MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORESSECRETARIA DE PLANEJAMENTO DIPLOMÁTICO POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO LULA: primeiros dois anos
BRASÍLIA, FEVEREIRO DE 2005 ÍNDICE i - dimensão sul VISITAS de
presidentes sul-americanos e VIAGENS DO PRESIDENTE luiz inácio lula da silva. ARGENTINA PARAGUAI CHILE URUGUAI VENEZUELA COLÔMBIA PERU Bolívia EQUADOR GUIANA SURINAME MERCOSUL MERCOSUL-COMUNIDADE
ANDINA (CAN) MERCOSUL-PERU MERCOSUL-CHILE MERCOSUL-BOLÍVIA INTEGRAÇÃO
FÍSICA COMUNIDADE
SUL-AMERICANA DE NAÇÕES INSTALAÇÃO DA
OTCA EM
BRASÍLIa iI – NEGOCIAÇÕES
COMERCIAIS ORGANIZAÇÃO
MUNDIAL DO COMÉRCIO
(OMC) Candidatura
brasileira à Direção-Geral da
OMC Contenciosos na
OMC MERCOSUL-UNIÃO
EUROPÉIA MERCOSUL-ÍNDIA MERCOSUL-SACU MERCOSUL-OUTROS
PAÍSES/BLOCOs BRASIL-CUBA área de livre
comércio das américas
(alca) iII –
FORTALECIMENTO DAS
ALIANÇAS VISITAS de
presidentes estrangeiros e VIAGENS DO PRESIDENTE luiz inácio lula da silva
(FORA DA AMÉRICA DO
SUL) EUA Canadá MÉXICO CUBA REPÚBLICA
DOMINICANA ESPANHA PORTUGAL REINO
UNIDO ALEMANHA FRANÇA NORUEGA PAÍSES
BAIXOS FINLÂNDIA SUÉCIA IRLANDA UCRÂNIA FEDERAÇÃO
RUSSA CHINA ÍNDIA JAPÃO CORÉIA PAQUISTÃO MALÁSIA TAILÂNDIA VIETNÃ Líbano Síria Palestina Emirados Árabes
Unidos ÁFRICA XI
UNCTAD presidência
brasileira do grupo do
rio PRESIDÊNCIA DO
MERCOSUL PARTICIPAÇÃO
BRASILEIRA NAS CÚPULAS
IBERO-AMERICANAS pARTICIPAÇÃO
BRASILEIRA NA CÚPULA ESPECIAL DAS AMÉRICAS pARTICIPAÇÃO
BRASILEIRA NA CÚPULA AMÉRICA LATINA-UNIÃO EUROPÉIA PREPARAÇÃO DA
CÚPULA AMÉRICA DO SUL-PAÍSES
ÁRABES PARTICIPAÇÃO NA
Liga dos Estados Árabes iv –
MULTILATERALISMO PRESENÇA NO
CONSELHO DE SEGURANÇA COMO MEMBRO NÃO-PERMANENTE REFORMA DAS NAÇÕES UNIDAS DESARMAMENTO E
NÃO-PROLIFERAÇÃO ATUAÇÃO NA ORGANIZAÇÃO
DOS ESTADOS AMERICANOS (oea) MEIO
AMBIENTE DIREITOS
HUMANOS v – A DIMENSÃO
SOCIAL AÇÃO CONTRA A
FOME E A POBREZA NO PLANO INTERNACIONAL Metas do
MilêniO RESPONSABILIDADE
SOCIAL DAS EMPRESAS (“GLOBAL COMPACT”) SOLIDARIEDADE:
IBAS SOLIDARIEDADE:
HAITI SOLIDARIEDADE:
GUINÉ-BISSAU VI – ASSISTÊNCIA
A BRASILEIROS NO EXTERIOR VII –
PROMOÇÃO
COMERCIAL VIiI –
PROMOÇÃO
CULTURAL
No biênio 2003/2004, o Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva manteve intensa agenda de visitas na América do Sul,
conforme a prioridade atribuída à integração continental e ao relacionamento
com os países vizinhos. O Governo empenhou-se de maneira ativa para a
construção de uma América do Sul politicamente estável, próspera e unida, com
base nos ideais democráticos e de justiça social. A intensificação das relações
de cooperação com nossos vizinhos fez-se acompanhar de passos concretos no
sentido do fortalecimento do diálogo e da coordenação política, da integração
econômica e comercial e da integração da infra-estrutura física de transportes,
energia e comunicações. A construção de uma identidade política sul-americana
passou, também, pelo fortalecimento do MERCOSUL e dos vínculos políticos,
econômicos, comerciais e institucionais do MERCOSUL com a Comunidade Andina. VISITAS de presidentes
sul-americanos e VIAGENS DO PRESIDENTE luiz inácio lula da silva
ARGENTINA
Durante os primeiros dois anos do Governo
Lula, intensificaram-se os contatos com a Argentina. À estreita cooperação
entre ambos os países — marcada por uma convergência de visões quanto à
prioridade do MERCOSUL e da aliança estratégica entre o Brasil e a Argentina —
veio somar-se a recuperação do crescimento das duas economias. O comércio
recupera rapidamente os níveis anteriores às crises financeiras do final dos
anos 90 (as exportações brasileiras para a Argentina devem registrar um recorde
histórico, em 2004) e as iniciativas promovidas nos diversos encontros entre
autoridades dos dois países estabeleceram um ambiente político propício à
retomada de grandes projetos. Logo no início de seu mandato, em 14 de Janeiro
de 2003, o Presidente Lula recebeu o então Presidente argentino, Eduardo
Duhalde, e com ele estabeleceu um ambicioso programa de trabalho: criou-se o
Instituto Social Brasil-Argentina, foro para a troca de experiências sobre
iniciativas na área social, delinearam-se metas para a retomada de obras de
infra-estrutura e iniciou-se o debate com vistas à futura criação de um
Parlamento do MERCOSUL. Após as eleições presidenciais no país
vizinho, os contatos com o novo Governo iniciaram-se com a visita a Brasília do
Chanceler Rafael Bielsa, apenas quatro dias após a posse. O encontro serviu
para preparar a primeira visita ao exterior do Presidente Néstor Kirchner, em
11 de Junho de 2003. Além de ratificarem os compromissos assumidos em Janeiro
de 2003, os Presidentes Lula e Kirchner estabeleceram as prioridades que
norteariam esses dois anos de cooperação: reafirmaram
o compromisso de seus países com a democracia e a inclusão social, deram maior
respaldo à coesão do MERCOSUL em suas negociações externas e determinaram que
se desse seguimento à cooperação nas áreas social, energética, de segurança e
defesa. Particularmente
produtiva foi a visita de Estado do Presidente Lula à Argentina, em 16 de
Dezembro de 2003. Na ocasião, os
mandatários de ambos os países assinaram, entre outros instrumentos, o Acordo
de Cooperação entre Autoridades de Defesa da Concorrência na Aplicação das Leis
de Concorrência e o Acordo que Modifica o Acordo de Facilitação de Atividades
Empresariais; criaram a Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral, que
constitui foro fundamental para o exame e solução de questões comerciais;
lançaram as bases da colaboração e trabalho conjunto no âmbito do Conselho de
Segurança das Nações Unidas; e assinaram o Consenso de Buenos Aires, declaração
de valores pelos quais ambos os Governos pretendem pautar suas condutas na
adoção de políticas internas e na condução de seus negócios exteriores. O Presidente Kirchner tornou a visitar o
Brasil em 16 de Março de 2004. Na ocasião, Assinaram-se a Ata de Copacabana e a
Declaração sobre a Cooperação para o
Crescimento Econômico com Eqüidade. Os Presidentes determinaram a realização de
experiências-piloto de consulados conjuntos em Hamburgo e Boston; concordaram
em concretizar uma primeira missão espacial conjunta; determinaram a negociação
do Acordo de Comunidades Fronteiriças; estabeleceram o Dia da Amizade
Argentino-Brasileira e criaram o Prêmio Binacional das Artes e da Cultura, a
ser entregue nessa ocasião. PARAGUAI
No biênio 2003/2004, o Presidente Lula
viajou três vezes ao Paraguai, e recebeu o Presidente Nicanor Duarte três
vezes. Os dois mandatários encontraram-se, em 2004, em Guadalajara e São Paulo,
à margem de encontros internacionais. No âmbito do Legislativo, o Presidente do
Congresso paraguaio visitou Brasília para encontrar-se com parlamentares
brasileiros. A Câmara de Deputados
paraguaia aprovou, em 2/9/04, a criação da
Comissão Parlamentar de Amizade com a República do Brasil O Brasil prestou
auxílio durante a crise política enfrentada pelo Governo González Macchi, em
2003 e enviou urnas eletrônicas que foram utilizadas na eleição presidencial. O Governo Lula procurou estabelecer maior
coordenação entre as autoridades paraguaias envolvidas no combate aos ilícitos
transnacionais e os órgãos brasileiros correspondentes. Atualmente, está em
negociação um Memorando de Entendimento para o estabelecimento de um Grupo
Bilateral de Inteligência Brasil-Paraguai na Esfera de Pirataria e
Falsificação. Ao Brasil interessa promover a
estabilidade social, política e econômica do Paraguai. Nesse sentido, o Brasil
procura adotar medidas para facilitar a integração das cadeias produtivas do
país vizinho com as brasileiras. Vários projetos de cooperação foram
estabelecidos nas áreas social, de saúde e desenvolvimento. Em 27/9/03,
inaugurou-se o Centro de Formação e Capacitação Profissional em Hernandárias, o
maior projeto brasileiro de cooperação técnica desenvolvido na América Latina. Em 14/10/03, foi assinado o Ajuste Complementar
ao Acordo de Cooperação Técnica para a implementação do projeto
"Assistência e Tratamento a Pessoas vivendo com HIV/AIDS". Em
31/03/04, foi assinado o Protocolo de Intenções sobre Cooperação Técnica
na Área do Desenvolvimento Agrário. Grande impulso foi dado aos projetos de integração
física com a assinatura do Memorando de Entendimento para a Construção da
Segunda Ponte sobre o Rio Paraná. Está para ser concluído convênio que repassa
US$ 30.000 da Itaipu Binacional ao Ministério dos Transportes (DNIT) para a
execução dos estudos preliminares da obra. No Orçamento de 2005 daquele
Ministério está prevista a liberação de R$800.000,00 reais para o financiamento dos estudos de viabilidade técnica da
ponte. O BNDES encaminhou proposta de Acordo-Quadro para o financiamento de
obras de infra-estrutura no Paraguai. Entre
os projetos previstos, estão o da Ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta
e a construção e pavimentação do trecho rodoviário entre Carmelo Peralta e Loma
Plata, além da expansão da Ruta 10, ora em fase final de construção. O Congresso Nacional aprovou o Projeto de
Lei 78/04 que cria Fundo, no total de R$20.000.000,00, a ser utilizado em
projetos na área social, na correção de desequilíbrios regionais, bem como na
modernização da administração tributária do Paraguai. CHILE
Nos primeiros dois anos do Governo Lula,
registrou-se ampla coordenação entre Brasil e Chile, como o demonstram as
viagens presidenciais realizadas: uma visita do Presidente eleito a Santiago,
em 03/12/2002, e duas visitas oficiais nos primeiros dois anos, a primeira em
19 de Agosto de 2003, com a vinda do Presidente da República do Chile, Ricardo
Lagos Escobar, ao Brasil, e a segunda em 23 e 24 de Agosto de 2004, com a ida
ao Chile do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A coordenação entre os dois países tem-se
reafirmado em alguns contextos importantes, como nas Nações Unidas,
especialmente no Conselho de Segurança, onde Brasil e Chile ocuparam assentos
como membros não-permanentes durante o ano de 2004. No Haiti, onde os esforços
da ONU são liderados por um brasileiro no plano militar e por um chileno na
área civil. O Presidente Lagos associou-se à iniciativa de “Ação Contra a Fome
e a Pobreza” e participou ativamente da reunião de líderes mundiais, em 20 de
Setembro, em Nova York. Cabe destacar a cooperação Brasil-Chile na Organização
Mundial do Comércio, onde a atuação do G-20 tem contado com a firme
participação chilena. No Comunicado Conjunto, divulgado ao fim
da visita do Presidente Lagos ao Brasil, o Chile reconheceu o legítimo interesse
do Brasil em integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro
permanente. A visita foi considerada pelo mandatário chileno como
“importantíssimo ponto de inflexão” nas relações bilaterais. Na mesma época, a
Chanceler Soledad Alvear ressaltou a importância da convergência de pontos de
vista e a urgência da aproximação entre os dois Países. A visita do Presidente Lula ao Chile, em
23 e 24 de Agosto de 2004, deu continuidade aos estreitos contatos entre os
dois mandatários. Na ocasião, foram assinados cinco instrumentos: Declaração
Conjunta, Plano de Ação Conjunta, Memorando de Entendimento para a Promoção do
Comércio e Investimentos, Memorando de Entendimento entre o Ministério de
Desenvolvimento Social e Combate à Fome e o Ministério de Planejamento e
Cooperação do Chile; Memorando de Entendimento entre a Embrapa e o Inia
(Instituto de Investigaciones Agropecuarias). No Plano de Ação Conjunta,
assumiu-se o compromisso de impulsionar
ações em diversas áreas, como comércio, meio ambiente, planejamento, turismo,
cultura, ciência e tecnologia. Importantes eventos ocorreram durante a
visita, dentre os quais podem ser citados, na área social, o encontro do
Presidente Lula com famílias participantes do programa “Chile Solidário” e a
realização de Seminário sobre Políticas de Erradicação da Extrema Pobreza no
Brasil e no Chile. Na área empresarial, realizou-se o seminário “Como fazer
negócios com o Brasil”, que contou com a participação do Presidente Lula. A visita do Presidente Lula a Santiago propiciou
a emergência de novos elementos facilitadores do diálogo bilateral: o projeto
de constituição de uma Comunidade
Sul-Americana de Nações constou expressamente do Comunicado Conjunto da visita.
O apoio à aspiração brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança
foi explicitado de modo mais enfático do que antes. URUGUAI
As
relações do Brasil com o Uruguai nos dois primeiros anos do Governo Lula foram
marcadas pelo espírito de cooperação correspondentes à condição de países vizinhos
e sócios no MERCOSUL. Em 12 de Maio de 2003, o Presidente Jorge Batlle realizou
visita de trabalho ao Brasil na qual os dois Presidentes divulgaram um
Comunicado Conjunto que indicou
parâmetros do relacionamento bilateral e assinalou convergências na agenda
multilateral. Além de diversos contatos em reuniões multilaterais, os
Presidentes Lula e Jorge Battle mantiveram encontro à margem da XI UNCTAD (São
Paulo, 14/06/2004). Foi muito expressivo nas relações
Brasil-Uruguai o recente fortalecimento da cooperação fronteiriça, identificada
como modelo a ser seguido pelo Brasil nas relações com outros vizinhos. A
entrada em vigor do Acordo para Permissão de Residência, Estudo e Trabalho a
Nacionais Fronteiriços Brasileiros e Uruguaios - cujos instrumentos de
ratificação foram trocados pelos Chanceleres Celso Amorim e Didier Opertti em
Jaguarão-Rio Branco em 14/04/2004 - marca uma nova etapa na integração
fronteiriça ao estimular a cidadania binacional na região, promovendo a
equiparação de brasileiros e uruguaios em ambos os lados da fronteira. Traduz,
dessa forma, a visão pragmática e abrangente da integração desejada pelo
Brasil, que não se limita aos aspectos econômicos e comerciais mas envolve
igualmente uma dimensão humana e social. A cooperação energética é outra importante
vertente do relacionamento bilateral. Em Março de 2004, quando o Uruguai
experimentou grave crise no setor provocada por acentuada redução na
disponibilidade de gás e eletricidade, o país beneficiou-se do fornecimento, em
caráter emergencial, de energia brasileira. No momento, encontra-se em estudo
projeto para a construção de uma linha de transmissão elétrica entre Garabi e Salto Grande, iniciativa de grande
impacto no processo de integração física da região. A participação brasileira e uruguaia na
Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) foi um ponto
marcante. O Governo brasileiro atribui grande relevância ao envolvimento do
Uruguai na MINUSTAH, não apenas pela reconhecida experiência das tropas
uruguaias em missões da ONU, mas também pelo significado político de que se
reveste. O Brasil tem defendido a crescente coordenação Regional em matéria de
segurança e, no caso do Haiti, é altamente emblemática a participação dos
países latino-americanos, em particular do MERCOSUL. VENEZUELA Desde a posse do Presidente
Lula, em Janeiro de 2003, o Presidente Hugo Chávez fez cinco visitas ao Brasil.
A primeira visita do Presidente venezuelano deu-se por ocasião da cerimônia de
posse do novo mandatário brasileiro. A segunda, também em
Brasília, em 18 de Janeiro de 2003, realizou-se logo após a criação do Grupo de
Países Amigos do Secretário-Geral da OEA para a Venezuela (Brasil, Chile,
Espanha, Estados Unidos, México e Portugal), instituído por iniciativa
brasileira. Em sua terceira visita ao
Brasil, em 2003, Chávez foi a Porto Alegre, onde participou, em 26 de Janeiro,
do III Fórum Social Mundial. Em 25 de
Abril de 2003, Chávez fez sua quarta visita, quando manteve, em Recife,
encontro bilateral com o Presidente Lula. Na ocasião, assinaram a “Ata de
Recife”, na qual afirmaram a intenção de coordenar posições, junto com os
demais países sul-americanos, na OMC e no processo de conformação da ALCA;
reafirmaram a ênfase compartilhada na integração entre os dois países, em
particular quanto à Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional
Sul-Americana – IIRSA, o interesse na participação da iniciativa privada na
busca de fontes de financiamento para a infra-estrutura, na cooperação
PETROBRÁS-PDVSA e no incremento do comércio bilateral. Na oportunidade, os
Presidentes das duas empresas firmaram Protocolo de Intenções, que amplia o
escopo da cooperação energética entre os dois países. Em sua quinta visita ao Brasil, desde a
posse do Presidente Lula, Chávez participou do III Encontro Empresarial
Brasil-Venezuela, realizado em Manaus, em 15 de Setembro de 2004. Pela manhã,
os dois mandatários encerraram o encontro empresarial Brasil-Venezuela e à
tarde inauguraram a II Feira Internacional da Amazônia – II FIAM. Esta foi a
primeira visita do Presidente Hugo Chávez ao Brasil após a realização, em 15 de
Agosto de 2004, do referendo revogatório que confirmou sua permanência como
Chefe de Estado da Venezuela. Das conversações mantidas, registrem-se o
interesse da Petrobras e da PDVSA em ampliar suas operações em ambos os países,
e a reativação da Comissão Binacional de Alto Nível Brasil-Venezuela (COBAN),
mecanismo presidido pelos Chanceleres dos dois países. Na ocasião, o Presidente
Chávez confirmou o apoio da Venezuela a que o Brasil venha a integrar o
Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro permanente. Em 26 de
Agosto de 2003, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez sua primeira visita
oficial à Venezuela (Caracas e Puerto Ordaz). Os Presidentes realizaram um
balanço dos compromissos assumidos na “Ata de Recife”, e reiteraram a
prioridade atribuída pelos dois Governos ao combate à pobreza e à exclusão
social. Congratularam-se pela assinatura do Acordo Geral entre a Petrobras e a
PDVSA em Julho daquele ano, e pela assinatura do Acordo entre o BNDES e o
Governo venezuelano, que prevê linha de crédito de um bilhão de dólares a
projetos de infra-estrutura considerados prioritários. Ambos os mandatários
reiteraram, na oportunidade, a vigência da Comissão Binacional de Alto Nível
(COBAN). Em 27 de Fevereiro de 2004, o Presidente Lula compareceu à
abertura da XII Reunião de Cúpula do G-15, em Caracas. Na oportunidade, manteve
encontros com os Presidentes Chávez e Kirchner. O
Presidente Chávez tem manifestado gratidão ao Governo brasileiro pelo esforço
realizado, no âmbito do Grupo dos Países Amigos para a Venezuela, que resultou
no acordo político celebrado entre o governo e oposição venezuelanos. Ao manter
postura isenta e construtiva, apelar ao diálogo e à conciliação e apoiar saída
constitucional, democrática, pacífica e eleitoral para a crise venezuelana, o
Grupo, coordenado pelo Brasil, mereceu referências elogiosas, tanto do governo,
quanto da oposição venezuelana e da comunidade internacional. COLÔMBIA
A convite do
Presidente Lula, o Presidente Álvaro Uribe deslocou-se a Brasília, em 7 de
Março de 2003, em visita de trabalho, acompanhado de seis Ministros de Estado. Durante a visita, o Presidente Lula
reiterou a condenação do Brasil aos atos terroristas praticados na Colômbia.
