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1964: A CIA E A TÉCNICA DO GOLPE DE ESTADO Luiz Alberto Moniz Bandeira Abril de 2005 “Friday,
April 3, 1964 - 12:06 p.m. Thomas Mann:
I hope you’re as happy about Brazil as I am. Lyndon B.
Johnson: I am. Thomas Mann:
I think that’s the most thing that’s happened in the hemisphere in three years.
Lyndon B.
Johnson: I hope they give us some credit, instead of hell”[1]. Curzio Malaparte, quando escreveu, nos anos 30, Técnica
del colpo di Stato, ressaltou que “il problema della conquista e della
difesa dello Stato moderno non è un problema politico, ma tecnico”[2]. Essa técnica, que
se vinha modificando, no curso dos séculos, paralelamente à
transformação da natureza do Estado[3], desenvolveu-se enormemente e
ganhou maior dimensão, ao ser ampla e sistematicamente utilizada pelos Estados
Unidos, como instrumento de política exterior e ingerência nos assuntos
internos de outros países, desde a criação da Central Intelligence Agency
(CIA), em 1947, durante o governo do presidente Harry Truman (1945/1953). “We must learn to subvert, sabotage and destroy our
enemies by more clear, more sophisticated and more effective method than those
against us”[4]– recomendou um
documento secreto, anexado ao Doolitle Report para a Hoover Commission,
em 1950[5]. A CIA, sucessora do Ofice of Strategic Services (OSS),
dedicou-se não apenas à coleta de dados, mas a vários tipos de operações de
guerra psicológica e paramilitares, conhecidas como PP ou KUKAGE, que jamais
deveriam ser a ela atribuídas ou ao governo dos Estados Unidos e sim a outras
pessoas ou organizações[6]. O ex-agente da CIA, Philip Agee reconheceu, em
seu livro Inside the Company: Cia Diary, que essas operações são
arriscadas porque quase sempre significam intervenção, pois visam a
influenciar, por meios encobertos, os assuntos internos de outro país, com o
qual os Estados Unidos mantém relações diplomáticas normais, e a técnica
consiste essencialmente na “penetration”[7],
buscando aliados desejosos de colaborar com a CIA. Daí que a regra mais
importante na sua execução é a possibilidade de “plausible denial”, i.e., negar convincentemente a responsabilidade
e a cumplicidade dos Estados Unidos com o golpe de Estado, ou outra operação,
uma vez que, se fosse descoberto seu patrocínio, as conseqüências no campo diplomático
seriam graves. As operações de guerra psicológica implicam propaganda
e divulgação, ou seja, campanha através da media, junto às diversas
organizações estudantis, sindicatos, outros grupos profissionais e culturais,
bem como junto aos partidos políticos, sem que a procedência das informações
possa ser atribuída ao governo americano. Ela é efetivada, muitas vezes, por
agentes da CIA, estacionados na Embaixada Americana como diplomatas, ou homens
de negócios, estudantes ou aposentados, enquanto as operações paramilitares
consistem na infiltração em áreas proibidas, sabotagem, guerra econômica, apoio
aéreo e marítimo, financiamentos de candidatos nas eleições, suborno,
assassinatos (executive actions) pela Division D, dentro do projeto
conhecido como ZR/RIFLE[8], treinamento e manutenção de pequenos exércitos (covert
actions) etc[9]. Essas operações tipificam a técnica do golpe de
Estado, que a CIA desenvolveu e aplicou no Brasil e em diversos países da
América Latina, nos anos 60 e 70 do século XX, radicalizando, artificialmente,
as lutas sociais, até ao ponto de provocar o desequilíbrio político e
desestabilizar governos (spoiling actions), que não se submetiam às
diretrizes estratégicas dos Estados Unidos. “In some cases, a timely bombing by a station agent, followed
by mass demonstrations and finally by intervention by military in the name of
the restoration of order and national unity – revelou Philip Agee,
acrescentando que as operações políticas da CIA foram responsáveis por coups,
que obedeceram ao mesmo padrão no Irã, em 1953, e no Sudão, em 1958. Os agentes da CIA
e seus mercenários nativos, encarregados de promover “hidden World War Three”[10],
executaram no Brasil, desde 1961, as mais variadas modalidades de covert
action e spoiling action, engravescendo a crise interna e induzindo,
artificialmente, o conflito político à radicalização, muito além dos próprios
impulsos intrínsecos das lutas sociais, das quais a comunidade empresarial
