. Os líderes demandaram à comunidade internacional que se trabalhe em conjunto sobre Mudanças Climáticas no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de acordo com o princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e respectivas capacidades. Instaram todos os países desenvolvidos a adotarem alvos mais ambiciosos e quantificáveis quanto à emissão de gases de efeito estufa no período pós 2012 sob o Protocolo de Quioto. Ademais, salientaram o imperativo de lidar com modelos não-sustentáveis de produção e consumo. Isso também incentivaria o mercado de Carbono e aumentaria significativamente a contribuição do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo para o desenvolvimento sustentável, para os fluxos financeiros e para a transferência de tecnologias limpas para os países em desenvolvimento. Enfatizaram que um progresso significativo é necessário em Bali, em Dezembro de 2007.

12. Os líderes realçaram o desproporcionalmente alto impacto das mudanças climáticas nos países em desenvolvimento, mais vulneráveis, com meios menos adequados e capacidade limitada de adaptação aos seus efeitos. Enfatizaram a importância de financiamento adequado, novo e adicional para os esforços de adaptação dos países em desenvolvimento, sem que se desviem recursos para o desenvolvimento. Não se deveria negar oportunidades para que países em desenvolvimento obtenham os recursos financeiros e tecnológicos requeridos para a adaptação no decorrer do processo de desenvolvimento.

13. Os líderes registraram a necessidade de um acordo sobre modalidades inovadoras para o desenvolvimento, transferência e comercialização de tecnologias, inclusive tecnologias de carbono limpo, a preços acessíveis para os países em desenvolvimento, com atenção para o fato de que a recompensa para inovadores precisa estar em equilíbrio com o bem comum para a humanidade. Instaram, também, a comunidade internacional a trabalhar de maneira cooperativa para o desenvolvimento e a distribuição de energias renováveis, biocombustíveis e biomassa, e tecnologias limpas avançadas. Nesse âmbito, saudaram o trabalho realizado pelo Fórum Internacional de Biocombustíveis e sublinharam a importância da Conferencia Internacional sobre Biocombustíveis, a ser realizada em 2008.

14. Os líderes reafirmaram seu compromisso com a promoção e a proteção dos direitos humanos para todos. Expressaram seu compromisso quanto ao desenvolvimento do quadro institucional do Conselho de Direitos Humanos, inclusive do Mecanismo de Revisão Periódica Universal, baseado em cooperação internacional efetiva. Reafirmaram sua determinação de trabalhar para a operacionalização do direito ao desenvolvimento.

15. Os líderes reiteraram que o terrorismo constitui uma das mais sérias ameaças à paz e segurança internacionais. Condenaram veementemente o terrorismo em todas as suas formas e manifestações, cometido por quem quer que seja, aonde quer que seja e por quaisquer motivos. Salientaram que não há justificativa, qualquer que seja, para nenhum ato de terrorismo. Enfatizaram a necessidade de ação cooperativa e coordenada da comunidade internacional para atingir os objetivos de erradicação do terrorismo em todas as suas formas e manifestações. Nesse aspecto, clamaram pela imediata adoção de uma Convenção Abrangente contra o Terrorismo Internacional. Enfatizaram que a cooperação internacional no combate ao terrorismo deve ser conduzida em conformidade com os princípios da Carta das Nações Unidas, com resoluções relevantes e Convenções Internacionais das Nações Unidas, e com os Direitos Humanos.

16. Os líderes tomaram nota dos progressos que têm sido feitos no continente africano em direção à conquista da paz, segurança, estabilidade e desenvolvimento. Reafirmaram sua determinação de apoiar esses esforços embora percebam a ligação indissociável entre paz e segurança de um lado, e desenvolvimento de outro. Elogiaram os esforços da União Africana e tomaram nota do trabalho contínuo para fortalecer suas estruturas.