Ambos mandatários decidiram revitalizar a Comissão de Vizinhança
Brasileiro-Colombiana, a qual se reuniu em de Outubro de 2003 sob a presidência
brasileira. Em Junho de 2003, o
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou em Medellín, como convidado
especial, da XIV Reunião do Conselho Presidencial Andino. O convite colombiano
constituiu gesto de especial consideração e amizade para com o Brasil, tendo
sido essa a primeira vez em que um Chefe de Estado de país não andino tomou
parte naquele foro. Em 16 de Setembro de 2003, o Presidente Lula
encontrou-se com o Presidente Uribe em Cartagena, por ocasião das comemorações
do 40o. aniversário da Organização Internacional do Café. Os
Presidentes trataram de temas bilaterais e de assuntos relativos à
integração comercial Regional e à integração física da América do Sul. Os
Presidentes do Brasil e da Colômbia mantiveram vários encontros ao longo de
2004: por ocasião da Cúpula de Monterrey, em Janeiro; durante a Macro-Rodada de
Negócios Bilateral, em 21 e 22 de Junho, em São Paulo, que reuniu expressivo
número de empresários dos dois países; na XVIII Reunião de Cúpula do Grupo do
Rio, em 05/11/2004; durante a Cúpula de Presidentes Sul-Americanos, realizada
em Cusco, nos dias 8 e 9 de Dezembro. PERU
O Presidente do Peru, Alejandro Toledo
Manrique, compareceu à posse do Presidente Lula. Na ocasião, os dois
mandatários mantiveram audiência privada, quando lançaram os fundamentos da
aliança estratégica entre os dois países. O Presidente Toledo, acompanhado do
Primeiro Vice-Presidente e de nove membros de seu Gabinete, visitou o Brasil em
11 de Abril de 2003. Nos encontros mantidos, destacou-se a necessidade de
promover a interconexão física, através da IIRSA, o intercâmbio comercial, os
investimentos, o turismo, o desenvolvimento sustentável, o combate ao
narcotráfico e a luta contra a pobreza. Foi assinado acordo para a construção
da ponte Assis Brasil-Iñapari. Expressou-se a urgência em avançar no processo
de negociação de uma zona de livre comércio entre a Comunidade Andina e o
MERCOSUL, assim como subscrever um acordo de livre comércio entre o MERCOSUL e
o Peru. O Presidente Lula
viajou ao Peru para participar da XVII Cúpula do Grupo do Rio, realizada na
cidade de Cusco, de 22 a 24 de Maio de 2003. Nos dias 24 e 25 de
Agosto de 2003, o Presidente Lula, acompanhado de Ministros de Estado e de
Governadores da região Norte, realizou visita ao Peru. Os dois Presidentes divulgaram Declaração Conjunta,
reafirmando a decisão de continuar avançando na construção de uma aliança
estratégica entre o Peru e o Brasil. Durante a visita, foram assinados o Acordo
de Livre Comércio entre o Peru e o MERCOSUL, o Memorando de Entendimento sobre
Integração Física e Econômica, um novo Tratado de Extradição e o Acordo sobre
Transferência de Presos. Quanto à IIRSA, os Presidentes decidiram iniciar a
execução dos Eixos do Amazonas, Transoceânico Central e Interoceânico do Sul.
Os mandatários instruíram, ainda, as autoridades competentes dos dois países a iniciarem
tratativas com vistas a criar postos integrados de controle de fronteira;
incentivar o intercâmbio cultural; eliminar a exigência de passaportes para as
viagens de seus nacionais entre os dois países; e desenvolver atividades nas
áreas alfandegárias e de combate ao contrabando, cooperação no investimento
privado e transferência tecnológica, entre outras. Atendendo
ao convite do Presidente Lula, os Presidentes da Bolívia, Carlos Mesa, e do
Peru, Alejandro Toledo, visitaram o Estado do Acre, em 11 de Agosto de 2004,
para participar das cerimônias de inauguração da ponte que liga o Brasil à
Bolívia, entre as cidades de Brasiléia e Cobija, e de lançamento da pedra
fundamental da ponte ligando o Brasil ao Peru, entre as cidades de Assis Brasil
e Iñapari. Os Presidentes do Brasil e do Peru
reuniram-se no dia 5 de Novembro de 2004, por ocasião da XVIII Cúpula do Grupo
do Rio, para tratar de assuntos relativos à integração física e acordar o
financiamento do PROEX para dar início à construção da rodovia interoceânica.
Os Presidentes voltaram a reunir-se em Cusco, no Peru, no dia 8 de Dezembro de
2004, à margem da III Reunião de Presidentes da América do Sul; anunciaram a
concretização do acordo para a construção da rodovia interoceânica e a
assinatura de Memorando de Entendimento entre o Governo do Peru e a CAF
(Corporación Andina de Fomento) para o financiamento complementar das obras;
decidiram formar um Grupo de Trabalho Ad Hoc, encarregado de elaborar plano de
desenvolvimento econômico e social para a zona que se encontra sob a influência
da estrada. Por último, os Presidentes manifestaram sua satisfação com a
decisão do Governo do Peru de executar o trecho da rodovia Tarapoto-Yurimaguas,
no eixo viário do Amazonas. Bolívia
O ex-Presidente da Bolívia, Gonzalo
Sánchez de Lozada, acompanhado de membros de seu Gabinete ministerial, realizou
visita a Brasília, em 28 de Abril de 2003. Na ocasião, o Presidente boliviano
declarou apoio a que o Brasil integre o Conselho de Segurança na qualidade de
membro permanente. Os Presidentes Lula e Sánchez de Lozada reiteraram a
prioridade atribuída à integração sul-americana, na vertente
econômico-comercial e na de infra-estrutura, em particular na integração
energética e do comércio de gás. Confirmaram o propósito de concluir as obras
de ligação rodoviária, regional e binacional, com possível financiamento do
BNDES e da CAF. Durante a visita, foi assinado o Acordo Bilateral para a
Restituição de Veículos Roubados ou Furtados entre os dois países. O novo Presidente da Bolívia, Carlos Mesa,
visitou o Brasil em 18 de Novembro de 2003, pouco depois de haver assumido o
cargo. Foram assinados um memorando de entendimento na área de comércio e
investimentos, além de sete ajustes complementares ao Acordo Básico de
Cooperação Técnica, Científica e Tecnológica entre Brasil e Bolívia. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou visita a
Santa Cruz de la Sierra no dia 8 de Julho de 2004. Durante a visita,
anunciou-se o cancelamento da dívida boliviana de US$ 52 milhões para com o
Brasil. Os Presidentes trataram do financiamento para obras de integração
física, acesso recíproco a portos e aeroportos, melhoria das condições de vida
das populações das cidades fronteiriças e regularização da situação migratória
de bolivianos no Brasil. Manifestaram, também, interesse em implementar projeto
de construção de um pólo gás-químico na região fronteiriça, próximo às cidades
de Corumbá e Puerto Suárez, e projeto de cooperação tecnológica na área de gás
natural, que prevê a instalação de um Centro de Tecnologias do Gás na Bolívia.
Foram assinados os seguintes acordos: Acordo sobre Facilidades para o Ingresso
e Trânsito de seus Nacionais em seus Territórios; Acordo para a permissão de
residência, estudo e trabalho a nacionais fronteiriços brasileiros e
bolivianos; e Acordo Quadro entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social da República Federativa do Brasil e o Ministério da Fazenda da
Bolívia. EQUADOR O Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva visitou o Equador em 15 e 16 de Janeiro
de 2003, por ocasião da Cerimônia de
Posse do Presidente Lucio Gutiérrez. Na ocasião, o Brasil
propôs a criação do Grupo de Amigos do Secretário-Geral da OEA para encaminhar
a situação política na Venezuela. No plano bilateral, o Presidente Lula mencionou a importância de alguns projetos que contam com
participação brasileira, tais como a hidrelétrica de São Francisco e os canais
de irrigação de Manabi (ambos a cargo da Odebrecht), e as oitenta e sete
plantas de tratamento de água da empresa EMEM. O Presidente Gutiérrez ressaltou
a importância para o Equador da construção de vias de transportes que assegurem
a implementação do eixo Manta-Manaus, bem como a ampliação da rodovia
Quito-Guaiaquil. O Presidente Lucio Gutiérrez visitou o Brasil em 27 de Maio
de 2003. Foram assinados durante a visita: (a) Memorando de Entendimento sobre
Políticas Sociais no Âmbito do Programa de Cooperação Técnica; (b) Ajuste
Complementar ao Acordo Básico de Cooperação Técnica para a Implantação do
Projeto "Fortalecimento da Capacidade de Resposta do Programa de Prevenção
e Controle de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Vírus de Deficiência
Imunológica Humana e Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (DST/HIV/AIDS) do
Equador"; (c) Protocolo de Intenções na Área de Educação; e (d) Protocolo
de Intenções na Área de Distribuição de Benefícios Sociais com uso de Cartão
Magnético. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o
Equador em 24 e 25 de Agosto de 2004. A visita contribuiu para elevar o patamar das relações
bilaterais. Foram firmados acordos de cooperação nas áreas de saúde, energia e
telecomunicações. Avançou-se, ademais, nos entendimentos com vistas a garantir
o financiamento de bens e serviços destinados a projetos de infra-estrutura
considerados prioritários pelos dois Governos. GUIANA
O
Presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, visitou o Brasil em 30 de Julho de 2003.
Na ocasião, foram repassados temas das relações bilaterais, com ênfase na
questão da infra-estrutura viária. O Presidente Jagdeo declarou apoio ao ingresso
do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro permanente.
Foi assinado acordo de isenção parcial de vistos, em passaportes de nacionais
dos dois países. Em 17
de Novembro de 2003, realizou-se nova visita do Presidente Bharrat Jagdeo ao Brasil. Foram assinados dois protocolos adicionais que
permitiram a plena vigência do Acordo Bilateral de Preferência Tarifárias Fixas, firmado em 2001. SURINAME
O Presidente do
Suriname, Runaldo Ronald Venetiaan visitou o Brasil em 22 de Julho de 2003, acompanhado dos Ministros das Relações
Exteriores, Finanças, Obras Públicas, Saúde, Educação e Desenvolvimento
Comunitário, Justiça e Polícia, Transportes, Comunicações e Turismo. Foram
tratados temas das agendas bilateral, regional e internacional, com ênfase em
projetos de cooperação, temas consulares, comércio bilateral e as negociações
comerciais regionais e hemisféricas. O Presidente Venetiaan manifestou apoio
ao ingresso do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro
permanente. MERCOSUL
Um dos elementos centrais da política
externa do Governo Lula é o papel do MERCOSUL na conformação da América do Sul
como área de desenvolvimento com justiça social, paz e estabilidade
democrática. Nessa perspectiva, o Brasil desempenhou, no biênio 2003/2004,
papel fundamental para o fortalecimento do MERCOSUL, mostrando-se disposto a
introduzir elementos de tratamento assimétrico no Bloco em resposta às
dificuldades apresentadas pelos sócios menores para participar plenamente do
processo de integração. Essa posição implicou a aceitação, em caráter
temporário, de exceções nos prazos e nas disciplinas do processo de integração,
com uma visão de longo prazo sobre a importância da adoção dessa linha de
conduta para o fortalecimento do processo como um todo. Com base em proposta apresentada pelo
Brasil em Junho de 2003, o MERCOSUL aprovou Programa de Trabalho para
2004/2006, que vem sendo implementado de forma satisfatória. O Programa está
esboçado em torno das idéias de ampliar as dimensões política e cidadã do
MERCOSUL, completar a União Aduaneira, avançar nas bases para o Mercado Comum e
iniciar nova agenda de integração em torno da integração produtiva e do
desenvolvimento tecnológico Ainda no âmbito das iniciativas voltadas
para o fortalecimento do MERCOSUL, foi criada em 2003 a Comissão de
Monitoramento do Comércio Bilateral Brasil-Argentina, que se reúne mensalmente
e tem tido atuação decisiva para encaminhar soluções para as dificuldades que
afetam o comércio bilateral em setores específicos. O Governo Lula promoveu, de forma
incisiva, negociações para a conclusão de importantes instrumentos de
fortalecimento da União Aduaneira, como o Protocolo de Compras Governamentais,
que cria um espaço preferencial aos sócios do MERCOSUL nos contratos públicos e
elimina reservas de mercado; a IV Rodada Negociadora em comércio de serviços,
que procurou eliminar restrições de acesso a mercados em serviços prestados
pelos nossos sócios; e a Regulamentação do Protocolo de Olivos sobre Solução de
Controvérsias, que aperfeiçoou o sistema de solução de contenciosos comerciais
no MERCOSUL, ao criar o Tribunal Permanente de Revisão, com sede em Assunção. No tocante à dimensão social do MERCOSUL,
o Brasil tem atuado decisivamente para a entrada em vigor de normas que trazem
benefícios diretos aos cidadãos, como o Acordo de Residência de Nacionais, que
permitirá que qualquer brasileiro possa fixar residência nos países do
MERCOSUL, sem emprego prévio assegurado. O Brasil favorece, ademais, a pronta
entrada em vigor do Acordo sobre Previdência Social do MERCOSUL, que estende os
benefícios da previdência social aos cidadãos dos Estados Partes, aumentando a
solidariedade Regional. Para a consolidação do MERCOSUL, o
objetivo é alcançar as metas do Governo brasileiro e aquelas previstas no
Programa de Trabalho do Mercosul 2004/2006, todas cumpridas a contento até
Dezembro de 2004. O Brasil tem dado, também, especial atenção ao relacionamento
político com os governos da Argentina, Paraguai e Uruguai, com vistas a fortalecer
o ambiente negociador com nossos parceiros do Bloco, o que se reflete não
apenas no cumprimento das metas internas do MERCOSUL, mas também nos bons
resultados das negociações do MERCOSUL com terceiros países e Regiões, como é o
caso da Comunidade Andina (CAN), da Índia e da SACU (União Aduaneira
Sul-africana). MERCOSUL-COMUNIDADE ANDINA
(CAN) O Acordo
de Livre Comércio entre o MERCOSUL e a Colômbia, o Equador e a Venezuela
(ACE-59), países membros da Comunidade Andina de Nações (CAN), foi assinado em
16 de Dezembro de 2003 e protocolizado durante a XIII Reunião do Conselho de
Ministros da ALADI (Montevidéu, 18/10/04). A celebração do Acordo ocorreu após
oito anos de negociações. Os três países andinos mencionados tornaram-se
Estados Associados do MERCOSUL durante a XXVII Reunião do Conselho do Mercado
Comum (Belo Horizonte, 15 e 16/12/04). Esse Acordo cumpriu o mandato previsto no
Acordo-Quadro MERCOSUL-Comunidade Andina, de 06/12/02, que permitia a
negociação, em formato flexível, de um acordo de livre comércio entre os
membros dos dois Blocos. Outro instrumento assinado no âmbito do referido
Acordo-Quadro foi o Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-Peru (25/08/03). A conclusão do
Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-Colômbia, Equador e Venezuela constitui passo
histórico e significativo para a conformação de um espaço sul-americano de
integração. A liberalização do comércio criará as condições para o incremento
substancial do comércio, a integração das cadeias produtivas, a maior
utilização dos insumos Regionais e ganhos em competitividade para as empresas
da Região com o aumento da escala de mercado. Por esse
instrumento, convergiram os dois principais Blocos da América do Sul, etapa
fundamental para a conformação de um espaço econômico integrado de dimensão
continental. Com os acordos já existentes entre MERCOSUL e Bolívia e MERCOSUL e
Peru, igualmente membros da CAN, e o Chile, consolida-se uma aliança econômica
que abrange uma população de aproximadamente 350 milhões de habitantes e um PIB
de mais de US$ 1 trilhão. Dez dos
doze países sul-americanos já estão, portanto, ligados por acordos de livre
comércio. Estão sendo traçados os parâmetros de uma Comunidade Sul-Americana de
Nações, a qual foi lançada na III Cúpula Presidencial Sul Americana, realizada
em Cusco, em 08 de Dezembro de 2004. Conforme expressado no Comunicado Conjunto
dos Presidentes dos Estados Partes do MERCOSUL e dos Estados Associados
(Declaração de Ouro Preto), de 17/12/04, a Comunidade deverá ser fundamentada
na intensificação do diálogo político e fortalecimento da democracia, na
integração da infra-estrutura de transportes, energia e comunicações, e na
convergência dos processos de integração econômica e comercial na Região. MERCOSUL-PERU O Acordo-Quadro
MERCOSUL-Comunidade Andina, de 06/12/02, que permitiu a negociação, em formato
flexível, de um acordo de livre comércio entre os membros dos dois blocos,
ensejou negociações entre o Mercosul e Colômbia, Equador e Venezuela, bem como
entre a União Aduaneira e o Peru. Nesse contexto, o Governo peruano, já em
Janeiro de 2003, indicou interesse em
negociar com o MERCOSUL. Essas negociações culminaram na assinatura
do Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-Peru (ACE-58), em Lima, em 25/08/03,
durante a visita oficial do Presidente Lula ao Peru. O Peru pleiteou, em seguida, tornar-se Estado Associado ao
MERCOSUL, o que foi formalizado pela Decisão nº 39/03 da XV Reunião do Conselho
Mercado Comum (Montevidéu, 16/12/2003). MERCOSUL-CHILE Entre o MERCOSUL e o Chile, existe o Acordo
de Complementação Econômica Nº 35 (ACE-35). No âmbito desse instrumento, a
maior parte do comércio entre o MERCOSUL e o Chile passou a gozar dos
benefícios do livre comércio em 1º de Janeiro de 2004. O ACE-35 poderá ser
ampliado mediante a negociação de novos temas. Foram iniciadas conversações
entre as Partes do Acordo sobre a definição de parâmetros negociadores sobre
serviços. O 21º Protocolo Adicional ao
ACE-35 (Regime Definitivo de Solução de Controvérsias) foi incorporado ao
ordenamento jurídico brasileiro por meio do Decreto Legislativo nº 606, de 11
de Setembro de 2003. A aprovação do protocolo demonstra o firme compromisso do
Brasil com o aperfeiçoamento institucional do ACE-35. Com a incorporação, pelo
Uruguai, ao seu ordenamento jurídico, em 08/09/2004, do 21º Protocolo Adicional
ao ACE-35, completaram-se os pré-requisitos para a entrada em vigor do referido
instrumento jurídico, que institui o regime de solução de controvérsias. MERCOSUL-BOLÍVIA A integração entre o MERCOSUL e a Bolívia
tem sido conduzida sob o Acordo de Complementação Econômica Nº 36 (ACE-36). Os produtos constantes do cronograma geral
de desgravação do ACE-36 atualmente recebem margem de preferência de 80%,
passando a 90% em 2005 e atingindo o livre comércio em 1º de Janeiro de 2006. Na VI Reunião Ordinária da Comissão
Administradora do ACE-36 (Cochabamba, 25 e 26/03/04), foi aprovada a concessão
unilateral, pelo MERCOSUL, de desgravação tarifária total para cerca de 120
itens de interesse exportador boliviano, os quais ainda não gozavam de margem
de preferência de 100% no âmbito do Acordo. Essa concessão respondeu à
solicitação apresentada pela Bolívia à margem da Cúpula Ibero-Americana de
Santa Cruz de la Sierra, em Novembro de 2003. Durante a VII Reunião Ordinária da Comissão
Administradora do ACE-36 (Montevidéu, 14 e 15/10/04), foi aprovado Acordo sobre Facilitação de Comércio mediante o
Estabelecimento de Áreas de Controle Integrado nas Fronteiras. Ademais, o
MERCOSUL apresentou proposta sobre aceleração linear dos cronogramas de
desgravação tarifária, levando em consideração as assimetrias referentes
à Bolívia. INTEGRAÇÃO
FÍSICA
Nos
dois primeiros anos do Governo Lula, dentro da prioridade atribuída à América
do Sul, conferiu-se grande ênfase à integração da infra-estrutura física do
Continente, como instrumento para facilitar e aumentar fluxos comerciais, bem
como impulsionar o desenvolvimento regional. Tem sido dada atenção prioritária à promoção, através do BNDES e do PROEX, da
participação brasileira em obras de infra-estrutura nos países vizinhos. Nesse contexto, em Agosto de 2003, o BNDES e a CAF
realizaram seminário no Rio de Janeiro no qual os países sul-americanos
apresentaram 23 projetos de infra-estrutura. O BNDES e a CAF consideraram
posteriormente que oito deles estariam em condições para estruturação de
esquema de financiamento. As principais obras
de infra-estrutura na América do Sul com financiamento brasileiro já concedido
ou em negociação são: Estrada Roboré – Puerto Suarez (Bolívia); Termelétricas e
Construção do Pólo Gás-Químico (Bolívia); Rodovia Interoceânica (Brasil –Peru);
Ponte Assis Brasil – Iñapari (Brasil Peru); Hidrelétrica San Francisco
(Equador); Rodovia Quito – Guayaquil (Equador), Novo Aeroporto Internacional de
Quito (Equador); Segunda e Terceira Pontes sobre o Rio Orinoco
(Brasil-Venezuela); Linha 4 do metrô de Caracas (Venezuela); Metrô Los Teques (Venezuela); Segunda Ponte
sobre o Rio Paraná (Paraguai), Expansão da Rodovia 10 (Paraguai); Duplicação da
Auto-Estrada do Mercosul (Brasil-Argentina); Terceira Ponte sobre o Rio Uruguai
(Brasil-Argentina); Segunda
Ponte sobre o Rio Jaguarão (Uruguai); Hidrovia do Rio Meta (Colômbia). O Governo brasileiro tem-se empenhado
também na maior efetividade da Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura
Regional Sul-americana (IIRSA). Nos últimos dois anos foram concentrados
esforços para a conclusão da primeira fase de planejamento territorial e
identificação de eixos estratégicos de integração viária e corredores
bioceânicos. O esforço culminou na aprovação, em novembro último, de uma
“Agenda de Implementação Consensuada 2005/2010”, constituída por uma primeiro
conjunto de 31 projetos de integração, que deverão receber tratamento
prioritário pelos países e pelas agências financiadoras. A
integração de infra-estrutura de transportes, energia e comunicações é um dos
objetivos centrais da Comunidade Sul-americana de Nações, que terá sua 1ª
Reunião de Chefes de Estado no Brasil, no segundo semestre de 2005. COMUNIDADE
SUL-AMERICANA DE NAÇÕES
A
Comunidade Sul-Americana de Nações – CASA, foi conformada durante a III
Reunião de Presidentes da América do Sul, realizada em Cusco, dia 8 de Dezembro
de 2004. A iniciativa consolidou-se nos seguidos encontros entre os Presidentes
sul-americanos. A Ata de Copacabana, firmada entre os Presidentes Lula e
Kirchner no dia 16 de Março de 2004, afirmou que “a partir do aprofundamento
das relações entre o MERCOSUL e a CAN, se buscará a construção de uma
Comunidade Sul-Americana de Nações”. O Conselho do Mercado Comum (CMC), por
meio da Decisão 21/04 adotada em Puerto Iguazú, decidiu fortalecer a vinculação
entre os dois Blocos, mediante a institucionalização do diálogo político, e
convidou o Chile a participar deste processo. A Comunidade Sul-americana de Nações
desenvolver-se-á através do impulso aos seguintes processos: a) concertação e
coordenação política; b) aprofundamento da convergência entre o MERCOSUL, a CAN
e o Chile e a associação da Guiana e Suriname a esse processo; c) integração da
infra-estrutura de transportes, energia e comunicações com base no
aprofundamento das experiências Regionais, subregionais e bilaterais
existentes; d) iniciativas de desenvolvimento rural; e) transferência de
tecnologia e cooperação nas áreas de ciência, educação e cultura; e f)
interação entre empresas e a sociedade civil. Quanto ao quadro institucional, a CASA se
estabelecerá progressivamente sobre a base da institucionalidade existente, sem
superposição de esforços e novos gastos financeiros. A primeira reunião de Chefes de Estado
deverá ser no Brasil, no segundo semestre de 2005. A segunda reunião deverá ser
na Bolívia, em 2006. Caberá aos Presidentes, nessas reuniões, definir as
grandes diretrizes estratégicas para a construção da Comunidade e para seu
relacionamento com outros países ou grupos de países. A Declaração de Cusco estabeleceu, ainda,
que os Chanceleres “elaborarão uma proposta concreta de cursos de ação que
considere, entre outros aspectos, as reuniões de Chefes de Estado, como
instância máxima de condução política, e de Chanceleres, como âmbito de decisão
executiva do processo. Os Ministros contarão com a cooperação do Presidente do
Comitê de Representantes Permanentes do MERCOSUL, do Diretor da Secretaria do
MERCOSUL, do Secretário-Geral da Comunidade Andina, do Secretário-Geral da
ALADI, da Secretaria Permanente da
Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, assim como de outros esquemas
de cooperação e integração Regional”. INSTALAÇÃO
DA OTCA EM BRASÍLIA
O Governo
Lula atribui especial importância às atividades da Organização do Tratado de
Cooperação Amazônica (OTCA), organismo internacional sediado em Brasília. O
Acordo Sede entre o Governo do Brasil e a Organização do Tratado de Cooperação
Amazônica foi assinado em 13 de Dezembro de 2002. Na mesma data, realizou-se a
primeira reunião da Comissão de Coordenação do Conselho de Cooperação
Amazônica, quando o Brasil colocou à disposição da Secretaria Permanente
(SP-OTCA) instalações provisórias para o efetivo funcionamento da Organização.