norte-americana participava como significativo segmento de suas classes
dominantes. Àquele tempo, as corporações transnacionais, em busca de fatores
mais baratos de produção, não podiam tolerar nos new industrializing
countries nenhum governo de corte social-democrático, que, sob influência
dos sindicatos, favorecesse a valorização da força de trabalho. E, conquanto o
presidente John F. Kennedy (1961/1963) condenasse, formalmente, os golpes de
Estado e privilegiasse a democracia representativa como forma de evitar
revoluções e combater o comunismo, os Estados Unidos trataram de enfraquecer e
derrubar o governo do Presidente João Goulart, não apenas por causa de algumas
nacionalizações, mas, sobretudo, com o objetivo de modificar a política externa
do Brasil, que defendia os princípios de autodeterminação dos povos e se opunha
à intervenção armada em Cuba. Em 11 de Dezembro
de 1962, Kennedy reuniu o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional
para examinar a “ameaça comunista” no Brasil e a crise do seu balanço de
pagamentos. Ao que tudo indica, naquela oportunidade, decidiu-se que os Estados
Unidos suspenderiam totalmente qualquer financiamento ao Governo Goulart, nada
fazendo, como prorrogação de vencimentos, para aliviar as dificuldades de suas
contas externas, e só destinando recursos aos Estados, depois denominados
“ilhas de sanidade administrativa”, cujos governadores eram militantes
anticomunistas. No dia seguinte, ao falar a imprensa, Kennedy referiu-se
duramente à situação do Brasil, declarando que uma inflação de 5% ao mês
anulava a ajuda norte-americana e aumentava a instabilidade política. Segundo
ele, uma inflação no ritmo de 50% ao ano não tinha precedentes e os Estados
Unidos nada podiam fazer para beneficiar o povo brasileiro, enquanto a situação
monetária e fiscal dentro do país fosse tão instável. Assim, publicamente,
proclamou que o Brasil estava em bancarrota. E ao receber em audiência, no dia 13, o senador Juscelino Kubitschek,
ex-presidente do Brasil, e Alberto Lleras Camargo, ex-presidente da Colômbia,
prognosticou que, não importando o que os EUA fizessem, a situação do Brasil
devia deteriorar-se[11]. Apesar dos fatores
domésticos, que os possibilitaram, os
golpes de Estado nos países da América Latina, após a revolução cubana,
constituíram batalhas da “hidden World War Three”. Eles resultaram da
mutação da estratégia de segurança continental, promovida pelo Pentágono,
redefinindo as ameaças, com prioridade para o inimigo interno, e difundindo,
através da Junta Interamericana de Defesa, particularmente, as doutrinas de
contra-insurreição e da ação cívica. Quase todos os golpes de Estado na América
Latina, durante os anos 60 e 70, configuraram, assim, um fenômeno de política
internacional continental, mais do que de política nacional, interna, da
Argentina, Peru, Guatemala ou Brasil. Evidenciou-o o fato de que a intervenção
das Forças Armadas no processo político visou, sobretudo, a alterar diretrizes
de política exterior e ditar decisões diplomáticas, conforme os objetivos
estratégicos dos Estados Unidos, e ocorreram, geralmente, contra os governos
que se recusavam a romper relações com Cuba. O que mais afetava, então os
interesses de segurança dos Estados Unidos, no hemisfério, não era exatamente a
luta armada pró-comunista, como as guerrilhas na Venezuela e na Colômbia, mas
sim, o desenvolvimento da própria democracia naqueles países, onde o
recrudescimento das tensões econômicas e dos conflitos sociais aguçava a
consciência nacionalista e os sentimentos anti-norte-americanos passavam a
condicionar o comportamento de seus respectivos governos. Em tais
circunstâncias, conquanto Kennedy adotasse, como um dos pressupostos da Aliança
para o Progresso, o princípio de não reconhecer governos que não obedecessem às
normas do regime democrático-representativo, sua administração foi a que mais
incentivou as Forças Armadas, percebidas como a organização social mais estável
e modernizadora, a participarem da política interna de seus respectivos países,
através de “ações cívicas” e de contra-insurreição. Daí o surto militarista,
com a propagação dos golpes de Estado, que tinham como principal fonte de
inspiração a Junta Interamericana de Defesa. Não sem motivo o embaixador Ilmar
Pena Marinho, chefe da Delegação de Brasil na OEA, manifestou sua preocupação