17. Os líderes reiteraram sua firme crença na Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD), uma estrutura chave para o desenvolvimento sócio-econômico da África. Eles reconheceram que o Fundo Pan-Africano para o Desenvolvimento de Infra-estruturas irá, à medida que evolua, ajudar a acelerar o crescimento e o desenvolvimento africano na direção dos objetivos estabelecidos pela NEPAD. Os parceiros do IBAS concordaram em associar-se ao desenvolvimento do Fundo de acordo com suas respectivas regras e regulamentações.

18. Os líderes conclamaram todas as partes no Sudão a renovarem seu compromisso com a implementação do Acordo Abrangente de Paz (CPA, na sigla em inglês), no seu espírito e forma, uma vez que essa é a opção viável para a resolução do conflito no Sudão. Instaram todas as partes envolvidas no conflito em Darfur a participarem nas conversações futuras para a paz em Darfur na Líbia. Na mesma linha, expressaram sua preocupação com a crescente violência em Darfur e, a esse respeito, instaram todas as partes em Darfur a atuar com comedimento. Instaram ainda a comunidade internacional a fornecer suporte material e financeiro para a organização da Força Híbrida NU-UA e para aliviar a situação humanitária em Darfur.

19. Os líderes refletiram sobre a situação em Zimbábue e tomaram nota do progresso positivo da iniciativa da Comunidade da África Meridional para o Desenvolvimento (SADC) para promover uma solução politicamente negociada em Zimbábue entre o Governo do Zimbábue e a oposição, com o apoio do Presidente Thabo Mbeki. Reiteraram a necessidade de que a comunidade internacional continue apoiando o povo do Zimbábue para a superação dos desafios que eles estão enfrentando.

20. Os líderes reafirmaram seu compromisso de longo prazo com um Afeganistão democrático, próspero e estável. Reiteraram que um esforço internacional conjunto e coerente, nos seus aspectos políticos, militares e de desenvolvimento, para ajudar o Governo do Afeganistão, continua a ser vital. Sublinharam a importância central do aspecto regional no processo de reconstrução e desenvolvimento. Condenaram fortemente os contínuos ataques terroristas perpetrados pelo Taliban contra trabalhadores voluntários, civis e forças internacionais e afegãs. Concordaram que a comunidade internacional precisaria agir resolutamente e com determinação, em coordenação com o Governo do Afeganistão, para enfrentar o desafio do resurgimento do Talibã e da Al-Qaeda.

21. Os líderes refletiram sobre o Processo de Paz no Oriente Médio, e ansiaram pelo progresso em direção aos objetivos árabes e de todas as outras mais importantes iniciativas para a paz em andamento, incluindo elementos do Mapa do Caminho, por meio do diálogo intenso e significativo entre Israel, a Palestina e outros países, resultando no estabelecimento de um Estado Palestino independente, soberano, viável e unificado, vivendo lado a lado e em paz com Israel, dentro de fronteiras bem definidas e reconhecidas.

22. Os líderes, em reconhecimento às muitas características comuns a esses três países nas áreas sócio-econômicas, saudaram a preparação de uma Estratégia para o Desenvolvimento Social Integrada do IBAS, que será baseada nas melhores práticas dos três países para servir de base para a cooperação Sul-Sul.

23. Os líderes mencionaram que a Rodada de Doha da OMC para negociações comerciais está entrando em estágio crítico. Essas negociações são atualmente um processo multilateral real, com esboços de textos para modalidades agrícolas e industriais que proporcionam uma boa base para as negociações. Reafirmaram seu compromisso em dar continuidade às negociações para um resultado que seja justo e aceitável para todos.

24. Os líderes reiteraram a importância da dimensão do desenvolvimento da Rodada e saudaram o engajamento, solidariedade e cooperação reforçados entre os países em desenvolvimento durante o processo.