Os primeiros esforços da Secretaria da OTCA destinaram-se a construir um
enfoque político que permitisse à Organização definir suas ações e estabelecer
sinergias entre os diversos atores, privados e públicos, responsáveis pela
consecução do desenvolvimento sustentável da região amazônica. Dada a
magnitude do desafio que representa o desenvolvimento sustentável da região
amazônica, a SP-OTCA realizou uma ativa gestão junto a organismos
internacionais e agências de cooperação de países amigos, visando dar continuidade
à mobilização de recursos internacionais para o financiamento das ações
conjuntas definidas pelos Países Partes, comprometendo a cooperação técnica e
financeira dos mesmos para a execução de importantes projetos de interesse
regional. Outra tarefa
realizada nesse período foi a adequação funcional da SP-OTCA. Para tanto, foram
realizadas diferentes atividades para dotar a recém-nascida organização de uma
estrutura administrativa e operacional que, por um lado, garantisse os
princípios de transparência, eficácia e eficiência que os governos dos Países
Partes esperam da Secretaria Permanente e, por outro lado, respondesse à
crescente necessidade de gerenciar atividades e projetos regionais em seu
âmbito de atuação. Registre-se
a realização, nos dias 13 e 14 de Setembro de 2004, no Palácio Rio Negro, em
Manaus, da XII Reunião do Conselho de Coordenação Amazônica e da VIII Reunião
de chanceleres. Na ocasião, foram aprovados o relatório de gestão da
Secretária-Geral da OTCA, a equatoriana Rosalía Arteaga, que assumiu suas
funções em 05 de Maio de 2004, o Plano Estratégico da Organização para o
período 2004/2012, projetos de resolução e a Declaração de Manaus.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO
COMÉRCIO (OMC)
A atuação do Brasil na OMC, no biênio
2003/2004, refletiu a prioridade dada pelo Governo Lula ao êxito da Rodada
Doha. Nesse período, ilustram a ação do Brasil a participação ativa da
delegação na Conferência Ministerial de Cancún, em Setembro de 2003; a
iniciativa de criação do G-20; a influência do Brasil e do G-20 na aprovação do
entendimento em Genebra, em 2004, que permitiu desbloquear os trabalhos
(“Pacote de Julho”); e, mais recentemente, o lançamento da candidatura ao cargo
de Diretor-Geral da OMC. A criação do G-20 representou ponto
fundamental de inflexão nas negociações na OMC. Constituído em Agosto de 2003,
pouco antes da V Conferência Ministerial de Cancún, o Grupo contribuiu, de
maneira decisiva, para a revitalização da Rodada Doha e do multilateralismo.
Por sua capacidade de articulação política, assentada em sólidos argumentos
técnicos, propiciou um veículo eficaz para a defesa de negociações genuinamente
substantivas sobre agricultura na Rodada, de uma forma que melhor atenda aos
interesses agrícolas do Brasil e de muitos outros países em desenvolvimento.
Sua atuação, coordenada pelo Brasil, foi central para a adoção do “Pacote de
Julho” pelo Conselho da OMC em 2004, que dá novo ímpeto às negociações de
acordo com o nível de ambição, estabelecido para o tema no mandato. Impulsionados pela atuação do G-20, os
países em desenvolvimento alcançaram maior participação no processo negociador.
O Brasil, junto com a Índia, passou a integrar grupo de cinco países - o
chamado NG-5 (“Non-Group of Five”) ao lado de EUA, UE, Austrália - que
desempenhou função preponderante no estabelecimento das bases sobre as quais se
assentou a decisão final do “Pacote de Julho”. Assim, por meio do NG-5, países
em desenvolvimento foram integrados, pela primeira vez, no cerne do processo decisório
de uma rodada de negociações comerciais, antes restrito ao chamado “quad” (EUA,
UE, Canadá e Japão). O “Pacote de Julho” reúne acordos-quadro
(“frameworks”) nos principais temas da Rodada. Especificamente em agricultura,
o “Pacote” precisou entendimentos nas três vertentes de maior interesse para o
Brasil e para o G-20: apoio interno, competitividade das exportações e acesso a
mercados. Vinculou avanços em outras áreas (acesso a mercados de bens
industriais e serviços, por exemplo) a progressos proporcionais em matéria
agrícola. Graças a esses encaminhamentos, pode-se esperar, como vem defendendo
o Brasil, um impulso significativo nas definições das modalidades e respectivos
parâmetros quantitativos até a VI Conferência Ministerial , em Hong Kong no
final de 2005, para que se vislumbre um desfecho bem sucedido da rodada Doha,
em bases equilibradas e justas. Candidatura brasileira à
Direção-Geral da OMC
Em Outubro de 2004, o Governo brasileiro
anunciou o lançamento da candidatura do Embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa
ao cargo de Diretor-Geral da OMC. A escolha do novo DG deve ocorrer, em
princípio, em Maio de 2005. Também concorrem ao cargo candidatos da União
Européia, Uruguai e Maurício. A candidatura do Embaixador Seixas Corrêa
conta com o apoio de um número crescente de países em desenvolvimento, entre os
quais China e Índia. Reflete o compromisso do Brasil em contribuir para o
fortalecimento da OMC, cuja criação esteve associada à atribuição de maior
transparência, segurança, previsibilidade e estabilidade às regras do sistema,
alicerçada num mecanismo eficaz de solução de controvérsias. Responde
igualmente ao desafio não só de proporcionar aos países em desenvolvimento
maiores responsabilidades pelo funcionamento e aperfeiçoamento do sistema
multilateral de comércio. Contenciosos na OMC
No biênio 2003/2004, o Brasil
consolidou-se como ator do sistema de solução de controvérsias da Organização
Mundial do Comércio, figurando como o país em desenvolvimento que mais vezes
participou de procedimentos ao amparo do referido sistema. Nesse período, o
Brasil atuou como parte demandante em oito contenciosos e acompanhou, de forma
ativa, como terceira parte, dezesseis contenciosos nos quais são ou foram
tratadas questões de interesse sistêmico e comercial para o País. Não houve
demandas contra o Brasil no mesmo período. A participação expressiva do Brasil no
mecanismo de solução de controvérsias da OMC responde à necessidade de
contribuir para a consolidação e o avanço do esforço exportador do País, bem
como ao imperativo de participar ativamente da formação da “jurisprudência da
OMC, a qual constitui um dos elementos mais dinâmicos e relevantes do sistema
multilateral. Dos oito contenciosos em que o Brasil
atuou como parte demandante no biênio 2003/2004, três foram objeto de decisão
na etapa de painel (Argentina-Frango; CE-Açúcar; EUA-Algodão), três de decisão
do Órgão de Apelação (EUA-Emenda Byrd; CE-Tupy e EUA-Salvaguardas sobre aço),
um foi resolvido mediante solução mutuamente satisfatória (EUA-Suco de Laranja)
e um aguarda relatório do painel (CE-Frango Salgado). Nos seis contenciosos que
já foram objeto de decisão no âmbito da OMC, o Brasil obteve ganho de causa
total ou parcial em todos eles. No contencioso com os EUA sobre suco de laranja,
a solução alcançada – que exigiu alteração da legislação do Estado da Flórida,
prejudicial à citricultura brasileira – foi amplamente favorável aos interesses
do País. No biênio 2003/2004, destacam-se ainda os
resultados positivos obtidos nos contenciosos do algodão com os Estados Unidos,
e do açúcar com as Comunidades Européias. Em ambos os casos, que se encontram
atualmente em etapa de apelação, o Brasil buscou essencialmente o cumprimento,
por parte dos parceiros comerciais, dos compromissos por eles assumidos na
Rodada Uruguai. Os esforços realizados pelo Brasil nos dois contenciosos
constituem passo importante na eliminação das graves distorções que
caracterizam o mercado internacional de produtos agrícolas. No que diz respeito especificamente aos
temas de interesse do agronegócio, cabe ressaltar a ação inédita do Brasil no
contencioso do algodão, quando o país levou ao sistema de solução de
controvérsias questões fundamentais nunca antes submetidas por qualquer Membro
da OMC. Até o contencioso do algodão, proposto pelo Brasil, nunca haviam sido
questionados, por exemplo, (i) subsídios agrícolas domésticos outorgados à
produção de qualquer bem agrícola ou (ii) subsídios agrícolas sob a forma de
garantias de crédito à exportação. Igualmente relevante, o contencioso do
açúcar submeteu a política européia para o setor açucareiro ao exame de
consistência com as regras multilaterais de comércio, o que permitiu ao painel,
ao fazê-lo, reconhecer as graves distorções por ela provocadas. MERCOSUL-UNIÃO EUROPÉIA
As negociações do MERCOSUL com a União
Européia datam de 1995, quando foi firmado o "Acordo-Quadro
Inter-regional de Cooperação", instrumento de transição para uma futura
"Associação Inter-Regional" entre os dois blocos. A Associação Inter-Regional, mais do que
apenas um acordo de livre comércio, inclui também importantes elementos de
diálogo político e de cooperação. Na área comercial, as negociações abordam os
temas de bens, agricultura, pesca, medidas sanitárias e fitossanitárias,
vinhos, normas e regulamentos técnicos, defesa comercial, regras de origem,
procedimentos aduaneiros, serviços, investimentos, propriedade intelectual,
compras governamentais, defesa da concorrência, solução de controvérsias e
facilitação de negócios. Com a realização da II Reunião de
Negociadores Econômico-Comerciais em Nível Ministerial (Bruxelas, 12/11/03),
abriu-se a perspectiva de efetiva conclusão do processo negociador. Naquela
oportunidade, foi adotado o Programa de Trabalho de Bruxelas, que estabeleceu
as diretrizes para a etapa final do processo negociador do Acordo de Associação
Inter-regional, estabelecendo pela primeira vez previsão de conclusão das
negociações – em Outubro de 2004. Elemento essencial para aquele resultado foi
a sinalização da União Européia de que estaria disposta a contemplar uma oferta
de acesso a mercados para os produtos agrícolas de interesse exportador
prioritário dos países do MERCOSUL, como carnes, lácteos e açúcar. O Programa de Trabalho de Bruxelas foi
cumprido integralmente, com a realização da XV Sessão do Comitê Negociador
Birregional (CNB), em Julho de 2004, a apresentação de ofertas melhoradas de
acesso a mercados em todas as áreas em Maio de 2004. Paralelamente,
realizaram-se encontros em nível ministerial para dar ímpeto adicional às
negociações – Guadalajara, México, em 27 de Maio de 2004 e São Paulo, em 14 de
Junho de 2004. Foram ainda apresentadas ofertas de acesso a mercados em
Setembro de 2004. Importantes progressos foram alcançados
nas negociações, com a conclusão dos entendimentos em alguns capítulos do
futuro Acordo de Associação, como os de procedimentos aduaneiros, barreiras
técnicas, defesa da concorrência e cooperação. Outros capítulos estão muito
próximos de conclusão, como os de salvaguardas, solução de controvérsias e
diálogo político. No que diz respeito ao acesso a mercados,
as ofertas foram paulatinamente ampliadas no processo negociador, atingindo já
estágio de plena compatibilidade com os critérios da Organização Mundial do
Comércio, com cobertura de substancialmente todo o comércio. Ambas as partes,
contudo, avaliaram que as ofertas apresentadas pela outra parte ficavam aquém
de seus objetivos. Neste quadro, os Ministros de ambas as
regiões reuniram-se em Lisboa, em 20 de Outubro de 2004, ocasião em que
avaliaram ser conveniente dar prosseguimento ao processo negociador, com vistas
a alcançar resultados equilibrados e compatíveis com as ambições das duas
partes. Para tanto, determinaram a preparação de novo encontro Ministerial no
primeiro trimestre de 2005, já com os representantes da nova Comissão Européia,
que tomou posse em Novembro de 2004. Da ótica brasileira, não foi possível a
conclusão das negociações no prazo previsto devido à constatação de que os
resultados até então alcançados apresentavam significativo desequilíbrio contra
os interesses comerciais do País. Estudo encomendado ao IPEA indicou claramente
que os benefícios comerciais seriam mais pronunciados em favor dos exportadores
europeus. Contribuiu para esta situação a atitude restritiva da União Européia
no tocante aos principais produtos de interesse exportador dos membros do
MERCOSUL no setor agrícola, nos quais há notória competitividade. De qualquer
forma, é de se prever que as negociações sejam retomadas no decorrer de 2005. MERCOSUL-ÍNDIA
MERCOSUL e Índia decidiram, em Junho de
2003, estabelecer uma área de livre comércio por meio de negociações graduais.