com a possibilidade de que o Colégio Interamericano de Defesa, criado por
pressão dos Estados Unidos e ao que Goulart se opôs, viesse a transformar-se em
uma “academia de golpes de Estados”[12], onde os estagiários e instrutores
norte-americanos, a influenciar seus colegas latino-americanos, expressavam
abertamente opiniões sobre a necessidade de criar-se um sistema permanente de
ação coletiva, capaz de intervir onde quer que não se pudesse enfrentar, com
recursos internos do próprio país, a ameaça comunista. A operação para eventualmente intervir no Brasil começou,
por volta de 1961. O Departamento de Estado, naquele ano, começara a solicitar
ao Itamaraty vistos para cidadãos americanos, que entravam no Brasil sob os
mais diferentes disfarces (religiosos, jornalistas, comerciantes, Peace Corps
etc.), dirigindo-se a maioria para as regiões do Nordeste. Em meados de 1962,
da tribuna da Câmara Federal, o deputado José Joffily, do partido
Social-Democrático (PSD),
denunciou a “penetration” e, no princípio de 1963, o jornalista José
Frejat, através de O Semanário, revelou
que mais de 5.000 militares norte-americanos, “fantasiados de civis”, desenvolviam, no Nordeste, intenso
trabalho de espionagem e desagregação do Brasil, para dividir o território
nacional. Se a guerra civil eclodisse, segundo ele, a esquadra do Caribe
estaria pronta para apoiar as atividades dos supostos civis americanos, com
armas e tropas. Comprovadamente, até 1963, o Itamaraty concedera mais de 4.000
vistos e recebera solicitação para mais 3.000, cujo atendimento os militares
nacionalistas brasileiros obstaram. Esse volumoso número de requerimentos.
causara tanta estranheza que levou o Itamaraty, certa vez, a interpelar o
embaixador Gordon. A resposta foi evasiva. Ele declarou que apenas 2.000
americanos utilizaram efetivamente os vistos, sendo que os demais ficariam como
reservas. Não era verdade. Mentiu. Cerca de 4.968 norte-americanos, conforme as
estatísticas oficiais de desembarque, chegaram ao Brasil, apenas em 1962,
batendo todos os recordes de imigração originária dos EUA e superando quase todos
os números registrados durante os anos da Segunda Guerra Mundial, quando eles
instalaram, oficialmente, bases militares em diversos estados do Nordeste.
Aquele número baixou, em 1963, para 2.463, talvez em virtude de restrições do
Itamaraty, mas, ainda assim, continuou acima da média de entradas de
norte-americanos em todos os anos anteriores e posteriores. Esses americanos
integravam as Special Forces, conhecidas como Green Berets,
criadas para travar guerras de baixa-intensidade (low-intensity wars) e
treinar as forças nos diversos países, onde houvesse essa perspectiva de
conflito armado. E desde meados de 1963, pelo menos, a CIA e o Pentágono
começaram a elaborar vários planos de contingência, denominados Brother Sam,
a fim de intervir militarmente no Brasil, diante da eventualidade de que João
Goulart, como conseqüência da pressão econômica dos Estados Unidos, reagisse e
envergasse para a esquerda, não propriamente comunista e sim sob a forma do
autoritarismo ultranacionalista, algo no modelo de Getúlio Vargas ou Juan D.
Perón, conforme a avaliação da CIA. E até o seu assassinato (executive
action) foi planejado. Em 10 de Outubro de 1963, à mesma época em que o
Grupo Especial do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos autorizara
novas operações de sabotagem em Cuba, os soldados do 1º Batalhão da Polícia do
Exército brasileiro, sob o comando do Major Ary Abrahão Ellis, vasculharam um
sítio em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), perto de uma propriedade de Goulart, e
descobriram 10 metralhadoras Thompson, calibre 45, 20 carregadores, 72 caixas
de cartuchos Remington Kleanbore 45, 10 granadas Federal Blast Dispersion Tear
Gas (CN) e um rádio transmissor motorola, marcado com o símbolo do programa
Ponto IV (mãos apertadas), da embaixada dos Estados Unidos(32). O ministro da
Justiça, Abelardo Jurema, declarou que as metralhadoras Thompson entraram
clandestinamente no Brasil, pois nenhuma daquele tipo existia nas suas
organizações de polícia nem no seu Exército, cujos oficiais desconheciam todos
aqueles modelos de armamentos, tão modernos que eram. E as investigações
evidenciaram a existência de uma trama para a eliminação de Goulart e de seus