25. Os líderes sublinharam que a agricultura continua sendo a chave para a conclusão da Rodada. Para cumprir verdadeiramente os benefícios de desenvolvimento da Rodada, defenderam a necessidade da remoção das distorções e restrições de longa data no comércio agrícola internacional, tais quais subsídios e barreiras tarifárias que afetam as exportações agrícolas e a produção doméstica dos países em desenvolvimento. Declararam, igualmente, que os países desenvolvidos devem concordar com cortes substanciais e efetivos no apoio doméstico que distorce mercados, com novas disciplinas que previnam o desvio no apoio entre caixas e comprometam-se com fluxos agrícolas novos e reais. Enfatizaram que tratamento diferencial especial, operacional e substantivo, que inclua instrumentos de desenvolvimento de Produtos Especiais e o Mecanismo de Salvaguardas Especiais são vitais para lidar com as preocupações dos países em desenvolvimento com produtores de baixa renda e de subsistência.

26. Os líderes enfatizaram que qualquer progresso para alcançar os objetivos acima mencionados é um imperativo do desenvolvimento e não deve ser relacionado com a satisfação de demandas desproporcionais dos países desenvolvidos em NAMA (Acesso ao Mercado para Bens não-agrícolas, na sigla em inglês) e nas negociações sobre serviços.

27. Os líderes afirmaram que os países em desenvolvimento têm sido construtivos e mostrado disposição de negociar em todas as áreas. Instaram outros a agir com a mesma disposição.

28. Os líderes lembraram seu compromisso em contribuir para a abertura de mercados na Rodada de Doha nas áreas de agricultura, NAMA e serviços que criem novos fluxos de comércio. Comprometeram-se, igualmente, a assegurar que o processo de negociação não fique refém da “espera por quem faça o primeiro movimento”. Reafirmaram sua convicção de que todos os membros devem “caminhar juntos” para chegar a um resultado justo e equilibrado das negociações.

29. Os líderes afirmaram que, por intermédio do diálogo constante, da flexibilização recíproca, do enfoque não-dogmático e de esforços feitos em boa fé, modalidades inteiras nas negociações sobre agricultura e bens industrializados podem ser alcançadas até o fim do ano, juntamente com resultados semelhantes em outras áreas. Reafirmaram seu compromisso em atingir tal resultado positivo dentro desse quadro.

30. Os líderes sublinharam a importância de incorporar a dimensão do desenvolvimento nas discussões internacionais a respeito da propriedade intelectual. Reafirmaram que a propriedade intelectual não é um fim em si mesmo, mas um dos instrumentos para estimular a inovação para o desenvolvimento tecnológico, industrial, econômico e social. Recordaram, igualmente, que é fundamental preservar os espaços de políticas necessários à garantia do acesso ao conhecimento, por meio da promoção de objetivos públicos nas áreas da saúde e da cultura, e do meio ambiente sustentável. Nesse contexto, saudaram a adoção de 45 recomendações para ações concretas em relação à “Agenda do Desenvolvimento” pela Assembléia Geral da OMPI deste ano, bem como o estabelecimento do Comitê Permanente da OMPI sobre Propriedade Intelectual e Desenvolvimento.

31. Os líderes reafirmaram a necessidade de alcançar uma solução para o problema levantado pela concessão de direitos de propriedade intelectual sobre recursos biológicos e/ou associados ao conhecimento tradicional, em desacordo com provisões relevantes Convenção sobre a Diversidade Biológica, tais como a concessão de patentes errôneas ou o registro de marcas inapropriadas. Sobre o assunto, recordaram a apresentação, no âmbito da OMC, das propostas co-patrocinadas, entre outros, pelos três países do IBAS, de emendas ao Acordo TRIPS por meio da introdução de uma requisição obrigatória para a divulgação da origem, com prévio consentimento informado, bem como o compartilhamento justo e equilibrado de recursos biológicos e/ou associados ao conhecimento tradicional utilizado em invenções para as quais são requisitados direitos de propriedade intelectual.

32. Os líderes saudaram as discussões em curso no Grupo de Trabalho Intergovernamental sobre Propriedade Intelectual e Saúde Pública da Organização Mundial da Saúde. Expressaram a importância do papel da OMS na discussão dos impactos da proteção da propriedade intelectual para a saúde pública e para o acesso a medicamentos.