Acordou-se que seria concluído, inicialmente, um Acordo de Preferências
Tarifárias Fixas, capaz de dinamizar os fluxos de comércio bilateral e apoiar a
negociação do Acordo de Livre Comércio propriamente dito. O texto base do Acordo de Comércio
Preferencial foi assinado em 25 de Janeiro de 2004, por ocasião da visita do
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia. Ao longo de 2004, manteve-se
intenso ritmo negociador, que permitiu a conclusão dos cinco anexos ao Acordo –
listas de produtos e preferências de parte a parte, regras de origem,
salvaguardas e solução de controvérsias – na XXVII reunião do Conselho do
Mercado Comum, realizada em Belo Horizonte em 16 de Dezembro de 2004. O acordo alcançado com a Índia constitui
passo inicial rumo à constituição de uma área de livre comércio. As concessões
negociadas nesta primeira etapa compreendem margens preferenciais de 10%, 20% e
100% sobre 450 itens de cada lado. As concessões oferecidas pela Índia incluem
produtos dos setores agrícola, químico, peles e couros, papel, têxteis,
calçados, alumínio, máquinas e aparelhos mecânicos e elétricos, móveis e
instrumentos óticos e médicos. Do lado do MERCOSUL, as concessões incluem
produtos nos setores agrícola, químico, máquinas e aparelhos mecânicos e
elétricos, farmacêuticos, óleos essenciais, produtos de fotografia e cine,
plásticos, borracha, papel, cerâmica e vidro e alumínio. Uma primeira análise
revela que cerca de 28,7% do comércio bilateral entre o Brasil e a Índia, que
atingiu em 2003 cerca de US$ 1,5 bilhão, será beneficiado por tratamento
preferencial. Importa salientar a prioridade atribuída
pelos dois lados à continuidade do processo negociador, o que permitirá sua
ampliação pelo aprofundamento das preferências já concedidas e pela inclusão de
novos produtos no tratamento preferencial. MERCOSUL-SACU O MERCOSUL iniciou a negociação de um
acordo comercial com a África do Sul em Dezembro de 2000. As negociações foram
ampliadas, em Junho de 2003, para incluir os demais países da União Aduaneira
da África Austral (SACU – “Southern African Customs Union”). Além da África do
Sul, a SACU compreende Botswana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia. O objetivo
final é o estabelecimento de uma área de livre comércio entre o MERCOSUL e a
SACU. Como passo intermediário, decidiu-se negociar um acordo de preferências
tarifárias fixas. Em 2004, o intenso processo negociador,
sobretudo durante a Presidência Pro Tempore Brasileira no segundo semestre,
permitiu a conclusão do Acordo de Comércio Preferencial e seus cinco anexos
(listas de produtos e preferências de parte a parte, regras de origem,
salvaguardas e solução de controvérsias) – por ocasião da XXVII reunião do
Conselho do Mercado Comum, realizada em Belo Horizonte em 16 de Dezembro de
2004. Compareceram à cerimônia de assinatura do Acordo Ministros da África do
Sul, Lesoto, Namíbia e Suazilândia. As concessões negociadas nesta primeira
etapa aplicam-se sobre cerca de 950 produtos de cada lado, com preferências de
10%, 25%, 50% e 100%. Do lado da SACU, as concessões oferecidas incluem
produtos do setor agrícola, químico, plásticos, borrachas, têxteis, peles e
couros, alumínio, ferro, máquinas e aparelhos mecânicos e elétricos,
instrumentos e aparelhos óticos e médicos, móveis e brinquedos. As concessões
oferecidas pelo MERCOSUL incluem produtos do setor agrícola, pescado, químico,
peles e couros, papel e máquinas e aparelhos mecânicos e elétricos. O comércio
bilateral entre o Brasil e a África do Sul atingiu cerca de US$ 1 bilhão em
2003. Os dois Blocos já sinalizaram a prioridade
que atribuem à continuidade do processo negociador, o que permitirá a sua
ampliação. Nesse sentido, acordaram, já em Belo Horizonte, programa de trabalho
que inclui negociações nas áreas de assuntos sanitários e fitossanitários,
setor automotivo, regras de origem e cooperação aduaneira. MERCOSUL-OUTROS PAÍSES/BLOCOS
O MERCOSUL vem mantendo contatos e
negociações preliminares com diversos outros parceiros. Dentre estes, citem-se
Egito, Marrocos e membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (Angola,
Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste), para
os quais já houve decisão formal de início de negociações comerciais. O Acordo
Quadro, instrumento de lançamento das negociações, foi assinado com o Egito por
ocasião da XXVI reunião do Conselho do Mercado Comum, em Puerto Iguazu, em
Julho de 2004. Com o Marrocos, o instrumento foi assinado durante a visita do
Rei Mohammed VI ao Brasil em Novembro de 2004. Já com os países da CPLP, o
MERCOSUL aprovou a iniciativa brasileira e aguarda-se reação da CPLP ao projeto
de acordo quadro submetido pela Presidência Pro Tempore Brasileira no segundo
semestre de 2004. Os seguintes países e Blocos já
solicitaram formalmente ao MERCOSUL o início de negociações visando a um acordo
preferencial de comércio, estando os pedidos em exame pelos quatro sócios do
Bloco: Conselho de Cooperação do Golfo; Israel; Sri Lanka; Coréia do Sul;
Cingapura e Paquistão. O MERCOSUL mantém, ainda, mecanismo de diálogo comercial
com os seguintes Blocos e países, estágio que antecede a decisão de negociação
comercial: Japão; China; Coréia do Sul; Acordo de Livre Comércio Europeu (EFTA,
composto de Islândia, Liechenstein, Noruega e Suíça) e CER (Austrália e Nova
Zelândia). BRASIL-CUBA O comércio entre Brasil e Cuba tem sido
instrumentalizado pelo Acordo de Complementação Econômica Nº 43 (ACE-43), que
prevê a concessão de margens de preferência tarifária pelos dois lados em
relação a itens de mútuo interesse. O Acordo, firmado em 1999, é revisto
periodicamente pelas Partes, nas reuniões da Comissão Administradora. Na III
Reunião Ordinária da Comissão Administradora do ACE-43, realizada em Havana,
entre os dias 23 e 25/08/04, foi ampliado e aprofundado o acordo, bem como
aprovadas propostas cubanas de protocolos sobre: a) regime de solução de
controvérsias; b) normas e regulamentos técnicos; e c) medidas sanitárias e
fitossanitárias. Cumpre notar que, paralelamente a seu
interesse pelo aprofundamento do ACE-43, o Governo cubano manifestou o
propósito de iniciar negociações com o MERCOSUL sobre acordo de livre comércio.
É do interesse do Brasil impulsionar a idéia de celebrar um acordo
MERCOSUL-Cuba. área de livre comércio das
américas (alca)
No início de 2003, as negociações da ALCA
apresentavam grandes desequilíbrios, tanto no plano das diferenças estruturais
entre os 34 países da Região quanto em aspectos específicos relacionados ao
processo negociador em si. Os países mais ricos defendiam o estabelecimento de
normativas que iriam além das regras da OMC em áreas como serviços,
investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual. Ao mesmo
tempo, recusavam-se a aceitar regulamentação em áreas como antidumping e
agricultura e buscavam consolidar barreiras para produtos agrícolas e para
alguns manufaturados como calçados, têxteis e aço. Essas divergências
refletiam-se na existência de cerca de sete mil colchetes na minuta de acordo
da ALCA. Além disso, os EUA passaram a
bilateralizar as negociações. Passaram a negociar acordos de livre comércio com
vários países e grupos de países do Hemisfério (Chile, América Central,
República Dominicana, Panamá, Colômbia, Peru e Equador). Apresentaram ofertas
diferenciadas de acesso a mercado, tendo o MERCOSUL recebido oferta
insatisfatória. Com o objetivo de buscar superar os
impasses no processo negociador, o MERCOSUL, por iniciativa brasileira,
apresentou proposta de reestruturação da agenda negociadora. Pela proposta, os
temas da agenda da ALCA seriam repartidos em três “trilhos” negociadores: o
primeiro trilho abarcava negociações bilaterais sobre acesso a mercados; o
segundo se referia aos temas a serem incluídos no acordo da ALCA, como
tratamento diferenciado, solução de controvérsias, subsídios à exportação,
participação da sociedade civil; o terceiro trilho englobava temas que deveriam
permanecer em discussão na OMC, tais como regras sobre serviços, subsídios
domésticos, antidumping, propriedade intelectual. Na reunião ministerial de Miami (Novembro
de 2003), foi possível reequilibrar as negociações e incorporar o conceito de
flexibilidade. A Declaração de Miami, em seu parágrafo 7, reconhece que
"os países poderão assumir diferentes níveis de compromissos" e
estabelece que deverá ser criado "um conjunto comum e equilibrado de
direitos e obrigações aplicáveis a todos os países". Ao mesmo tempo,
permite que "os países, que assim o decidam, possam, no âmbito da ALCA,
acordar benefícios e obrigações adicionais". A resistência brasileira em negociar
regras hemisféricas nas áreas de serviços, propriedade intelectual,
investimentos e compras governamentais resulta da necessidade de preservar sua
capacidade de implementar políticas de desenvolvimento industrial, econômico e
social. As políticas relativas a medicamentos genéricos e saúde pública
poderiam, por exemplo, ser comprometidas, caso o País aceitasse compromissos
profundos em propriedade intelectual. Não faria sentido o MERCOSUL defender a
eliminação dos subsídios agrícolas distorcivos na OMC e aceitar que o acordo da
ALCA não preveja disposições sobre o assunto. O MERCOSUL tampouco pode aceitar
a aplicação do mecanismo de solução de controvérsias a propriedade intelectual
e o recurso a retaliações cruzadas pelo alegado descumprimento de normativas
sobre aplicação da legislação (“enforcement”). Em cumprimento ao mandato da Reunião
Ministerial de Miami, tentou-se, no primeiro semestre de 2004, definir um
conjunto de direitos e obrigações aplicáveis aos 34 países do hemisfério. Houve
avanços em várias áreas, como serviços, solução de controvérsias e tratamento
diferenciado para países em desenvolvimento, mas não foi possível consenso
sobre todo o texto. As negociações têm sido dificultadas pela
posição dos EUA, sobretudo em dois temas: a) propriedade intelectual, em que os
norte-americanos insistem na inclusão de obrigações adicionais àquelas já
previstas no Acordo da OMC sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade
Intelectual Relacionados com o Comércio (Acordo TRIPS) e tencionam fazer uso de
retaliações cruzadas para garantir a observância de legislação nacional sobre
propriedade intelectual; e b) recusa dos EUA em conceder efetivo acesso a
mercados para nossos produtos agrícolas, por meio da eliminação das barreiras
tarifárias e não-tarifárias incidentes sobre as exportações agrícolas do
MERCOSUL, bem como pela eliminação dos subsídios à exportação e da compensação
dos efeitos distorcivos das medidas de apoio interno. O MERCOSUL propôs aos EUA que,
paralelamente às negociações dos textos da ALCA, fossem iniciadas negociações
de acesso a mercados, como ocorria nas negociações com a União Européia. O
MERCOSUL deparou-se, porém, com a relutância norte-americana em avançar nesse
processo. Em função, igualmente, do calendário eleitoral nos EUA, as
negociações foram suspensas. Em 2003 e 2004, houve um crescente
envolvimento da sociedade civil nas negociações da ALCA e seus representantes
passaram, inclusive, a fazer parte da delegação oficial brasileira (Reunião
Ministerial de Miami – Novembro 2003; Comitê de Negociações Comerciais da ALCA
- Puebla, Fevereiro de 2004). A iniciativa do Brasil de incluir parlamentares,
empresários, sindicalistas e outros representantes da sociedade civil na
delegação gerou protestos de alguns países, que argumentavam que apenas
representantes dos Governos deveriam integrar as delegações. O Brasil ponderou
que não cabia a outros países definirem quem poderia ou não fazer parte da
delegação brasileira e esta posição foi aceita. O Brasil tem buscado, também,
aumentar o nível de transparência nas negociações da ALCA. Ao divulgar, pela
INTERNET, a oferta do MERCOSUL, o Brasil provocou protestos por parte de alguns
países, que alegavam a necessidade de manter as negociações sob sigilo. Para o Brasil, a prioridade nessa
negociação é a obtenção de benefícios concretos e não apenas o cumprimento de
prazos formais. O Brasil tem feito grandes esforços, conjuntamente com os
sócios do MERCOSUL, para avançar de forma equilibrada nas negociações da ALCA. Os
EUA, na qualidade de Co-Presidente das negociações da ALCA, juntamente com o
Brasil, indicaram interesse em retomar as negociações da ALCA em 2005.
VISITAS de presidentes estrangeiros
e VIAGENS DO PRESIDENTE luiz inácio lula da silva (FORA DA AMÉRICA DO SUL)
EUA
A convite do Governo
norte-americano, o Presidente Lula realizou visita oficial aos EUA em 20 de
Junho de 2003. A ênfase da visita foi a criação de nova arquitetura para as
relações bilaterais e a ampliação da cooperação em áreas de interesse comum.
Acordou-se um plano para a institucionalização das relações e a definição de
áreas prioritárias de cooperação nos campos da energia, ciência e tecnologia,
agricultura e comércio. Foram assinados, dentre outros instrumentos: Memorando
de Entendimento entre o MME e o Departamento de Energia dos EUA para o Estabelecimento de Mecanismo de
Consultas sobre Cooperação na Área de Energia; Memorando de Entendimento entre o MAPA e o Departamento de
Agricultura dos EUA e Acordo entre o MCT e o Departamento de Energia dos EUA
relativo à Cooperação em Energia Nuclear. Desde
então, realizaram-se reuniões do Grupo de Trabalho para o Crescimento; da
Agenda Comum para o Meio Ambiente, do Comitê Consultivo Agrícola; do Mecanismo
de Cooperação na Área de Energia; de Cooperação em Energia Nuclear; e de
Consultas Bilaterais nas Áreas de Comércio e Investimento. Vieram
ao Brasil, no biênio 2003/2004, o
Subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Marc Grossman; o Chefe
do Estado-Maior das Forças Armadas, General Richard Myers; o Secretário de
Energia, Spencer Abraham; o Subsecretário
de Comércio Internacional, Grant Aldonas; o Subsecretário de Estado para
Assuntos Econômicos, Alan Larson e o Subsecretário-Adjunto de Agricultura, Jim
Butler. Do lado brasileiro, visitaram Washington os Ministros José Viegas;
Gilberto Gil; Dilma Rousseff; Celso Amorim; Guido Mantega e Jacques Wagner;
José Fritsch; Luiz Fernando Furlan e Antônio Palocci, além do
Secretário-Executivo da Agricultura, José Dimarzio, e do Ministro Roberto
Rodrigues. O
Secretário de Estado Colin Powell visitou o Brasil em 4 e 5 de Outubro de 2004.
Em São Paulo, Powell manteve encontro com representantes do setor privado. Nos
encontros com o Presidente Lula e com o Chanceler Celso Amorim, evidenciaram-se
o bom estado das relações, a fluidez do diálogo e as reais perspectivas de
cooperação. Além do exame de temas bilaterais, com ênfase na implementação dos
compromissos assumidos na Cúpula presidencial, foram discutidos itens da agenda
global de interesse mútuo, tais como a situação no Haiti, a reforma do CSNU, a
questão nuclear, a sucessão na OEA e na OMC, o quadro político no Iraque e no
Oriente Médio. Canadá
O Primeiro Ministro Paul Martin visitou o
Brasil em 23 e 24 de Novembro de 2004. Na reunião com o Presidente Lula,
mencionou-se a necessidade de superar o longo período dominado por contencioso
comercial bilateral. Nos últimos anos, episódios tais como o litígio entre as
empresas Embraer e Bombardier, o embargo da carne brasileira sob a alegação
infundada de contaminação e a prisão de cidadãos canadenses envolvidos em
seqüestro de empresário brasileiro, dificultaram o desenvolvimento das
relações. Dentre as iniciativas canadenses voltadas
para a recomposição das relações bilaterais, merecem registro a visita que o
então Chanceler Bill Graham realizou ao Brasil, logo nos primeiros dias do
Governo Lula, e duas visitas do Presidente da Câmara dos Comuns em 2003. O
Professor Marco Aurélio Garcia, por outro lado, esteve duas vezes no Canadá, a
última das quais em Maio de 2004. A visita do Primeiro Ministro Martin
representou etapa decisiva na retomada do relacionamento bilateral, indicando
novas possibilidades de cooperação, sobretudo de formato triangular, no Haiti e
na África. Além do exame de itens da agenda internacional onde há perspectivas
favoráveis de ação conjunta, em temas como o combate à fome e à pobreza, a
criação do L-20, o foro de líderes das vinte maiores economias, a Rodada Doha e
a reforma do CSNU, houve entendimento para a exploração de caminhos na
negociação de acordo comercial entre o MERCOSUL e o Canadá. MÉXICO
O
relacionamento com o México, apesar das diferenças pontuais, particularmente no
que se refere à ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem-se
caracterizado por notáveis convergências no tratamento de outros temas da
agenda internacional. A intensificação do intercâmbio bilateral em todos os
campos faz do México um de nossos principais parceiros comerciais e o país
responsável por nosso terceiro maior superávit. Diálogo político no mais alto
nível vem-se desenvolvendo em freqüentes visitas e encontros à margem de
reuniões multilaterais. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
visitou o México em Setembro de 2003, ocasião em que ambos os Governos
assinalaram seu interesse em negociar o Acordo de Livre Comércio entre o México
e o MERCOSUL. Na oportunidade, assinou-se um Acordo para Evitar a Bitributação.
O Presidente Lula voltou ao México em Janeiro de 2004 para participar da Cúpula
Extraordinária das Américas, em Monterrey, tendo-se encontrado com o Presidente
Fox. O Brasil recebeu, em Abril de 2004, a visita do Chanceler Luiz Ernesto
Derbez, durante a qual se decidiu a criação de Comissão Binacional, a ser
co-presidida pelos Chanceleres dos dois países. Em Maio de 2004, o Presidente
Lula esteve novamente no México para a Cúpula América Latina e Caribe – União
Européia, em Guadalajara, onde voltou a se encontrar com o Presidente mexicano. O Presidente Fox visitou o Brasil em Julho
de 2004, ocasião em que reiterou a disposição mexicana de associar-se ao
MERCOSUL. O Brasil manifestou apoio ao processo associativo, cujos elementos
centrais deverão ser a negociação de Acordo de Livre Comércio e a posterior
incorporação do México ao Foro de Consulta e Concertação Política. Os
Presidentes participaram, posteriormente, da Cúpula do MERCOSUL, em Puerto
Iguazu. O Presidente Fox retornou ao Brasil, em Novembro de 2004, para a Cúpula
do Grupo do Rio, no Rio de Janeiro. No encontro com o Presidente Lula, tratou
da situação no Haiti e reiterou interesse em acelerar o início das negociações
com vistas à associação do México ao MERCOSUL. CUBA
Carlos Lage Dávila, Vice-Presidente do
Conselho de Estado e Secretário do Comitê Executivo do Conselho de Ministros de
Cuba, e Felipe Pérez Roque, Ministro das Relações Exteriores, visitaram o
Brasil, em Julho de 2003, com o objetivo de identificar oportunidades de
negócio de curto e médio prazo e intensificar o intercâmbio bilateral. Foram
identificados os setores petroleiro, farmacêutico, de mineração, alimentos,
turismo, açúcar e álcool. Em 26 e 27 de Setembro de 2003, o
Presidente Lula visitou Cuba, acompanhado de importante delegação oficial,
incluindo sete Ministros de Estado, além de expressiva comitiva empresarial. Na
ocasião, foram assinados doze acordos e seis instrumentos de cooperação
empresarial. O Mecanismo de Consultas Políticas
bilaterais com Cuba realizou, em Fevereiro de 2003, em Havana, sua terceira
reunião. A IV Reunião do Mecanismo ocorreu em Brasília, em Março de 2004. REPÚBLICA DOMINICANA
O Presidente de República Dominicana,
Rafael Hipólito Mejía, visitou o Brasil em Novembro de 2003, acompanhado do
Secretário de Estado das Relações Exteriores e de numerosa comitiva. Foram
assinados acordos sobre Cooperação entre as Academias Diplomáticas, sobre
Isenção de Vistos em Passaportes Diplomáticos e Oficiais, sobre Cooperação
Esportiva e sobre o Programa de Cooperação Técnica, além de Tratado de Extradição. O Brasil enviou observadores a São
Domingos, por ocasião das eleições presidenciais de Maio de 2004. Em junho, o
Presidente eleito, Leonel Fernández, veio ao Brasil para participar da XI
UNCTAD, em São Paulo, onde manteve encontro com o Presidente Lula e convidou-o
para a cerimônia de sua posse. O Presidente Lula compareceu à posse do
Presidente Leonel Fernández, em 16 de Agosto, e participou de reunião de
Cúpula, no dia 17, com os Chefes de Estado e de Governo ali presentes, ocasião
em que foram discutidos temas como o combate à fome e à pobreza, a promoção do
desenvolvimento sustentável, o aperfeiçoamento dos mecanismos de integração e
coordenação interregional, o fortalecimento do multilateralismo e comércio e
investimentos. ESPANHA
O Presidente Lula
visitou a Espanha de 14 a 16 de Julho de 2003. Durante a visita, o Brasil
aceitou a proposta espanhola de estabelecimento de uma “aliança estratégica”
que resultaria na celebração, em Novembro de 2004, em Santa Cruz de la Sierra,
do Acordo de Parceria Estratégica Brasil-Espanha. Posteriormente, o Presidente Lula visitou
a Espanha em 24 de Outubro de 2003. Na ocasião, recebeu o Prêmio Príncipe de
Astúrias, cujo valor em dólares o Presidente doou ao fundo de financiamento de
combate à fome e à pobreza. A Rainha Sofia da Espanha visitou o Brasil
de 5 a 8 de Outubro de 2003. A Rainha participou do Foro Internacional de
Microcréditos organizado pelo Governo brasileiro. O então Presidente
de Governo da Espanha, José Maria Aznar, visitou o Brasil de 28 a 30 de Outubro
de 2003. A visita serviu para dar forma à proposta espanhola - formulada
inicialmente durante a visita do Presidente Lula a Madri em Julho de 2003 – de
um “Acordo de Parceria Estratégica” bilateral. O Ministro de Assuntos Exteriores e
Cooperação da Espanha, Miguel Ángel Moratinos visitou o Brasil em 22 de Julho
de 2004. Durante a visita foi acordada a adoção de um Programa de Trabalho,
cujo objetivo seria implementar os mecanismos previstos no Plano de Parceria
Estratégica. A finalidade do Programa de Trabalho é atualizar o diálogo
bilateral e redimensionar prioridades, inclusive em matéria de cooperação na
área social. PORTUGAL
O Presidente Lula
visitou Portugal de 10 a 12 de Julho de 2003. Durante a visita, foram assinados
três acordos bilaterais na área jurídico-consular: sobre cooperação na
prevenção e na repressão ao tráfico ilícito de migrantes; sobre facilitação da
circulação de cidadãos; e sobre a contratação recíproca de cidadãos (este
último inclui a possibilidade de regularizar a permanência de brasileiros em
Portugal). O então
Primeiro-Ministro de Portugal, Durão Barroso visitou o Brasil em 08 de Março de
2004, quando se realizou a VII Cimeira Brasil-Portugal. Na ocasião, os Chefes
de Governo divulgaram Declaração Conjunta sobre o evento e as relações
bilaterais em geral. O Primeiro-Ministro
de Portugal, Santana Lopes, visitou o Brasil de 6 a 9 Setembro de 2004. A visita revestiu-se de especial
significado pela presença do Chefe de Governo português nas comemorações do 7
de Setembro. Foi a primeira viagem oficial do Primeiro-Ministro Santana Lopes
ao exterior desde sua posse, em 17 de Julho de 2004. REINO UNIDO
O
Presidente Lula visitou Londres nos dias 13 e 14 de Julho de 2003 para
participar da Cúpula da Governança Progressista. Na ocasião, o
Primeiro-Ministro Tony Blair declarou apoio à candidatura do Brasil a uma vaga
permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A participação do
Presidente Lula na referida Cúpula permitiu a incorporação na agenda do evento
de temas importantes para o Brasil como a criação de um Fundo Internacional de
Combate à Fome e a integração sul-americana. ALEMANHA
O Presidente Lula
visitou a Alemanha em 27 de Janeiro de 2003. A visita serviu para confirmar o
caráter dinâmico das relações bilaterais, sobretudo no plano econômico.