filhos, bem como de muitos políticos e generais favoráveis ao governo. Não há
dúvida de que a CIA estava por trás do complot. O golpe de Estado,
que derrubou em 1964 o presidente João Goulart, tipificou o conjunto das
operações que a CIA desenvolveu e aprimorou, e com tais procedimentos ela
conseguiu desestabilizar o governo e permitir a sublevação dos militares, a pretexto
de restaurar a ordem e evitar o comunismo. A oposição tinha, decerto, uma dinâmica interna própria, determinada pelas
contradições econômicas e sociais, que se
aguçaram no Brasil. Mas teriam os militares brasileiros, que conspiravam contra
Goulart, desfechado o golpe de estado, para derrubar um governo legalmente
constituído, se não soubessem que contariam com o respaldo dos EUA? Teriam ousado empreender essa aventura, que poderia
deflagrar uma guerra civil, se não estivessem seguros de que receberiam
assistência militar Washington, sob a forma de gasolina, armas, munições e até
mesmo assessores, se necessário fosse? Seguramente, não. A assertiva do
embaixador Lincoln Gordon, segundo a qual derrubada de Goulart foi realizada pelos militares brasileiros sem “assistance or advice” dos EUA
não corresponde à realidade. Não é consistente com os fatos. No dia 30 de Março
de 1964, no momento em que Goulart discursava para os sargentos no Automóvel
Club, o secretário de Estado, Dean Rusk, leu para o embaixador Lincoln Gordon,
pelo telefone, o texto do telegrama n° 1296,
informando-o de que, como os navios, carregados de armas e munições, não
podiam alcançar o Sul do Brasil antes de dez dias, os EUA poderiam enviá-las por
via aérea, se fosse assegurado um campo intermediário em Recife ou em qualquer
outra parte do Nordeste, capaz de operar com grandes transportes a jato, e
manifestou o receio de que Goulart, o deputado Ranieri Mazzilli, os líderes do
Congresso e os chefes militares alcançassem naquelas poucas horas uma
acomodação, fato que seria “deeply
embarrassing” para governo norte-americano e “would leave us branded with an akward attempt at intervention”[13]. No
mesmo telegrama, Dean Rusk forneceu o script
da encenação, de forma a disfarçar o golpe de estado e a intervenção dos
EUA, ao recomendar que: “It is highly desirable, therefore, that if action
is taken by the armed forces such action be preceded or accompanied by a clear
demonstration of unconstitutional actions on the part of Goulart or his
colleagues or that legitimacy be confirmed by acts of the Congress (if it is
free to act) or by expressions of the key governors or by some other means
which gives substantial claim to legitimacy”[14]. Era necessário, conforme Dean Rusk enfatizou, que, o
golpe de Estado tivesse uma aparência de legitimidade, de modo que os EUA
pudessem fornecer a ajuda militar aos sediciosos, conforme o embaixador Lincoln
Gordon reconheceu em seu livro Brazil’s –
Second Chance – En Route toward the First World[15]. E o
senador Auro Moura Andrade cumpriu literal e fielmente o roteiro prescrito.
Declarou a vacância da presidência da República, mesmo sabendo que Goulart não
renunciara e continuava no Brasil, empossou no cargo o deputado Ranieri
Mazzilli, que como presidente do Congresso estava imediatamente na linha de
sucessão. Ai, se resistência houvesse e a guerra civil irrompesse, ele poderia
requerer a assistência dos EUA, com base no Acordo Militar, renovado através
das notas reversais de 28 de Janeiro de 1964. Mas não foi necessário.
Resistência não houve. E o embaixador Lincoln Gordon
pôde declarar que estava “muito feliz” com a vitória da sublevação de Minas
Gerais, “porque evitou uma coisa muito desagradável, que seria a necessidade da
intervenção militar americana no Brasil”[16]. E continuou a insistir na “plausible denial”, i.e., em negar convincentemente a
responsabilidade e a cumplicidade dos EUA com o golpe de estado, norma esta
pela qual os governos norte-americanos pautaram muitas vezes suas políticas de
intervenção em outros países. Ao escrever sobre o golpe de Estado, o 18 Brumário de
Luís Bonaparte, Karl Marx comentou, ironicamente, que “a sociedade é freqüentemente salva todas as vezes que
o círculo dos seus dominadores se restringe e um interesse mais exclusivo se
sobrepõe. Qualquer reivindicação, ainda que da mais elementar reforma