33. Os líderes concordaram em trabalhar com vistas a uma iniciativa de cooperação trilateral na área de Direitos de Propriedade Intelectual (DPI) no que tange a atividades de formação, treinamento de pessoal e programas de conscientização do público.

34. Os líderes reafirmaram seu compromisso com a proposta de Acordo de Livre Comércio Trilateral Índia –MERCOSUL-SACU (ALC-T), e saudaram a reunião inicial entre os representantes da SACU, do MERCOSUL e da Índia sobre um possível Acordo durante as discussões exploratórias realizadas em Pretória em 6 de Outubro de 2007. Também notaram, com satisfação, que todas as Partes concordaram em continuar as discussões sobre o acordo trilateral de comércio. Exortaram a necessidade de esforços constantes para realizar, com brevidade, um ALC Índia-MERCOSUL-SACU. Com esse propósito, os líderes deram seu apoio à proposta de realizar uma Reunião Ministerial Trilateral em 2008. Saudaram, igualmente, o significativo progresso alcançado nas negociações entre MERCOSUL e a SACU em Pretória, em 8 e 9 de Outubro de 2007, bem como o lançamento das negociações entre a SACU e a Índia, no encontro em Pretória em 5 e 6 de Outubro de 2007. As negociações entre o MERCOSUL e a SACU, entre o MERCOSUL e a Índia e entre a Índia e a SACU lançaram as bases para que se alcance o objetivo de um Acordo de Livre Comércio Trilateral.

35. Os líderes expressaram a importância da interação regular entre empresários dos três países, com a atuação de autoridades governamentais no papel de facilitadores, para um aumento dramático do impulso ao comércio e ao investimento, com vistas ao aproveitamento das grandes e crescentes oportunidades em seus mercados. Para a contínua expansão do comércio, investimento e laços econômicos, os líderes deram seu estímulo à implementação de novas iniciativas entre os países do IBAS sobre padrões, procedimentos aduaneiros, direitos de propriedade intelectual, desenvolvimento de pequenas e médias empresas, articulações entre empresas e participação em mostras comerciais.

36. Os líderes sublinharam a necessidade de propiciar maior voz e participação aos países em desenvolvimento nas Instituições de Bretón Woods, e expressaram preocupação com o lento grau de progresso alcançado até o momento. Reconheceram o papel do G-20 como um fórum-chave sobre desenvolvimento econômico e governança e aguardam com interesse sua contribuição para a aceleração das reformas de governança nas Instituições de Bretón Woods.

37. Os líderes expressaram preocupação com o fato de que muitos países em desenvolvimento ainda estão distantes de alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDMs). Expressaram sua determinação em angariar apoio nesse sentido, com o objetivo específico de intensificar esforços comuns com vistas ao alcance das MDMs e outros objetivos de desenvolvimento acordados no plano internacional, expressados no Consenso de Monterrey. Destacaram, em especial, a necessidade de tratar do problema da dívida dos países em desenvolvimento, do aumento do fluxo de Assistência Oficial para o Desenvolvimento (AOD) e da redução das desigualdades no sistema de comércio internacional. Comprometeram-se a estreitar a cooperação entre países parceiros do IBAS enquanto preparam-se para a Conferência de Revisão sobre “Financiamento para o Desenvolvimento” que acontecerá em Doha, no Catar, no segundo semestre de 2008. Nesse sentido, destacaram a importância de incrementar os esforços internacionais para o desenvolvimento de mecanismos inovadores de financiamento para o combate à pobreza e à fome.

38. Os líderes reiteram a importância e a singularidade do Fundo IBAS para Cooperação Sul-Sul em benefício de outros países em desenvolvimento. Tomaram nota, com satisfação, do Prêmio Parceria Sul-Sul concedido ao Fundo pela ONU. Acordaram, igualmente, em estabelecer mecanismo mais eficaz para a utilização do Fundo.