Defendeu-se maior aproximação econômico-comercial entre os dois países e entre
o MERCOSUL e a União Européia. Reiterou-se o apoio mútuo às candidaturas do
Brasil e da Alemanha a membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O então Presidente da República Federal da
Alemanha, Johannes Rau, visitou o Brasil nos dias 27 e 28 de Novembro de 2003.
A visita coincidiu com as comemorações dos
40 anos da assinatura do “Convênio Básico sobre Cooperação Técnica
Brasil-Alemanha”, marcados por atividades nas áreas de educação, fomento à
pequena e média empresa, meio ambiente, entre outras. FRANÇA
O Presidente Lula
visitou a França em 28 de Janeiro de 2003. Durante a visita, reiterou-se o
interesse do Governo brasileiro em fortalecer as relações bilaterais e abrir
caminho para o aumento da cooperação e o estreitamento do diálogo político e do
relacionamento econômico-comercial. NORUEGA
O Primeiro-Ministro
da Noruega, Kjell Bondevik, visitou o Brasil nos dias 3 e 4 de Julho de 2003,
tendo participado de seminário em Belo Horizonte sobre Ética e Desenvolvimento.
A visita reforçou os canais para uma maior aproximação política e contatos mais
profícuos nos campos econômico-comercial. O Rei Harald V e a
Rainha Sonja da Noruega realizaram visita oficial ao Brasil de 6 a 11 de
Outubro de 2003. A visita serviu para consolidar a importância atribuída pela
Noruega ao Brasil e resultou em maior aproximação nas áreas de turismo,
indústria pesqueira, petróleo e gás. PAÍSES BAIXOS
A Rainha Beatrix,
acompanhada do Príncipe de Orange, realizaram visita oficial ao Brasil de 24 a
29 de Março de 2003. Foi a primeira visita ao Brasil da família real holandesa.
FINLÂNDIA
A Presidente da
Finlândia, Tarja Halonen, visitou o Brasil em 31 de Outubro de 2003 acompanhada
de expressiva delegação empresarial. A visita serviu para reforçar as relações
econômicas e comerciais, sobretudo na área de investimentos. SUÉCIA
A Rainha Silvia da
Suécia realizou visita de cortesia ao Presidente de República no dia 24 de
Novembro de 2003. IRLANDA
A Presidente da Irlanda, Mary McAleese,
visitou o Brasil de 23 a 30 de Março de 2004. A visita serviu para reforçar o
relacionamento bilateral, marcado por ampla coincidência de posições nos foros
internacionais e crescente interesse mútuo no campo econômico. UCRÂNIA
O Presidente da Ucrânia, Leonid Kutchma,
visitou o Brasil em 20 e 21 de Outubro de 2003. Foram assinados o Tratado sobre
Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo Lançador de Satélite
Cyclone-4 no Centro de Lançamento de Alcântara, o Memorando de Entendimento
sobre Futuros Projetos Bilaterais na Área Espacial, o Protocolo de Intenções
sobre Cooperação no Campo da Defesa e o Tratado sobre Extradição. O Presidente da
República, a caminho da República Popular da China, realizou escala em Kiev,
Ucrânia, em 22 de Maio de 2004, O Presidente ucraniano, Leonid Kutchma, recebeu o Presidente da
República para café-da-manhã, quando conversaram sobre as relações comerciais,
política internacional e cooperação no âmbito de organismos internacionais. O
Presidente Lula visitou pontos de interesse da capital ucraniana em companhia
do Presidente Kutchma. FEDERAÇÃO RUSSA
O Presidente russo,
Vladimir Pútin, visitou o Brasil de 21 a 23 de Novembro de 2004. Foi a primeira
visita de um Chefe de Estado russo ao Brasil. O Presidente russo foi recebido pelo Presidente do
Senado Federal, manteve conversações (privada e em formato ampliado) com o
Presidente da República e foi homenageado com almoço no Palácio Itamaraty.
Cumpriu programação privada no Rio de Janeiro. Foram assinados os seguintes
instrumentos: 1. Declaração conjunta; 2. Acordo para evitar a bitributação e
prevenir evasão fiscal; 3. Memorando de
Entendimento entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) e o Banco para o Comércio Exterior da Rússia (Vneshtorgbank); 4. Acordo
de Cooperação entre o BNDES e o Banco para Negócios Econômicos Estrangeiros
(Vneshekonombank) e o Eximbank da Rússia; 5. Programa Executivo ao
Acordo Cultural para o período 2005/2007; 6. Programa Bilateral de Cooperação
em Ciência e Tecnologia (2004/2006); 7. Acordo de Cooperação entre o Ministério
dos Esportes e a Agência Federal de Esportes e Cultura Física; 8. Memorando de
Entendimento sobre Cooperação na Área Espacial; 9. Memorando de Entendimento na
Área de Telecomunicações; e 10. Acordo de Cooperação entre a Petrobrás e a
Zarubezhneft. Foi divulgada Declaração Conjunta sobre Cooperação na Área
Espacial. CHINA
O Presidente Lula visitou
a China de 22 a 27 de Maio de 2004. Acompanharam a comitiva presidencial 460
empresários. A China anunciou o reconhecimento do Brasil como destino aprovado
para o turismo chinês. Foram firmados dez acordos nas seguintes áreas: política
(constituição da Comissão de Alto Nível Sino-Brasileira); infra-estrutura e
investimentos (recuperação da malha ferroviária e portuária brasileira);
científico-tecnológica (aplicações do Programa Satélite Sino-brasileiro de
Recursos Terrestres/CBERS de sensoriamento remoto); facilitação de inspeção
sanitária de produtos agrícolas para exportações agro-industriais brasileiras,
judicial (combate ao crime); facilitação de concessão de vistos de negócios e
isenção de vistos diplomáticos e oficiais; cooperação esportiva; e vigilância
de medicamentos. Foram celebrados catorze contratos empresariais em setores
como siderurgia, produção de carvão, exploração mineral, prospecção de
petróleo, produção de energia, fabricação de motocicletas, exploração de linha
aérea e café. Em Xangai, no dia 26, o Presidente Lula participou da Conferência
do Banco Mundial sobre Combate à Pobreza. De 11 a 16 de
Novembro de 2004, ocorreu a primeira visita do Presidente da China, Hu Jintao,
ao Brasil em seu périplo pela América Latina. O Brasil anunciou o
reconhecimento da China como “economia de mercado”. Foram assinados onze acordos governamentais nas
seguintes áreas: promoção do comércio e investimento; etanol; construção do satélite CBERS-2B e comercialização de
imagens do Programa CBERS para terceiros países; facilitação de viagens de grupos de turistas; extradição e combate
ao crime organizado; além de quatro
protocolos sobre condições sanitárias para comércio de carne bovina, de aves e
suína. Celebraram-se sete contratos comerciais nas áreas petrolífera, de
mineração, produção de energia, siderurgia, fabricação de vagões e produção de
série de televisão. ÍNDIA
O Presidente Lula
visitou a Índia de 24 a 28 de Janeiro 2004, como convidado de honra do Governo
indiano às celebrações do 55o Dia da República. Os dois países
reiteraram o apoio mútuo ao pleito de assento permanente no Conselho de
Segurança da ONU. Foram assinados seis acordos nas seguintes áreas: comercial
(Mercosul – Índia); científico-tecnológica (dois instrumentos em cooperação espacial);
cultural; de turismo; e consular (isenção de vistos diplomáticos e oficiais). Houve, no biênio 2003/2004, expressivo
incremento do comércio, destacando-se o recente Acordo de Preferências
Tarifárias Fixas MERCOSUL-Índia, a aquisição de medicamentos indianos para a
HIV/AIDS e os entendimentos para venda de aviões da Embraer. Há cooperação
auspiciosa com a Índia em biotecnologia e suas aplicações em medicina,
agricultura, e bioinformática; usos civis da tecnologia espacial (modelagem
climática, recepção e processamento de imagem de satélites, meteorologia); e
serviços aéreos. JAPÃO
O Primeiro-Ministro do Japão, Junichiro
Koizumi, visitou o Brasil de 14 a 16 de Setembro de 2004. Foram discutidos
diversos temas da agenda bilateral, inclusive o acordo previdenciário, ora em
exame pelo lado japonês. Expressou-se, também, o compromisso de apoio recíproco
às respectivas candidaturas a membros permanentes do Conselho de Segurança das
Nações Unidas. CORÉIA
O Presidente da Coréia, Roh Moo-Hyun,
visitou o Brasil de 16 a 18 de Novembro de 2004. Durante a visita, assinou-se
um memorando de entendimento sobre cooperação em energia e recursos minerais.
Os Presidentes ressaltaram o dinamismo das relações comerciais e da cooperação
bilateral. Foram assinados contratos entre a Companhia Vale do Rio Doce e
companhias coreanas na área de recursos minerais (Posco e LG-Nikko). PAQUISTÃO
O Presidente do
Paquistão, Pervez Musharraf, visitou o Brasil de 27 a 30 de Novembro de 2004,
acompanhado de delegação empresarial. Foi a primeira visita de um Chefe de
Estado ou de Governo paquistanês ao Brasil. Foram assinados quatro documentos
nas áreas de combate ao narcotráfico, segurança alimentar, isenção de vistos
diplomáticos e criação de um mecanismo de consultas regulares sobre temas de
interesse comum. MALÁSIA
O Primeiro-Ministro da Malásia, Mahatir
Mohamad, visitou o Brasil de 12 a 21 de Março de 2003. Examinaram-se as
perspectivas de estreitamento das relações bilaterais e da cooperação em vários
setores, em particular no de saúde e prevenção do HIV/AIDS. TAILÂNDIA
O Primeiro-Ministro
da Tailândia, Thaksin Shinawatra, visitou o Brasil em Junho de 2004. Foram
assinados um Memorando de Entendimento que estabeleceu Comissão Mista de
Cooperação, um Acordo de Cooperação Esportiva e um Acordo Fitossanitário. A
Tailândia manifestou interesse em promover a cooperação bilateral na área de
produção de etanol. VIETNÃ
O Presidente do
Vietnã, Tran Duc Luong, visitou o Brasil de 15 a 17 de Novembro de 2004. Foram
assinados um Acordo de Isenção Parcial de Vistos e um Acordo de Concessão
Recíproca de Tratamento de Nação Mais Favorecida. Anunciou-se a conclusão das
negociações bilaterais no âmbito da acessão do Vietnã à OMC. Líbano
As relações Brasil-Líbano ganharam grande
impulso com a visita do Presidente Lula, durante seu périplo pelo Oriente Médio
em Dezembro de 2003. Durante a visita, foram assinados o Acordo sobre
Cooperação Técnica e Procedimentos Sanitários e Fitossanitários; Acordo de Cooperação no Campo do Turismo; Acordo de Cooperação sobre o Combate à
Produção, ao Consumo e ao Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias
Psicotrópicas e sobre o Combate às Atividades de Lavagem de Dinheiro e Outras
Transações Financeiras Fraudulentas Afins; Acordo Básico de Cooperação Técnica; bem como o Memorando de Entendimento que
estabelece uma Comissão Bilateral de Cooperação de Alto Nível. O então Primeiro-Ministro do Líbano,
Rafik Hariri, visitou o Brasil em 10 de Junho de 2003. Foram discutidas medidas
para desenvolver as relações econômicas e comerciais, entre as quais a criação
de uma Comissão Bilateral de Comércio e Investimentos. O Presidente da
República libanesa, Emile Lahoud, visitou o Brasil no período de 17 a 23 de
Fevereiro de 2004. Foram assinados os seguintes acordos: Protocolo de Intenções entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Libanesa
sobre Cooperação Técnica no Domínio da Energia Elétrica; Memorando de
Entendimento para Ampliação e Diversificação das Relações Bilaterais. Síria
O Presidente Lula visitou a Síria em 3 e 4
de Dezembro de 2003, primeira escala de seu périplo pelo Oriente Médio. Durante
a visita, foram assinados o Acordo sobre Cooperação Técnica e Procedimentos
Sanitários e Fitossanitários; o
Acordo de Cooperação no Campo do Turismo; O
Acordo de Cooperação Esportiva; O Programa Executivo de Cooperação Cultural e
Educacional para os Anos de 2004, 2005 e 2006. O Brasil manifestou, durante a
visita presidencial, interesse em firmar Acordo de Previdência Social. Palestina
O Presidente Lula, em sua visita ao Cairo,
durante o périplo presidencial ao Oriente Médio, reuniu-se, em 8 de Dezembro de
2003, com o Ministro dos Assuntos Estrangeiros da Autoridade Nacional Palestina
Nabil Shaath. Na ocasião, o Presidente Lula anunciou a intenção do Governo
brasileiro de abrir Escritório de Representação em Ramalá. Mencionou,
igualmente, o interesse brasileiro de participar de modo mais efetivo nos
esforços de paz concernentes ao conflito israelo-palestino, particularmente o
"Mapa do Caminho para a Paz", estabelecido pelo Quarteto (Estados
Unidos, União Européia, Rússia e Secretaria-Geral das Nações Unidas). O Escritório de Representação em Ramalá
foi oficializado pelo decreto presidencial 5.202 de 2 de Setembro de 2004. O Embaixador Bernardo de Azevedo Brito assumiu o
Escritório em 29/07/2004. Delegação de alto nível chefiada pelo
Ministro-Chefe da Casa Civil José Dirceu compareceu ao funeral do Presidente da
Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, no Cairo. Por sua vez, o
Embaixador Extraordinário para o Oriente Médio, Affonso Celso de Ouro-Preto,
viajou para Ramalá a fim de acompanhar o funeral do líder palestino e
encontrar-se com dirigentes da Autoridade Palestina, a exemplo do
Primeiro-Ministro Ahmed Qurei, e o Presidente da Organização para a Libertação
da Palestina (OLP), Mahmoud Abbas, além de avistar-se com o Chanceler Nabil
Shaath, para quem entregou carta do Ministro das Relações Exteriores Celso
Amorim. Emirados Árabes Unidos
O Presidente Luís Inácio Lula da Silva
visitou os Emirados Árabes Unidos em Dezembro de 2003. Na ocasião, o Brasil
apresentou oito propostas de acordo sobre Matéria Penal, Serviços Aéreos,
Energia Elétrica, Esportes, Procedimentos Sanitários e Fitossanitários,
Ampliação e Diversificação das Relações Bilaterais, Saúde e Agricultura, além
de projeto de Cooperação sobre Regiões de Clima semelhante ao Semi-árido. ÁFRICA
No biênio 2003/2004, o Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva desenvolveu intensa atividade de aproximação com a África.
Em três viagens àquele continente, visitou nove países (África do Sul, Angola,
Cabo Verde, Egito, Gabão, Líbia, Moçambique, Namíbia e São Tomé e Príncipe) e
compareceu a um evento multilateral – a V Conferência dos Chefes de Estado e de
Governo da CPLP (São Tomé, Junho de 2004). Em Maio de 2003, o Ministro Celso Amorim
visitou sete países (África do Sul, Angola, Gana, Moçambique, Namíbia, São Tomé
e Príncipe e Zimbábue). Em Junho de 2003, o Itamaraty promoveu, em Fortaleza, o
Forum Brasil-África. Nestes dois anos, foram abertas - ou estão em fase
instalação - novas Embaixadas do Brasil na África: em São Tomé, Adis Abeba, Dar
es Salam, Kinshasa e Iaundê. As iniciativas brasileiras em direção à África têm sido
correspondidas pelos Governos da região. Já visitaram o Brasil, durante o
Governo Lula, os Chefes de Estado de Burkina Faso, Namíbia, Moçambique e
Marrocos. No mesmo período, foram realizadas, em Brasília, reuniões de Comissão
Mista com Gana e a África do Sul, cujas delegações foram chefiadas pelos
respectivos Chanceleres. Outro sinal da importância que vem sendo atribuída ao
Brasil é o número crescente de Embaixadas africanas instaladas em Brasília:
apenas durante o Governo Lula, foram abertas as Missões diplomáticas do Sudão,
da Namíbia e do Zimbábue. O impulso das relações Brasil-África
tem-se caracterizado, nestes dois anos, por traços inovadores. Até pouco tempo
atrás, a política externa brasileira para aquele continente voltava-se para os
países da África meridional e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP). Em consonância com o discurso de posse do Presidente Lula (“Reafirmamos os laços profundos que nos unem
a todo o continente africano...”), novas iniciativas estão sendo
implementadas. Para citar apenas um exemplo, a África do Sul tem sido alvo de
iniciativas com profundo alcance estratégico, relacionadas ao Forum de Diálogo
Índia, Brasil, África do Sul (IBAS), lançado no início do Governo Lula.
Paralelamente, tem havido esforço no sentido de desenvolver presença mais
atuante nos diversos foros multilaterais da África. XI UNCTAD
Em Julho de 2004, realizou-se, em São
Paulo, a XI Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento
(UNCTAD). Ao sediar a Conferência, o Brasil deu demonstração concreta do seu
engajamento com o multilateralismo e de seu compromisso com as questões de
desenvolvimento. A Conferência teve como tema principal a busca de maior
coerência entre as estratégias nacionais de desenvolvimento e os processos
econômicos globais, com vistas à promoção do crescimento econômico e o
desenvolvimento sustentável. O Brasil teve atuação destacada, tendo contribuído
decisivamente para a elaboração dos documentos nela acordados, a saber, “O
Espírito de São Paulo” e “O Consenso de São Paulo”. Nestes, destacou-se a idéia
de que a preservação de um espaço para a execução de políticas públicas é
requisito indispensável para a promoção do desenvolvimento. presidência brasileira do
grupo do rio
O
Presidente Lula participou da XVII Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do
Grupo do Rio, realizada em Cusco, no Peru, de 22 a 24 de Maio de 2003. O principal tema da Cúpula de Cusco foram
os assim chamados Mecanismos Financeiros Inovadores. Com esses mecanismos,
pretende-se, em consonância com as políticas econômicas e fiscais de cada país:
(a) permitir a ampliação do espaço para o investimento em infra-estrutura e em
programas sociais, essencial para o desenvolvimento com inclusão social; e (b)
promover o uso mais racional e eficiente dos recursos existentes nas Instituições
Financeiras Internacionais e no mercado. O Brasil exerceu a presidência do Grupo do
Rio em 2004. A XVIII reunião de Chefes de Estado e de Governo do Grupo do Rio,
em Novembro de 2004, no Rio de Janeiro, privilegiou as funções de consulta e de
concertação políticas e deu ensejo a iniciativas voltadas para a melhor
coordenação dos países do Grupo do Rio no que diz respeito à participação na
MINUSTAH e à cooperação com o Haiti. Juntamente com o Brasil, os países do
Grupo do Rio comprometeram-se firmemente com a estabilização e a reconciliação
haitiana. A Cúpula do Rio serviu igualmente para esboçar os próximos
desdobramentos, nos níveis bilateral e Regional, das iniciativas dos países do
Grupo do Rio em temas relacionados com os chamados Mecanismos Financeiros
Inovadores. PRESIDÊNCIA DO MERCOSUL
O Brasil exerceu a Presidência Pro-Tempore
do Mercosul no segundo semestre de 2004. Nesse período, o Governo brasileiro
organizou aproximadamente 100 reuniões dos foros de oficiais do MERCOSUL,
culminando, em dezembro, na XXVI Reunião do Conselho do Mercado Comum e na
Reunião de Presidentes do MERCOSUL, realizadas, respectivamente, em Belo
Horizonte e Ouro Preto. Destacam-se, a seguir, os principais
resultados da Presidência Pro-Tempore brasileira do MERCOSUL : 1.
Parlamento
do MERCOSUL: A Comissão Parlamentar Conjunta do MERCOSUL será investida da
função de Comissão Preparatória do Parlamento do MERCOSUL para sua instalação
até Dezembro de 2006. 2.
Fundo
MERCOSUL de convergência estrutural: o Fundo, destinado à redução dos
desequilíbrios regionais, ao fortalecimento do processo de integração e à
melhoria da competitividade regional dos Estados Partes, deverá estar
plenamente conformado, em seus objetivos e sua estrutura de financiamento, em
2005. 3.
Eliminação da
dupla cobrança da Tarifa Externa Comum: a decisão atende ao objetivo de
aperfeiçoar a livre circulação de mercadorias dentro do MERCOSUL. Ela incluirá
a definição de um mecanismo que permita a distribuição da renda aduaneira entre
países do MERCOSUL e a interconexão eletrônica de alfândegas. 4.
Estratégia
MERCOSUL de Crescimento do Emprego. Será estabelecido um Grupo de Alto Nível
para a elaboração da estratégia. Está previsto seminário, em 2005, para análise
do tema. 5.
Reunião de
Altas Autoridades sobre Direitos Humanos do MERCOSUL. Pretende-se incrementar o
intercâmbio de experiências e a coordenação de políticas conjuntas na área de
direitos humanos entre os Estados Partes e Associados do MERCOSUL. 6.
Fundo para o
Setor Educacional do MERCOSUL. O Fundo terá como objetivo financiar iniciativas
da Reunião de Ministros de Educação do MERCOSUL. 7.
Acordo para
Facilitação de Atividades Empresariais. Deverá simplificar e harmonizar
trâmites jurídicos nos quatro Estados Partes do MERCOSUL para ingresso e
permanência de empresários. 8.
Despacho
Aduaneiro de Mercadorias do MERCOSUL. Regulamentará, de forma harmonizada, a
introdução e o controle de mercadorias no território aduaneiro do MERCOSUL 9.
Aprovação da
Quinta Rodada Negociadora em matéria de liberalização do comércio de serviços e
lançamento da Sexta Rodada. 10.
Regulamento
do Protocolo de Compras Governamentais do MERCOSUL, cujo objetivo é harmonizar
os requisitos jurídicos, técnicos, fiscais e econômico-financeiros para a
habilitação de empresas do MERCOSUL em processos licitatórios promovidos ao
amparo do referido Protocolo. 11.
Documento de
Viagem do MERCOSUL. Permitirá o regresso ao país de origem dos cidadãos de
Estados membros do MERCOSUL que se encontrem em localidades sem representação
consular capaz de emitir documentos de viagem. Mencione-se, ainda, a iniciativa
brasileira de criar a Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do
MERCOSUL, que fortaleceu a inserção de temas sociais na agenda dos trabalhos da
integração. Encerrado o ano de 2004, a Presidência Pro-Tempore
Brasileira deu pleno cumprimento às metas do Programa de Trabalho 2004/2006,
culminando com a Cúpula de Ouro Preto, cujos resultados fortaleceram ainda mais
a integração dos países do MERCOSUL em suas dimensões comercial, econômica,
social e institucional. PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NAS CÚPULAS IBERO-AMERICANAS
O Presidente Lula participou da XIII Cúpula
Ibero-Americana, realizada em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, nos dias 14 e
15 de Novembro de 2003. Decidiu-se, durante a reunião, criar um órgão
permanente de apoio - a Secretaria-Geral Ibero-americana - que passará a
funcionar a partir da entrada em vigor do correspondente acordo constitutivo. O Ministro de Estado das Relações
Exteriores representou o Brasil por ocasião da XIV Cúpula Ibero-americana, nos
dias 19 e 20 de Novembro de 2004, em São José da Costa Rica. Na ocasião, foram
definidos aspectos relacionados com o funcionamento da futura Secretaria, como
o processo de seleção dos nomes para a composição de sua direção (Secretário-Geral,
Secretário Adjunto e Responsável pela Cooperação). A Cúpula de São José serviu
também para o aperfeiçoamento do diálogo e da cooperação entre os países da
Conferência e para a definição de iniciativas que contarão com sua participação
e apoio, como a Ação contra a Fome e a Pobreza e a Aliança das Civilizações. PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA CÚPULA ESPECIAL DAS
AMÉRICAS
O Presidente Lula
participou da Cúpula Especial das Américas, realizada em Monterrey, no México,
em 13 de Janeiro de 2004. Na reunião, adotou-se a Declaração de Nuevo León. O Brasil buscou, com êxito,
ajustar compromissos e a linguagem dos textos da Cúpula Especial àqueles
compromissos negociados e acordados no quadro multilateral mais amplo das Metas
do Milênio, da Cúpula de Monterrey sobre o Financiamento do Desenvolvimento e
da Declaração de Johanesburgo. Foram também ajustadas, atendendo à preocupação
brasileira, as referências na Declaração de Nuevo León aos prejuízos para a
economia e a sociedade que implicam casos de corrupção no setor privado. PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA CÚPULA AMÉRICA
LATINA-UNIÃO EUROPÉIA
O Presidente Lula participou da III Cúpula
América Latina e Caribe-União Européia, realizada em Maio de 2004, em
Guadalajara, no México. Os quase 60 chefes de delegação debateram os temas do
multilateralismo e da inclusão social. A Declaração de Guadalajara reconheceu a
necessidade de se reforçar o papel da cooperação multilateral em lugar de ações
unilaterais. Contribuiu, também, para enriquecer o debate sobre iniciativas de cooperação
birregional para a promoção da inclusão social e o combate à fome e à pobreza. CÚPULA AMÉRICA DO SUL-PAÍSES
ÁRABES O
Presidente Lula propôs, no primeiro semestre de 2003, a realização de uma
reunião de Cúpula entre países sul-americanos e árabes. A iniciativa encontrou
acolhida bastante favorável junto aos parceiros regionais e aos membros da Liga
Árabe. No decorrer de 2003, o Itamaraty realizou diversas gestões bilaterais
sobre o assunto. Em Janeiro de 2004, durante encontro organizado em Genebra, o
Ministro Celso Amorim apresentou os fundamentos e a concepção da Cúpula aos
representantes dos países participantes. Assinalou que se trata de iniciativa
inovadora, por ser o primeiro encontro internacional na história recente que
busca a aproximação de duas regiões de dimensões continentais do mundo em
desenvolvimento. Afirmou que a proposta fundamental da Cúpula é promover
mecanismo de integração bi-Regional no âmbito da cooperação Sul-Sul . Deixou
claro, ademais, que o objetivo da Conferência é estimular a aproximação de duas
regiões com afinidades históricas, de modo a propiciar o aproveitamento do
potencial ainda por realizar em suas relações. Sem desconhecer as
particularidades das situações nacionais, ressaltou que as duas Regiões enfrentam
desafios semelhantes em relação à promoção do desenvolvimento e compartilham
interesses e objetivos comuns em suas atuações externas. Nesse
contexto, expressou a expectativa de que várias ações possam ser empreendidas
para utilizar as oportunidades que ambos os lados oferecem em proveito mútuo,
em diferentes áreas. Os avanços no processo de integração Regional da América
do Sul representam, nesse sentido, forte atrativo a incentivar maior dinamismo
no relacionamento econômico-comercial da nossa Região com os países árabes. O
propósito central da Cúpula, em última análise, é o de gerar um círculo
virtuoso de contatos num processo mutuamente benéfico de cooperação e
coordenação. Com
vistas a promover a desejada aproximação, foram definidos os seguintes temas ou
iniciativas concretas a serem tratados durante a Cúpula: a)
Cooperação econômico-comercial , através de estímulos à diversificação e à
expansão do comércio e dos investimentos ; b)
Cooperação cultural ; c)
Cooperação científico-tecnológica ; d) Coordenação
em foros multilaterais econômicos e comerciais ; e)
Colaboração em temas de desenvolvimento e sociais. Em termos
de cooperação econômico-comercial bi-regional, espera-se que as ações estejam
voltadas para ampliar os fluxos comerciais entre as duas Regiões e para o
avanço dos respectivos processos de integração regionais, assim como para
estimular investimentos em setores estratégicos, tais como o energético, o de
transportes e o de telecomunicações. Pretende-se, ademais, instalar entrepostos
comerciais em portos das duas Regiões, de modo a facilitar o recebimento e a
distribuição de mercadorias. A intensificação do relacionamento visa também
incrementar o turismo inter-regional, através da organização de eventos
promocionais conjuntos. No plano multilateral, a intenção é coordenar
posições em foros econômicos e comerciais, com o propósito de combater as
assimetrias decorrentes das atuais regras do comércio internacional e unir
esforços no sentido de que as questões relacionadas ao desenvolvimento sejam
destacadas nas negociações da Rodada Doha da OMC, entre outras formas de
colaboração. As duas Regiões procurarão coordenar-se, ainda, com vistas a
promover reformas no sistema financeiro internacional, de maneira que os países
em desenvolvimento disponham de instrumentos mais adequados para a prevenção e
o gerenciamento de crises, bem como passem a contar com mecanismos inovadores
para a captação de investimentos. No que diz
respeito à promoção do desenvolvimento, uma das metas é a atuação coordenada
para eliminar as atuais distorções no sistema multilateral de comércio,
particularmente no setor agrícola, de modo que os países em desenvolvimento
possam beneficiar-se de suas vantagens comparativas. Espera-se, além disso, que
as duas regiões trabalhem em estreita coordenação com o objetivo de dotar o
sistema financeiro internacional de regras que facilitem aos países em
desenvolvimento a captação de mais investimentos dirigidos à ampliação de suas
infra-estruturas, ao progresso tecnológico e à promoção do crescimento
industrial. Na área
social, pretende-se que as duas regiões envidem esforços e cooperem para
combater a fome e a pobreza, mediante o aproveitamento de fontes inovadoras de
recursos. No que se refere aos temas científico-tecnológicos, foram
identificadas as seguintes áreas prioritárias para cooperação: desenvolvimento
de regiões semi-áridas, combate à desertificação, gestão de recursos hídricos,
agricultura irrigada, biotecnologia e engenharia genética, previsão do clima e
ovinocaprinocultura. Para colocar em prática um plano de ação conjunto nesses
setores, pretende-se estabelecer programas de intercâmbio entre universidades e
centros de pesquisa. No campo
cultural, o objetivo é criar mecanismos para apoiar o intercâmbio de produções
artísticas das duas Regiões, tais como festivais de cinema, exposições de artes
plásticas e espetáculos musicais, assim como a constituição de comissão de
especialistas para selecionar obras das literaturas sul-americana e árabe e
traduzi-las para o árabe, o português e o espanhol, a fim de formar uma
biblioteca básica. Outras iniciativas na área cultural contemplam o
estabelecimento de cooperação educacional através da concessão recíproca de
bolsas de estudos, a organização de simpósios sobre temas de interesse comum e
a cooperação técnica nas áreas de restauração de monumentos históricos e obras
de arte a fim de contribuir para a preservação do patrimônio arquitetônico e
cultural de ambas Regiões. A Cúpula
América do Sul-Países Árabes está marcada para os dias 10 e 11 de Maio de 2005,
sendo precedida de reunião de Chanceleres no dia 9/5. Paralelamente à Cúpula
serão realizados: Encontro Empresarial, que incluirá seminário sobre tendências
econômicas, legislações e mecanismos para a captação de investimentos; e Feira
de Investimentos, com “stands” para divulgação de projetos de investimentos e
oportunidades de negócios. Será também organizado um Simpósio Cultural, em
coordenação com entidades da sociedade civil, para discutir formas de
incentivar o intercâmbio no campo cultural em geral e, em particular, a
formação de biblioteca básica com obras marcantes das tradições literárias dos
dois lados. Simultaneamente à Cúpula, ocorrerá programação cultural com mostras
de filmes e de fotografia, além de espetáculo musical. PARTICIPAÇÃO NA Liga dos
Estados Árabes
O Brasil foi admitido como observador na Liga dos Estados
Árabes em Dezembro de 2003. Juntamente com a Índia, o Brasil é o segundo país
em desenvolvimento a participar da Liga nessa condição. O Embaixador brasileiro
no Cairo representa o Brasil junto à instituição. Durante o funeral do Presidente da
Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, em 11 de Novembro de 2004, o
Ministro-Chefe da Casa Civil José Dirceu reuniu-se no Cairo com o
Secretário-Geral das Liga Árabe, Amre Moussa. Conversaram sobre o processo de
paz israelense-palestino e a realização da Cúpula América do Sul-Países Árabes
em Maio de 2005. Posteriormente, o Embaixador Extraordinário para o Oriente
Médio Affonso Celso de Ouro-Preto reuniu-se com Amre Moussa no Cairo em 15 de
Dezembro de 2004.
PRESENÇA NO CONSELHO DE
SEGURANÇA COMO MEMBRO NÃO-PERMANENTE O Brasil foi eleito, em 2003, para ocupar
um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, durante o biênio
2004/2005, em uma das duas vagas destinadas à América Latina e Caribe. Trata-se
do nono mandato brasileiro desde o estabelecimento do órgão, em 1946. Nenhum
país foi eleito mais vezes do que o Brasil para o Conselho de Segurança. Na condição de membro não-permanente do
CSNU, o Brasil tem-se envolvido crescentemente nas questões da paz e da
segurança internacional. Participa ativamente na formulação de políticas
voltadas para a paz e a reconstrução pós-conflito, em particular no que diz
respeito a países e Regiões prioritários para a política externa brasileira
(Haiti, Timor-Leste, África e Oriente
Médio). Sem prejuízo do diálogo de alto nível com os membros permanentes, a
ênfase da delegação brasileira tem sido na cooperação com os demais países em
desenvolvimento presentes no Conselho. Esta cooperação tem sido excelente,
destacando-se a atuação conjunta com o Chile, em 2004; a presença de diplomata
argentino como integrante da delegação brasileira, em iniciativa inédita que
demonstra o alto grau de confiança na aliança estratégica Brasil-Argentina; e a
coordenação com os membros africanos e a União Africana no encaminhamento das
questões de paz e segurança na África. O Brasil assumiu papel de liderança no
processo de estabilização e reconstrução do Haiti, país com o qual
compartilhamos a herança cultural africana. As Forças Armadas brasileiras
fornecem o maior contingente e o comando de tropa na Missão de Estabilização
das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH). O Brasil tem impulsionado, tanto no
território haitiano quanto no Conselho de Segurança, uma visão criativa do
processo de construção da paz, que enfatiza a interdependência entre três
pilares: a estabilização da situação de segurança, o processo de reconciliação
política em bases democráticas e participativas e a promoção do desenvolvimento
econômico e social, com projetos de impacto imediato associados a um
planejamento de longo prazo. O Brasil reforçou seu compromisso com o
Timor Leste, país de língua portuguesa, ampliando o contingente brasileiro na
Missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMISET). A delegação brasileira junto
ao Conselho de Segurança coordenou as consultas para aprovação da resolução que
estendeu por mais um ano, até Março de 2005, a UNMISET. Na medida em que o
Timor-Leste consolida sua independência e ingressa em fase pós-operação de paz,
o Brasil continua a estender solidariedade e apoio, implementando medidas
concretas de cooperação. No tocante aos temas africanos, a atenção
brasileira, no âmbito do CSNU, tem-se voltado crescentemente para Guiné-Bissau.