39. Os líderes sublinharam a importância de uma cooperação setorial vibrante, de maneira a fornecer bases sólidas para o Fórum IBAS.

40. Os líderes enfatizaram a necessidade de aperfeiçoar as conexões aéreas e marítimas entre os países do IBAS, de forma a aumentar o comércio, o investimento e o turismo. Nesse sentido, deram seu estímulo às autoridades competentes para que trabalhem com vistas a alcançar este importante objetivo de maneira prioritária. Expressaram seu desejo de que, à época da III Cúpula na Índia, soluções eficazes e inovadoras tenham sido implementadas para mitigar esse problema.

41. Os líderes pediram o estabelecimento de projetos conjuntos e de colaboração para o aumento do uso de fontes alternativas de energia tais como os biocombustíveis, os combustíveis sintéticos e as energias solar e eólica de forma a contribuir para o alcance da segurança energética, o que pode reduzir de maneira significativa a emissão de gases que causam o efeito estufa.

42. Os líderes expressaram a necessidade de promover e incrementar a cooperação entre os parceiros do IBAS na área de desenvolvimento de infra-estrutura de TCI, inclusive para a Copa do Mundo de Futebol, que será sediada pela África do Sul, e os Jogos da Commonwealth, pela Índia em 2010.

43. Os líderes saudaram o progresso realizado no setor de Educação, com a identificação de áreas de cooperação. Em seguimento ao assunto, deram seu estímulo à realização de oficinas e seminários, intercâmbio de informação e projetos conjuntos. Saudaram, igualmente, as oportunidades de cooperação entre as academias diplomáticas dos países do IBAS.

44. Os líderes pediram, igualmente, a implementação antecipada do Plano de Ação no setor de Saúde, e exortaram os Ministros da Saúde do IBAS a reunir-se nos próximos três meses. A cooperação nessa área é de especial importância e necessita ser dinamizada.

45. Os líderes tomaram nota da iniciativa em curso com vistas à formulação de projetos conjuntos no setor de agricultura e expressaram a necessidade de sua implementação expedita, para o crescimento inclusivo e os benefícios aos agricultores. Expressaram, igualmente, a necessidade de explorar a cooperação na área de processamento de alimentos.

46. Os líderes enfatizaram a necessidade de explorar as oportunidades de cooperação no setor de defesa, para o benefício comum dos três países.

47. Ao sublinhar a importância da cooperação no setor de C&T, enfatizaram a necessidade de ação imediata para iniciar a implementação de projetos conjuntos de pesquisa. Saudaram a criação de um fundo de capital semente de US$ 1 milhão, em cada país, para atividades de cooperação.

48. Os líderes saudaram a assinatura de Memorandos de Entendimento e Acordos de cooperação nas áreas de Recursos Eólicos, Saúde e Medicamentos, Cultura, Assuntos Sociais, Administração Pública, Educação Superior e Administração Tributária e Aduaneira, que auxiliarão no aprofundamento da cooperação trilateral entre os parceiros do IBAS.

49. Os líderes apoiaram o estabelecimento de dois Grupos de Trabalho adicionais, sobre “Desenvolvimento de Assentamentos Humanos” e “Mudanças Climáticas e Meio Ambiente”, com vistas a incrementar o alcance da cooperação setorial trilateral.

50. Os líderes estabeleceram uma meta de comércio intra-IBAS de US$ 15 bilhões até 2010 e exortaram as empresas e a indústria para que sejam ainda mais ambiciosos e ultrapassem essa meta.

51. A África do Sul e o Brasil saudaram a oferta da Índia de receber a III Cúpula IBAS em 2008.

52. O Presidente do Brasil e o Primeiro-Ministro da Índia expressaram sua profunda gratidão ao Presidente e ao povo da África do Sul pelo êxito na realização da II Cúpula IBAS, que representou novo marco no progressivo desenvolvimento do IBAS.