O Brasil designou o conselheiro militar do Escritório das Nações Unidas na
Guiné-Bissau (UNOGBIS), participou de diversas missões da Comunidade de Países
de Língua Portuguesa (CPLP) e coordenou as consultas entre os membros do Conselho
de Segurança, que possibilitaram a aprovação, em Dezembro de 2004, da primeira
resolução sobre Guiné-Bissau desde 1999, ampliando e fortalecendo o mandato do
UNOGBIS. Quanto aos demais temas africanos (Côte
d´Ivoire, Libéria, Sierra Leone, Burundi, República Democrática do Congo, Saara
Ocidental, Somália, Etiópia – Eritréia), o Brasil tem ressaltado a necessidade
de apoiar a União Africana na busca de soluções para os problemas daquele
continente. A abertura de Embaixadas em São Tomé e Príncipe, República
Democrática do Congo e Adis Abeba (sede da União Africana e da Comissão
Econômica das Nações Unidas para a África) é expressão concreta do compromisso
brasileiro com o continente africano. O Brasil enviou, ainda, observadores para
participar em operações de paz das Nações Unidas na Libéria e em Côte d´Ivoire,
além de Chipre e Kossovo – Sérvia e Montenegro. A presença do Brasil no Conselho de
Segurança tem possibilitado a reafirmação de princípios tradicionais da
diplomacia brasileira (respeito ao direito internacional, solução pacífica de
controvérsias, defesa da soberania e da democracia) no exame das questões de
paz e segurança internacional. O Brasil tem defendido ativamente os valores e
os interesses nacionais - sem perder de vista a perspectiva dos países
sul-americanos e do mundo em desenvolvimento – em questões como combate ao
terrorismo, não-proliferação de armas de destruição em massa, prevenção do
genocídio e proteção de grupos vulneráveis (mulheres, crianças e minorias
étnicas). A presença do Brasil no Conselho de Segurança, em caráter permanente,
representará a melhor garantia de que a voz dos países do Sul será ouvida nas
grandes decisões internacionais. REFORMA DAS NAÇÕES UNIDAS
No contexto da crise suscitada pela
invasão norte-americana do Iraque, o Secretário-Geral Kofi Annan propôs – e o
Brasil apoiou firmemente – aprofundar a discussão sobre a reforma das Nações
Unidas mediante a constituição de um Painel de Alto Nível sobre Ameaças,
Desafios e Mudança, o qual contou com um integrante brasileiro, o Embaixador
João Clemente Baena Soares. Sem prejuízo do fortalecimento dos demais órgãos do
sistema das Nações Unidas, o Brasil tem apoiado a ênfase na reforma do Conselho
de Segurança, sem a qual, na expressão de Kofi Annan, nenhuma reforma das
Nações Unidas poderá ser considerada completa. A admissão do Brasil e de outros
países em desenvolvimento como membros permanentes contribuirá para conferir
maior representatividade, legitimidade e eficácia àquela crucial instância
decisória. A formação,
em Setembro de 2004, do G-4 (Alemanha, Brasil, Índia e Japão), integrado por
países cujas candidaturas a um assento permanente no Conselho de Segurança já
estão consolidadas, representou um importante avanço. A constituição do grupo e
o expressivo número de apoios públicos ao ingresso do Brasil como membro
permanente demostram que já foram superadas fórmulas que excluíam o ingresso de países em desenvolvimento como
membros permanentes do Conselho. O
Relatório do Painel de Alto Nível, divulgado em 02/12/04, apresentou dois
modelos para a reforma do Conselho de Segurança: o modelo “A”, que prevê
expansão nas duas categorias de membros, com a criação de seis novos assentos
permanentes e três novos assentos eletivos; o modelo “B”, que não contempla aumento
do número de membros permanentes, mas apenas novos assentos não-permanentes,
com mandato de mais longa duração (4 anos) e possibilidade de reeleição, e um
novo assento com mandato de dois anos, sem direito à reeleição. Em ambos os
casos, haveria uma ampliação do CSNU dos atuais 15 para 24 membros. A atuação
do Brasil tem-se concentrado na promoção da reforma na linha proposta no modelo
“A”. Após a divulgação do
Relatório do Painel, o debate sobre a reforma das Nações Unidas passou a atrair
mais atenção. No decorrer de 2005, espera-se que as consultas entrem em fase
decisiva, sobretudo nos meses que antecedem o evento de alto nível da
Assembléia Geral, em setembro, que fará a primeira revisão qüinqüenal da
implementação da Declaração do Milênio e das Metas de Desenvolvimento do
Milênio. DESARMAMENTO E NÃO-PROLIFERAÇÃO
No Governo
Lula, o Brasil tem mantido, tanto nos contatos diretos com outros países como
na esfera multilateral, inabalável postura de defesa do desarmamento nuclear,
da não-proliferação e da proibição das armas químicas e biológicas. Esta
posição fundamenta-se no compromisso nacional com a promoção da paz e da
segurança internacionais e com os usos exclusivamente pacíficos das tecnologias
espaciais e tecnologias avançadas de uso duplo (nucleares, químicas e
biológicas) como meio de garantir condições para o desenvolvimento humano, bem
como acesso ao desenvolvimento tecnológico. O Brasil é
signatário dos principais acordos negociados nessa área em bases universais,
não-discriminatórias e equilibradas no que diz respeito aos compromissos de
desarmamento e de não-proliferação. Juntamente com outros Estados detentores de
tecnologias de uso duplo, o Brasil integra, também, regimes plurilaterais de
controle de exportações, que fornecem elemento adicional às credenciais
brasileiras em matéria de desarmamento e não-proliferação. A atuação
eficaz da diplomacia brasileira, orientada pelo princípio da promoção da paz,
assim como o patamar tecnológico alcançado pela indústria nacional, tornaram o Brasil
um ator de destaque no âmbito do desarmamento e da não-proliferação. O
reconhecimento dessa condição foi expressa claramente com a indicação do Brasil
para assumir, em 2005, a Presidência da VII Conferência de Exame do Tratado de
Não-Proliferação Nuclear. O contexto em que se realiza a Conferência revela-se
complexo. Não há evidências de que os países nucleares estejam tomando medidas
concretas e irreversíveis de desarmamento nuclear em cumprimento dos
compromissos assumidos por eles. Além disso, a divulgação de novas doutrinas
militares pelos EUA e pela Rússia, que prevêem o uso de armas nucleares,
associada ao anúncio do possível desenvolvimento de novos tipos de armas
nucleares, contribuem para elevar as tensões internacionais, com reflexo negativo
nos diferentes regimes de desarmamento e não-proliferação. O biênio
2003/2004 foi marcado pela negociação bem sucedida da aplicação do acordo de
salvaguardas em vigor entre o Brasil e a Agência Internacional de Energia
Atômica ao caso específico da nova fábrica de combustíveis nucleares de
Resende. Trata-se do primeiro passo dado em direção à auto-suficiência no
setor, na vigência plena das garantias de transparência e de confiança que o
Brasil estende à comunidade internacional, em necessário equilíbrio com o
respeito à propriedade intelectual; o Brasil é hoje um dos poucos países do
mundo detentores da tecnologia de enriquecimento de urânio para fins
exclusivamente pacíficos. Outro tema
relevante é o comércio ilícito de armas pequenas, tendo em vista suas
implicações para a segurança interna e combate ao crime organizado. No período,
o Brasil participou de diversas reuniões de seguimento da Conferência das
Nações Unidas sobre o Comércio Ilícito de Armas Pequenas e Armamento Leve,
realizada em 2001. Dentre os temas
discutidos, ressaltem-se a identificação e a marcação de armas pequenas (o
Brasil favorece um documento internacional juridicamente vinculante sobre o
assunto). O Governo brasileiro tem dado cumprimento fiel aos
compromissos contidos no Plano de Ação das Nações Unidas. Nessas condições,
busca-se uma participação ativa no processo que culminará com a realização, em
2006, da Conferência de Exame da Conferência de 2001. No
plano bilateral, mencionem-se: o Memorando de Entendimento Brasil-Argentina
para Intercâmbio de Informações sobre a Fabricação e o Tráfico Ilícitos de
Armas de Fogo (Julho de 2003); as iniciativas no âmbito das Comissões Mistas
Antidrogas, realizadas com o Peru, Bolívia, Venezuela e Equador; os
procedimentos em vigor para intercâmbio de informações entre o Brasil e o
Paraguai. Dentre as iniciativas regionais, citem-se o Memorando de Entendimento
entre os países do MERCOSUL para Intercâmbio de Informações sobre a Fabricação
e o Tráfico Ilícitos de Armas de Fogo (Dezembro de 2003) e as reuniões
semestrais do Grupo de Trabalho do MERCOSUL sobre armas de fogo. ATUAÇÃO NA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS (oea)
A atuação do Brasil
na Organização dos Estados Americanos (OEA), no biênio 2003/2004, enfatizou os seguintes temas: promoção da democracia,
da governabilidade, dos direitos humanos, da paz, da segurança, da cooperação e
do desenvolvimento hemisférico; expansão do comércio; desenvolvimento
sustentável; combate à pobreza, ao crime organizado e à corrupção. Durante a XXXIII Assembléia Geral da OEA, realizada em
Santiago, Chile, de 8 a 10/06/2003, o Brasil participou ativamente nos debates
e negociações que levaram à aprovação da Declaração de Santiago e da Resolução
"Programa de governança democrática nas Américas", a qual encarregou
a Secretaria-Geral da OEA de convocar reunião de peritos para elaborar estudos
sobre o fortalecimento democrático na região. O temário da XXXIII Assembléia Geral contemplou,
dentre outros assuntos, a proteção dos direitos humanos, o fortalecimento das
instituições democráticas, a segurança hemisférica, o combate ao abuso de
drogas, ao terrorismo, ao crime organizado e à degradação ambiental. O Brasil teve
atuação destacada na XXXIV Assembléia Geral da OEA, realizada em Quito,
Equador, de 6 a 8/06/2004. Naquela Assembléia, aprovou-se a Declaração de Quito
sobre Desenvolvimento Social e Democracia diante da Incidência da Corrupção;
decidiu-se criar comissão especial para elaborar uma Carta Social das Américas;
procedeu-se à eleição do Secretário-Geral da OEA, Miguel Angel Rodriguez, que
renunciou em outubro. Ressalte-se, também, a participação
brasileira na Missão de Observação Eleitoral na Venezuela. A pedido do Conselho
Nacional Eleitoral (CNE), o Governo da Venezuela solicitou que a OEA designasse
um brasileiro para chefiar a Missão de Observação Eleitoral (MOE) do Referendo
Revogatório de 15/08/2004. A Missão foi chefiada pelo Representante Permanente
do Brasil junto à OEA, Embaixador Valter Pecly Moreira. As atividades da Missão
incluíram contatos com os atores políticos, cidadãos e entidades eleitorais
regionais e municipais. O Governo venezuelano, em várias ocasiões, tanto no
Conselho Permanente da OEA como no plano bilateral, agradeceu formalmente os
trabalhos desenvolvidos pela chefia brasileira da Missão. Ainda no âmbito dos assuntos
interamericanos, mencione-se a realização em Quito, de 16 a 21 de Novembro de
2004, da VI Conferência de Ministros de Defesa das Américas (VI CMDA), que
reuniu os titulares das pastas de defesa de 32 países para tratar de ampla
agenda relacionada com o tema “novas concepções de segurança e defesa e suas
implicações na definição de uma nova arquitetura de segurança hemisférica”. A
delegação brasileira foi chefiada pelo Vice-Presidente José Alencar. Durante a
Conferência, foram discutidos vários temas afetos à segurança hemisférica,
atualmente tratados na Comissão de Segurança Hemisférica (CSH) da OEA, como a
democracia, medidas de fortalecimento da confiança e da segurança, valorização
dos enfoques sub-regionais em matéria de defesa e segurança, fortalecimento do
multilateralismo, solução pacífica de controvérsias, autodeterminação,
não-intervenção, o direito de cada país de estabelecer a estrutura de defesa
segundo suas necessidades, subordinação das forças armadas ao poder político,
livros brancos de defesa, missões de paz, cooperação no combate às novas
ameaças (narcotráfico, terrorismo, corrupção, tráfico de armas), desastres
naturais, desminagem, educação em matéria de direitos humanos e direito
internacional humanitário, apoio ao governo da Colômbia, entre outros. MEIO AMBIENTE Os dois primeiros anos do Governo Lula
foram marcados por evolução importante em matéria de meio ambiente e
desenvolvimento sustentável. O Brasil tem atuado de forma destacada, em um
quadro de crescente complexidade da agenda ambiental, com repercussões para a
inserção internacional do País e a promoção do desenvolvimento econômico e
social brasileiro. O Itamaraty tem empreendido amplas consultas com a sociedade
civil, visando a subsidiar a formulação da posição brasileira nos diversos
foros internacionais ambientais de que o Brasil participa. O fato mais marcante na área ambiental, em
2004, foi a ratificação russa do Protocolo de Quioto à Convenção-Quadro das
Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que permite a sua entrada em vigor em
Fevereiro de 2005. Cabe ressaltar, nesse contexto, o papel de relevo
desempenhado pelo Presidente Lula, no biênio 2003/2004, no sentido da entrada
em vigor do Protocolo de Quioto, tanto no plano multilateral, quanto em
contatos com seus contrapartes, em particular o Presidente da Rússia, Vladimir
Putin. Entrará em funcionamento o Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL), incluído no Protocolo de Quioto, a partir de
proposta brasileira. Já foi concluída a instalação plena da estrutura
jurídico-institucional interna para a realização de projetos do MDL no Brasil.
Vale registrar que o primeiro projeto aprovado no plano mundial pelo Conselho
Executivo do MDL foi o projeto Nova Gerar, a realizar-se em Nova Iguaçu, RJ. Já
foi aprovado também o “Projeto de Gás de Aterro de Salvador” (Salvador, BA).
Ambos envolvem a construção de aterros sanitários sustentáveis e a queima do
gás metano deles proveniente. Sua realização implicará investimentos privados significativos
e trará benefícios sociais e econômicos aos habitantes daquelas localidades,
com a geração de empregos diretos e indiretos. Realizou-se, em Buenos Aires, de 6 a
17/12/2004, sob o impacto positivo da ratificação do Protocolo de Quioto pela Rússia,
a Décima Reunião das Partes (COP) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre
Mudança Climática. Na ocasião, foi divulgada a primeira Comunicação Nacional do
Brasil à Convenção, que inclui o inventário de emissões de gases de efeito
estufa. A Comunicação Nacional brasileira, efetuada em conjunto com a China,
teve grande repercussão. Registre-se que a preparação da posição da delegação
brasileira à COP X foi objeto de amplo processo de consulta à sociedade civil -
ONGs, academia, empresários e sindicatos - a exemplo do que já havia ocorrido
em 2003, na COP IX de Milão. Em 2004, o Brasil assinou Memorandos de
Entendimento com Canadá, Itália e Países Baixos para estimular a realização, no
Brasil, de projetos do MDL. Estão em
negociação Memorandos similares com Alemanha, França, Japão, Espanha e
Áustria, com vistas à sua assinatura em 2005. Aprofundou-se, ainda, o diálogo e
a coordenação com o Japão, país com o qual o Brasil patrocina, há dois anos,
encontro anual dos principais negociadores sobre mudança do clima para discutir
o futuro do regime internacional baseado na Convenção. Merece destaque, igualmente, a atuação do
Brasil, no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), em defesa da
soberania dos países sobre seus recursos naturais e do uso sustentável da
biodiversidade. O Brasil e demais países megadiversos - como Índia, China,
África do Sul e os países amazônicos -
apoiaram o rápido início das negociações de um regime internacional para
que os benefícios auferidos com a exploração de recursos genéticos e
conhecimentos tradicionais sejam devidamente repartidos, de forma justa e
eqüitativa, com os países de origem desses recursos e com as comunidades
detentoras dos conhecimentos tradicionais associados. No âmbito dessa
negociação, a iniciar-se em Fevereiro de 2005, o Brasil deverá manter sua
reconhecida liderança no tema. No biênio 2003/2004, intensificou-se o
debate sobre os rumos das negociações internacionais na área de florestas. A
atuação do Governo brasileiro no tratamento do tema tem-se apoiado nos
princípios da soberania nacional sobre os recursos naturais e de seu uso
sustentável. Na IV Sessão do Foro das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF-4), o
Brasil defendeu posição contrária à adoção de convenção juridicamente
vinculante e em favor do aprofundamento da cooperação internacional. Em conformidade com a ênfase dada à
preservação dos recursos naturais terrestres, o Governo brasileiro, nos últimos
dois anos, deu impulso ao desenvolvimento e utilização da tecnologia espacial
para teledetecção, havendo sido lançado o segundo Satélite Sino-Brasileiro de
Recursos Terrestres (CBERS-2), em Outubro de 2003. No âmbito da cooperação
espacial com a China, a mais importante entre dois países em desenvolvimento,
foram assinados, em 2004, o Protocolo de Aplicações do Satélite Sino-Brasileiro
de Recursos Terrestres (CBERS), para a venda de imagens geradas pelo CBERS 2,
assim como o Protocolo para a construção do CBERS 2-b, de modo a assegurar o
provimento ininterrupto de imagens CBERS. O programa com a China permitirá
igualmente o ingresso dos dois países no mercado de comercialização de imagens
de satélites. O aprofundamento da cooperação espacial
internacional do País verificou-se, ainda, por meio de iniciativas com outros
parceiros. Com a Ucrânia, merece destaque a ratificação do acordo firmado em
2003 para lançamentos do Veículo Ciclone 4 a partir do Centro de Lançamento de
Alcântara (CLA). Com a Rússia, foi assinado, por ocasião da visita do
Presidente Putin ao Brasil, em Novembro de 2004, Memorando de Entendimento
sobre cooperação para o desenvolvimento do Veículo Lançador de Satélites (VLS)
brasileiro e da modernização do Centro de Alcântara, que abre a perspectiva do
desenvolvimento conjunto de tecnologias espaciais, de interesse estratégico
para o País. Durante a visita presidencial à Índia, foi assinado o Acordo
Quadro para a Cooperação nos Usos Pacíficos do Espaço Exterior, que permitirá
uma maior aproximação com aquele país no campo espacial. Progrediram, também, as conversações com os
Estados Unidos para a renegociação dos termos do Acordo de Salvaguardas
Tecnológicas (AST) para a participação norte-americana em lançamentos a partir
de Alcântara. Espera-se chegar, em 2005, a um novo texto que atenda aos
interesses de ambos países. Com a Argentina, foram dados importantes
passos para o relançamento da cooperação espacial bilateral. A fase de testes
dos satélites argentinos SAC-A e SAC-B foi realizada nas instalações do
Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE), em São José dos Campos. Aprofundaram-se as discussões sobre o
projeto do Satélite Argentino-Brasileiro de Coleta de Dados sobre Água, Meio
Ambiente e Alimentos (SABIA-3). Foi acordado o lançamento, por foguete
brasileiro (VS-30), em 2005, de satélite sub-orbital argentino. Na
esfera do Direito do Mar, o Brasil apresentou à Comissão das Nações Unidas para
os Limites da Plataforma Continental (CLPC), em 2004, a partir de cuidadoso
trabalho de levantamento realizado no âmbito do Governo, e conforme previsto na
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, sua proposta de delimitação
dos limites exteriores da Plataforma Continental além das 200 milhas náuticas.
A subcomissão estabelecida para analisar a proposta deverá divulgar seu parecer
na próxima sessão da Comissão, em Abril de 2005. A definição dos limites
exteriores da Plataforma brasileira permitirá a exploração de recursos marinhos
nessa área, com importantes implicações ambientais e econômicas. O Brasil
participou, ainda, de forma destacada, dos trabalhos da Autoridade
Internacional para os Fundos Marinhos (ISBA). Em
2004, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) inaugurou
escritório no Brasil, que permitirá aprofundar a parceria na execução de
projetos e na capacitação de recursos humanos. A abertura vai ao encontro da
estratégia, apoiada pelo Brasil, de regionalização das atividades do PNUMA e
constitui mais uma demonstração da importância conferida ao Brasil por aquele
Programa das Nações Unidas, em reconhecimento ao papel destacado do País no
campo do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. DIREITOS HUMANOS
Em seguimento ao
convite permanente formulado pelo Governo brasileiro aos mecanismos temáticos
da Comissão de Direitos Humanos (CDH) das Nações Unidas, visitaram o Brasil, durante
2003 e 2004, os seguintes Relatores Especiais da CDH: Perito Independente sobre
Direito ao Desenvolvimento, Professor Arjun Sengupta (Agosto de 2003); Relatora
Especial sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias e Arbitrárias, Senhora Asma
Jahangir (Setembro e Outubro de 2003); Relator Especial sobre Prostituição
Infantil e Venda Ilegal de Crianças, Senhor Juan Miguel Petit (Novembro de
2003); Relator Especial sobre Direito à Moradia Adequada, Senhor Miloon Kothari
(no período de 29 de Maio a 13 de Junho de 2004), e o Embaixador Leandro
Despouy, Relator sobre a Independência de Juízes e Advogados (no período de 13
a 26 de Outubro de 2004). Foram
apresentados três relatórios sobre a implementação de obrigações do Estado
brasileiro decorrentes de tratados internacionais de direitos Humanos. A
primeira apresentação deu-se perante o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais (CDESC), em Genebra, em Abril de 2003. A segunda apresentação teve
lugar perante o Comitê da Convenção Internacional para Eliminação de Todas
as Formas de
Discriminação Racial (CERD), em Genebra, no período de 5
a 8 de Março de 2004. A
terceira apresentação ocorreu em Genebra, em 14 de Setembro de 2004, perante o
Comitê dos Direitos da Criança. Encaminhamos, igualmente, em Outubro de 2004,
relatório ao Comitê de Direitos Humanos da ONU acerca da observação do Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos de 1966, obrigação que se
encontrava pendente desde o ano de 1998. Em 12 de Junho de
2003, o Presidente Lula promulgou decreto que reconheceu, de pleno direito e
por prazo indeterminado, a competência do Comitê Internacional para a
Eliminação da Discriminação Racial (CERD) para receber e analisar denúncias de
violação dos direitos humanos conforme previsto no art. 14 da Convenção
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. Em
13 de Outubro de 2003, o Brasil assinou o Protocolo Opcional à Convenção contra
a Tortura, mecanismo que dota o Estado brasileiro, bem como as instâncias internacionais,
de maior efetividade no monitoramento de violações das disposições da referida
Convenção. Em 27 de Janeiro de 2004 o Brasil ratificou dois Protocolos Facultativos à Convenção dos
Direitos da Criança, um referente à venda de crianças, à prostituição infantil
e à pornografia infantil, e outro referente ao envolvimento de crianças em
conflitos armados. No campo dos direitos dos povos indígenas, cabe assinalar a promulgação da Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os Povos Indígenas e Tribais,
em 19 de Abril de 2004. No âmbito da
Comissão de Direitos Humanos (CDH) das Nações Unidas, durante a 59a. Sessão da
(Março e Abril de 2003), a Delegação brasileira apresentou os seguintes
projetos de resolução: “A Incompatibilidade entre Democracia e Racismo”;
“Acesso a Medicamentos no Contexto de Pandemias como HIV/AIDS” e “Direito de
Todos ao Gozo do Mais Alto Padrão de Saúde Física e Mental”. As resoluções
foram adotadas por consenso pela Comissão e reapresentadas e aprovadas por
consenso, também em 2004. No âmbito da Sistema
Interamericano de Proteção de Direitos Humanos, a Delegação brasileira às 117a.
e 118a. sessões de audiências na Comissão Interamericana de Direitos Humanos
(CIDH) da OEA, realizadas respectivamente em Fevereiro e Outubro de 2003,
contou com a participação do Secretário Especial dos Direitos Humanos, Ministro
Nilmário Miranda (Fevereiro e Outubro), e da Secretária Especial de Políticas
de Promoção de Igualdade Racial, Ministra Matilde Ribeiro (outubro). Igualmente,
em 2004, o Ministro Nilmário Miranda esteve presente no 119º (Março) período de
audiências da CIDH. Durante o 120º período de sessões, a Delegação brasileira
contou com a participação de representantes do Itamaraty, Secretaria Especial
de Direitos Humanos e Governos estaduais. No âmbito do
MERCOSUL, vale destacar a institucionalização do Grupo de Trabalho sobre
Direitos Humanos do MERCOSUL e Países Associados, que evoluiu no sentido da
criação de um mecanismo de Encontro de Altas Autoridades de Direitos Humanos no
âmbito do MERCOSUL Ampliado, instância voltada principalmente para a
coordenação de posições dos países do Bloco nos foros internacionais, bem como
para a troca de experiências no campo das políticas públicas. A Ministra Nilcéa
Freire, Secretária Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), foi eleita no
dia 28/10/04, por ampla maioria, para presidir, por dois anos, a Comissão
Interamericana de Mulheres (CIM), da Organização dos Estados Americanos (OEA).
É a primeira vez que uma brasileira assume esse posto, desde a criação da
Comissão em 1928. A CIM é o primeiro organismo oficial de caráter
intergovernamental para a promoção dos direitos civis e políticos das mulheres.
Fazem parte dessa Comissão 34 Delegadas Titulares, uma por cada Estado-membro
da OEA, designadas por seus respectivos Governos. A escolha da Ministra Nilcéa
Freire para a presidência da CIM reflete o reconhecimento internacional dos
avanços da política brasileira em relação à defesa e à promoção dos direitos
humanos e dos direitos da mulher, bem como reafirma o interesse do Brasil em
contribuir de forma mais ativa para os debates sobre o assunto nos foros
multilaterais. Realizou-se em
Brasília, nos dias 23 e 24 de Março de
2004, uma das três reuniões preparatórias à
IX Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, que
teve lugar no México de 10 a 12 de Junho de 2004. A Conferência Regional é um órgão subsidiário da Comissão Econômica
para a América Latina e o Caribe (CEPAL), sendo convocada regularmente para
identificar as necessidades Regionais e sub-Regionais das mulheres, apresentar
recomendações, realizar avaliações periódicas das atividades conduzidas em
cumprimento aos acordos e planos Regionais e internacionais sobre a questão da
mulher e proporcionar um foro para o debate sobre esses temas. O Brasil
sediou, também, a XIII Conferência Interamericana de Ministros do Trabalho
(CIMT), da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em Salvador,
Bahia, em Setembro de 2003. A Declaração de Salvador, que emanou daquela
conferência, constitui importante marco político do compromisso de promover o
trabalho decente e visão integradora das políticas econômicas e sociais no
espaço interamericano. O espírito da Declaração de Salvador norteou os trabalhos
da Conferência Regional de Emprego do MERCOSUL, realizada em Abril de 2004, em
Buenos Aires. O principal resultado daquela reunião do MERCOSUL foi a
Declaração dos Ministros do Trabalho do Bloco, que deu início à elaboração de
“Estratégia MERCOSUL para o Crescimento do Emprego”. No mês de
Agosto de 2004, o Diretor-Geral da Organização do Internacional do Trabalho
(OIT), Juan Somavía, visitou o Brasil. O DG da OIT foi recebido pelo Presidente
da República e participou de reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social (CDES), durante a qual foi debatido o relatório da Comissão Mundial
sobre a Dimensão Social da Globalização. O relatório destaca a necessidade de
mudança no atual curso do processo de
globalização, tendo em vista os desequilíbrios dele decorrentes e as
conseqüências negativas para os países em desenvolvimento.
AÇÃO CONTRA A FOME E A POBREZA NO PLANO INTERNACIONAL
O Brasil vem procurando elevar ao topo da
agenda internacional o tratamento dos temas relacionados ao combate à fome e à
pobreza e à promoção do desenvolvimento. Em diversos foros, o Brasil tem
chamado a atenção para o fato de que os atuais fluxos de ajuda oficial ao
desenvolvimento não serão suficientes para que as Metas de Desenvolvimento do
Milênio – em especial a Meta 1 (Erradicação da Pobreza e da Fome) – sejam
cumpridas no prazo previsto. Por iniciativa do Governo brasileiro – em
parceria com os governos do Chile, Espanha, França, e do Secretário-Geral da
ONU – foi realizado, no dia 20 de Setembro de 2004, na véspera da abertura dos
debates da 59a Assembléia-Geral da ONU, o Encontro de Líderes
Mundiais para uma Ação contra a Fome e a Pobreza. O Encontro contou com a participação de mais de 50 Chefes de
Estado e de Governo. A Declaração de Nova York, divulgada após o evento, reuniu
o apoio de 111 países, que se mostraram empenhados em mobilizar recursos
adicionais para o financiamento ao desenvolvimento e o combate à fome e à
pobreza. Foi plenamente alcançado o objetivo de
mobilizar a comunidade internacional para a necessidade de identificar fontes
inovadoras de financiamento, capazes de fornecer recursos aos países em
desenvolvimento de forma estável, previsível e transparente. Em Dezembro de
2004, a Assembléia Geral da ONU aprovou, por consenso, resolução que reconhece
a contribuição do Encontro de Líderes para o processo de financiamento ao
desenvolvimento em curso naquela Organização nos principais organismos e
instituições financeiras internacionais com competência na matéria. O seguimento da iniciativa deverá passar
pelo aprofundamento dos trabalhos técnicos, assim como pela mobilização de
apoio político para a implementação das propostas analisadas. Trata-se de
esforço conjunto, que deverá envolver a participação de governos, organismos
internacionais, ONGs, empresários e indivíduos. Metas do Milênio A Declaração do
Milênio, aprovada pelos líderes de 189 países membros da ONU, consubstanciou
objetivos para a redução da pobreza e para a promoção do desenvolvimento, os
quais passaram a ser conhecidos como as Metas de Desenvolvimento do Milênio
(MDMs). A primeira delas expressa a
decisão da comunidade internacional de reduzir à metade, até 2015, o número de
pessoas que vivem na pobreza ou em situação de fome. Em 2004, o Brasil apresentou, durante a 59ª Assembléia
Geral das Nações Unidas, o Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio, o qual consolida o esforço do Governo para
estruturar sistema de monitoramento dos principais indicadores que integram as
Metas de Desenvolvimento do Milênio. Trata-se do primeiro relatório do País
para o acompanhamento da implementação das Metas de Desenvolvimento do
Milênio. Além das ações desenvolvidas
internamente, o Brasil vem estreitando a parceria com outros países em
desenvolvimento, numa contribuição para o fortalecimento da cooperação
internacional – a oitava meta -, indispensável para complementar os esforços de
cada país individualmente. RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS
EMPRESAS (“GLOBAL COMPACT”) Em Julho de 2004, o
Presidente Lula participou, em Nova York, da reunião de cúpula dos líderes do
“Global Compact”. A
iniciativa “Global Compact” foi lançada em Julho de 2000 pelo Secretário-Geral
da ONU, Kofi Annan. Ao aderir à iniciativa, as empresas participantes sinalizam a intenção de levar em consideração,
no âmbito de suas atividades, interesses de ordem social e ambiental. O “Global
Compact” abriga hoje mais de 1.600 empresas e instituições de diversos setores,
dentre as quais 106 empresas e instituições brasileiras. A participação do
Presidente Lula na reunião reafirmou o compromisso brasileiro com o
estabelecimento de parcerias com o setor privado e com a sociedade civil para
realizar as mudanças sociais necessárias ao alcance das Metas do Milênio. SOLIDARIEDADE: IBAS O Governo brasileiro tem buscado favorecer
mudanças que tornem o ordenamento internacional menos assimétrico e mais
propício a uma efetiva cooperação para o desenvolvimento e a paz. Um exemplo
desse esforço é o Grupo constituído por Brasil, África do Sul e Índia (o G-3,
ou IBAS), uma nova instância de coordenação entre três grandes democracias do
mundo em desenvolvimento. A articulação entre os três países traz em si grandes
expectativas. Juntos, Brasil, Índia e África do Sul têm-se coordenado com o
objetivo de incorporar pontos de vista dos países em desenvolvimento na agenda
internacional. Por ocasião da Cúpula do G-8, em Evian, em
Junho de 2003, o Presidente Lula encontrou-se com o Presidente da África do
Sul, Thabo Mbeki, e com o Primeiro-Ministro da Índia, Atal Bihari Vajpayee.
Ainda naquele mês, o Ministro Celso Amorim reuniu-se, em Brasília, com os
Chanceleres dos dois países, ocasião em que foi emitida a “Declaração de
Brasília”, que deu origem ao Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do
Sul/IBAS. Em Setembro de 2003, por
ocasião da 58a. AGNU, o Presidente Lula voltou a reunir-se com o
Primeiro-Ministro indiano e com o Presidente sul-africano, emitindo o
“Comunicado de Nova York”, que ratificou os princípios e as metas contemplados
na Declaração de Brasília. O Comunicado enfatizou a cooperação na implementação
de projetos orientados para a redução da pobreza e combate à fome e registrou o
compromisso trilateral com o estabelecimento de um Fundo de Combate à Fome e à
Pobreza. Por iniciativa do G-3, foi criado o Fundo
IBAS de combate à pobreza, administrado pelas Nações Unidas, para financiamento
de projetos em países de menor desenvolvimento relativo. O Fundo foi idealizado
para financiar boas práticas e projetos bem sucedidos que possam ser ampliados
e reproduzidos em outros países em desenvolvimento. Trata-se do primeiro Fundo
criado exclusivamente por países em desenvolvimento e voltado para a melhoria
das condições de vida de países mais pobres. A execução de seus projetos contará
com a participação de agências do sistema das Nações Unidas, responsáveis pelas
áreas de segurança alimentar, saúde, educação e saneamento. Espera-se que a
experiência do Fundo IBAS possa redinamizar a cooperação Sul-Sul e mobilizar
potenciais doadores. Além das contribuições efetuadas pelos
Governos do Brasil, Índia e África do Sul, o Fundo IBAS tem recebido doações
privadas, de fundamental importância para seu funcionamento. O primeiro projeto
a ser financiado pelo Fundo será um programa de apoio ao desenvolvimento da
agricultura e da pecuária em Guiné-Bissau. Outro projeto, atualmente em exame,
estará voltado para a geração de renda e combate à pobreza no Haiti, país que
requer, por parte da comunidade internacional, um compromisso de longo prazo, em
apoio a sua reconstrução econômica e institucional. Em Março de 2004, realizou-se, na Índia, a
primeira sessão da Comissão Mista do IBAS. Na ocasião, aprovou-se uma “Agenda
de Cooperação”, com ênfase no fortalecimento do multilateralismo, na promoção da
paz e da segurança, na dimensão social da globalização, no desenvolvimento
sustentável e no combate à fome e à pobreza. A Comissão Mista aprovou as
Diretrizes de Operacionalização do Fundo IBAS de Combate à Fome e à Pobreza. Em Fevereiro de 2004, realizou-se, na África
do Sul, a I Reunião de Ministros da Defesa do IBAS. A delegação brasileira foi
chefiada pelo Ministro José Viegas Filho. Em Outubro de 2004, realizou-se, na
Índia, a I Reunião de Ministros da Ciência e Tecnologia, tendo sido a delegação brasileira chefiada pelo
Secretário-Executivo do MCT, Prof. Luís Manuel Rebelo Fernandes, SOLIDARIEDADE:
HAITI Em 18 de
Agosto de 2004, realizou-se em Porto Príncipe, o "Jogo pela Paz". Com
a presença do Presidente Lula, a seleção brasileira de futebol realizou partida
amistosa com a seleção haitiana. Considerada no Haiti como projeto de Estado, a
partida representou oportunidade de mobilizar a população do país. O dia 18 de
Agosto foi posteriormente considerado Dia da Paz e declarado feriado nacional. A atuação
brasileira no Haiti está ancorada no tripé “presença militar”, “reconciliação
política” e “soerguimento econômico”. O Brasil exerce o comando da MINUSTAH
(Missão da ONU para a Estabilização do Haiti) e fornece o maior contigente de
pessoal militar para a força de paz. No plano bilateral, o Governo brasileiro
tem buscado contribuir para a estabilização política por meio do estímulo ao
diálogo entre os haitianos. Na área de cooperação, o Brasil tem trabalhado
ativamente para facilitar o fluxo de recursos doados pela comunidade
internacional para projetos no Haiti e para ajudar promover diálogo político
naquele País. A Agência
Brasileira de Cooperação (ABC) coordenou missão multidisciplinar brasileira
entre 23 e 28 de Agosto de 2004. Os projetos bilaterais englobam a agricultura
familiar, recuperação da estrutura aeroportuária, treinamento em defesa civil,
esportes e fabricação de artigos desportivos, desenvolvimento florestal e
recuperação de áreas degradadas, implantação de postos de saúde e tratamento
integral para portadores de AIDS/HIV. Em Novembro de 2004, a Secretaria Pro
Tempore brasileira do Grupo do Rio organizou em São José, à margem da Cúpula
Ibero-Americana, reunião de coordenação dos projetos de cooperação dos países
do Grupo do Rio com o Haiti. Em dezembro, realizou-se missão do TSE ao Haiti
para apoiar a preparação de eleições. No dia 20
de Dezembro de 2004, o Ministro Celso Amorim visitou Porto Príncipe, onde
celebrou acordo com o Banco Mundial para o co-financiamento de projeto na área
da merenda escolar no Haiti, além de atos bilaterais de cooperação técnica, nas
áreas de cultivo de castanha de caju e de mandioca. O Ministro Amorim fez a
entrega de kits escolares a alunos da
Escola Duque de Caxias, recentemente reformada com o auxílio da Brigada
brasileira, com material em que aparecem os mapas e as bandeiras dos dois
países, juntamente com a logomarca e a divisa da Brigada brasileira, “Unidos
pela Paz”. O Ministro manteve, ainda, conversações com o Presidente, o
Primeiro-Ministro, na presença de diversos Ministros de Estado haitianos, e
contactos informais com representantes políticos das mais diversas orientações. SOLIDARIEDADE:
GUINÉ-BISSAU O Governo brasileiro
tem apoiado os esforços de democratização e de estabilização em Guiné-Bissau.
Foi estabelecida uma parceria especial com aquele país, voltada para projetos
de cooperação. No biênio 2003/2004, aceleraram-se as iniciativas nessa área.
Destaca-se, em primeiro lugar, a decisão do Governo brasileiro de transferir
para o Fundo Especial da CPLP a soma de US$ 500 mil, destinada exclusivamente a
atividades de cooperação para a reforma das Forças Armadas de Guiné-Bissau. Tal
iniciativa constitui resposta a uma carência claramente diagnosticada como
causa primária da sublevação militar de 6 de Outubro de 2004. Com esse gesto, o
Brasil torna-se o primeiro país a contribuir para o esforço de cooperação
militar que está sendo contemplado, conjuntamente com os Estados membros da
CPLP. Pretende-se, assim, incentivar países da comunidade doadora e organismos
internacionais a apoiarem decididamente o processo de normalização
político-institucional e a retomada do desenvolvimento de Guiné-Bissau. Outro projeto
bilateral de grande importância é a cooperação para o combate ao HIV/AIDS.
Trata-se de iniciativa do Ministério da Saúde, voltada para países selecionados
(Bolívia, Paraguai, Cabo Verde, São Tomé, Guiné-Bissau e Timor-Leste), com o
apoio da UNICEF e da UNAIDS. O projeto é uma ampliação do Programa de
Cooperação Internacional lançado em 2002, que previa ações localizadas e
tratamento a um universo reduzido de pacientes de AIDS (normalmente, cerca de
cem indivíduos). A nova versão desse programa (Fase II) tem alcance nacional
nos países a serem beneficiados, ou seja, 100% dos pacientes com AIDS poderão
ser tratados pela cooperação brasileira. Cite-se, também, o projeto de instalação
do Centro de Formação Profissional e Promoção Social de Bissau. Em Novembro de
2004, a Agência Brasileira de Cooperação enviou missão para negociar junto às
autoridades locais o Projeto de
Formação Profissional e identificar uma localidade adequada para a instalação
do Centro. Recentemente, foi lançado à margem da 59a.
Assembléia Geral das Nações Unidas projeto pioneiro sobre desenvolvimento
sustentável da agricultura e da pecuária em Guiné Bissau, a ser financiado pelo
Fundo IBAS de Combate à Fome e à Pobreza. O
projeto prevê ações integradas nos campos da fruticultura, rizicultura,
pecuária bovina e suína, desenvolvimento florestal, capacitação técnica na agropecuária
e incentivo à pequena agroindústria. O projeto foi encaminhado ao PNUD (na
qualidade de administrador do Fundo IBAS) e assinado em 17/12/04, em
solenidade realizada na Chancelaria de
Guiné-Bissau.
O Itamaraty tem reforçado a assistência a
brasileiros no exterior. Criou-se a Subsecretaria-Geral de Cooperação e
Comunidades Brasileiras no Exterior (SGEC), a fim de melhor atender às
necessidades e reivindicações dos brasileiros emigrados. Tendo em vista a
direção dos fluxos migratórios e a atual sobrecarga dos Consulados-Gerais, está
prevista a abertura, em 2005, de novas repartições consulares, a saber:
Vice-consulados em Puerto Ayacucho, Venezuela, e Iquitos, Peru, importantes
regiões fronteiriças e áreas de grande concentração de garimpeiros brasileiros;
e Consulados-Gerais em Atlanta, onde vivem cerca de 45.000 brasileiros;
Genebra, permitindo uma redução na excessiva demanda em Zurique; Beirute, para
o atendimento e assistência aos milhares de cidadãos brasileiros residentes no
Líbano; e Newark, onde vem crescendo rapidamente o número de brasileiros, que
hoje já supera 50 mil cidadãos. Está em curso o programa de modernização
da rede consular, o qual contempla a substituição das estampilhas consulares e
das atuais etiquetas de vistos por modelo com características de segurança
adequadas; e um projeto de informatização das rotinas consulares. Em um quadro
mais geral, estão sendo engendrados, no âmbito do Ministério da Justiça, novo
modelo de passaporte seguro (elementos biométricos), e a nova lei de imigração
(em substituição à Lei nº 6.815, de 19/08/1980, “Estatuto do Estrangeiro”), com
normas mais modernas e flexíveis. A criação da SGEC implicou a
intensificação dos contatos, em nível diplomático, para tratar dos temas de
interesse das comunidades brasileiras no exterior. Ao longo de 2004, têm sido
mantidos entendimentos bilaterais diretos com os Governos dos EUA, Japão,
Portugal e Suriname, com vistas ao equacionamento das demandas dos cidadãos brasileiros
estabelecidos nesses países. Quase dois milhões de brasileiros residem
no exterior. Estima-se que, ao final de 2004, cerca de 767 mil brasileiros
residiam nos EUA; 349 mil, no Paraguai; 172 mil, no Japão; 130 mil, na Itália;
100 mil, no Reino Unido; 79 mil, em Portugal.
As visitas presidenciais têm sido, em
geral, acompanhadas de programação empresarial. No biênio 2003/2004, o
Itamaraty organizou diversas missões e seminários comerciais no exterior e no
Brasil. Ressalte-se que, em Maio de 2004, durante a visita do Presidente Lula à
China, foi realizada a maior missão empresarial brasileira de que se tem
registro, com cerca de 460 empresários. As estatísticas comprovam aumento do
comércio exterior com relação aos países visitados. Foi registrado aumento de
36,3% nas exportações brasileiras para os países da África Austral. O comércio
com os países árabes visitados pelo Presidente Lula também registrou aumento de
63,3%, ao passo que com a América do Sul, as exportações cresceram cerca de
61,5%; Com vistas a estimular as importações de
produtos oriundos de países sul-americanos, o Presidente Lula determinou que se
iniciasse um programa de substituição competitiva de importações, para a
divulgação de informações sobre oportunidades objetivas de negócios e a
promoção de contatos entre os setores empresariais sul-americanos. Em 2004,
dentre outras atividades, foram feitas apresentações sobre o Programa de
Substituição Competitiva de Importações (PSCI) no Equador, Colômbia e Guiana, e
realizada, em junho, em São Paulo, a I Macro-Rodada de Negócios, com a
participação de cerca de 400 importadores brasileiros e exportadores
sul-americanos. No plano da Promoção Comercial Conjunta,
foram realizadas sete sessões da Reunião Especializada de Promoção Comercial
Conjunta do MERCOSUL (REPCCM), resultando na participação conjunta em feiras
como a “Seoul Food 2004” e o Salão Internacional de Alimentação, em Paris, em
Outubro de 2004. Foi realizada missão com empresários do MERCOSUL à China, em
Junho de 2004, além do I Fórum Empresarial do MERCOSUL, em Belo Horizonte, em
Dezembro de 2004. Está em funcionamento, na Embaixada do Brasil em Berlim, o
Centro de Promoção Comercial Conjunta do MERCOSUL.
Tem sido atribuída prioridade a
programações culturais na América do Sul, seja em atividades de difusão
cultural propriamente ditas, seja no aperfeiçoamento da Rede de Ensino no
Exterior, que conta hoje com 15 Centros de Estudos Brasileiros (CEBs) e 9
Institutos. Enfatizou-se, também, no âmbito do Programa “Formadores de
Opinião”, a vinda ao Brasil de diretores de programação de rádio & TV e
curadores de museus sul-americanos. O Itamaraty tem apoiado a participação
brasileira em Festivais Internacionais de Cinema. Estão sendo criados Pólos de
Promoção do cinema brasileiro no exterior: em 2004, nas Embaixadas em Lima,
Buenos Aires, Santiago e México; em 2005, serão criados outros quatro, em
mercados considerados prioritários para a indústria cinematográfica nacional.
Ainda na área do audiovisual, foram organizadas duas mostras itinerantes: Mostra Glauber Rocha, em Buenos Aires,
Montevidéu, Bogotá e Havana; e Mostra Brasil Plural (cinema contemporâneo), em
Munique, Viena, Frankfurt, Zurique, Berna, Berlim e Friburgo. O Itamaraty engajou-se na preparação do
Ano do Brasil na França, em parceria com o Ministério da Cultura, que levará
uma programação cultural sobre o Brasil a diversas cidades francesas, em 2005.
Da mesma forma, está sendo concretizada a participação brasileira na Feira
Internacional do Livro de Havana, que terá o Brasil como país-tema, em
Fevereiro de 2005. |