financeira burguesa, do liberalismo mais vulgar, do mais formal republicanismo,
da mais trivial democracia, é ao mesmo
tempo castigada como ‘atentado contra a sociedade’ e estigmatizada como
‘socialismo’. Por fim, os pontífices da ‘religião e da ordem’ são eles mesmo
expelidos a pontapés de suas cadeiras de Pythia[17],
arrancados da cama no meio da noite e da névoa, colocados em camburões,
lançados no cárcere ou enviados para o exílio, seu templo arrasado, sua boca
lacrada, suas plumas partidas, sua lei rasgada, em nome da religião, da
propriedade, da família, da ordem”[18]. Esse trecho de Marx sobre a França de 1848 parece
descrever, exatamente, o que ocorreu no Brasil, durante e logo após o golpe de
Estado de 1964. Contudo, embora se recomende, aos governantes, estadistas,
povos preferivelmente o ensinamento através da experiência da história, como
Hegel ressaltou, o que a experiência e a história ensinam é que os povos e
governos nunca aprenderam qualquer coisa da história nem se comportam de acordo
com suas lições[19]. Daí a necessidade de recordar sempre o passado,
que continua modelando o presente, e a importância de obra como esta,
organizada brilhantemente por Túlio Velho Barreto para a Fundação Joaquim
Nabuco publicar no transcurso do 40° do golpe de Estado, que ocorreu em 1° de
Abril 1964 e, em homenagem ao Dia da Mentira, logo se denominou Revolução
Redentora, antecipando a data para 31 de Março, ao mesmo tempo em que, a
pretexto de defender a democracia, destruía a democracia e implantava uma
ditadura militar. NOTAS [1] O diálogo foi extraído das gravações publicadas por
Beschloss, Michael (edit). Taking
Charge: the Johnson White House
Tapes, 1963/1964. New York: Simon & Schuster, 1997, p. 306. [2] MALAPARTE, Curzio. Tecnica del colpo di Stato. Roma: Oscar Mondadori, 2002, p.
31. [3] Id, ibid., p. 47. [4] Apud JOHNSON, Loch K. Secret agencies: U.S.
intelligence in a Hostile World. New Haven-London: Yale University Press, 1996,
p. 60. [5] A Commission on Organization of the Executive Branch,
do governo americano foi estabelecida pela P.L. 80/162 de 27 de Julho de 1947,
sob a presidência de Herbert e criou uma Task Force on National Security
Organization, dirigida por Ferdinand Eberstadt, que esboçara o projeto do
Security Act of 1947. U.S. War Dept. Board on Officer-Enlisted Man
Relationships. The Doolittle Report: The Report of the Secretary of War's Board
on Officer-Enlisted Man Relationships. 27 May 1946. [6] AGEE, Philip. Inside the Company: Cia Diary.
London: Allen Lane, 1975, pp. 69/70. [7] MARCHETTI, Victor & MARKS, John D. The CIA and
the Cult of Intelligence. New York: Alfred A. Knopf, 1974, pp. 36/37. [8] BAMFORD, James. Body of Secrets:Anatomy of the
Ultra-Secret National Security Agency.
New York: Anchor Book, 2002, p.
479. [9] Id., ibid., pp. 69/72. [10] JOHNSON, Loch K. Secret agencies: U.S.
intelligence in a Hostile World. New Haven-London: Yale University Press, 1996,
p. 38. [11] KENNEDY,
John F. Public papers. Washington, DC: Government Printing Office, 1962, p. 871. O Estado de São Paulo ,
São Paulo, 13/2/1962. Diário de Notícias , Rio de Janeiro, 14/2/1962. [12] Telegrama nº 303, confidencial, da Delegação do
Brasil junto à OEA, a) embaixador Ilmar Pena Marinho, Washington,
25/25/06/1962, AHMRE-B, Junta Interamericana de Defesa, América, 1961/65. [13] Text of State Department telegram 1296 to American
Embassy, Rio de Janeiro, dated March 30, 1964, 9:52 p.m. (Washington time), in
GORDON, Lincoln. Brazil’s Second Chance: En route toward the First World.
Washington: Brook Institution Press , pp. 68/70. [14] Id., ibid., p. 69. [15] “Rusk
continued by reading a long draft telegram to me, noteworthy for its
emphasis on the need of legitimacy in any anti-Goulart movement to wich we
might provide military support”. Id.,
ibid., p. 68. [16] “As
confissões de Lacerda,” in Jornal da Tarde, São Paulo, 6/06/1977, p. 20. [17] Pythia foi a sacerdotisa de Apolo oráculo em Delphi.
O nome deriva-se de Python, o dragão que Apolo matou. [18] “Die Gesellschaft wird ebenso oft gerettet, als sich der
Kreis ihrer Herrscher verengt, als ein exklusiveres Interesse dem weiteren
gegenüber behauptet wird. Jede Forderung der einfachsten bürgerlichen
Finanzreform, des ordinärsten Liberalismus, des formalsten Republikanertums,
der plattesten Demokratie, wird gleichzeitig als ‚Attentat auf die
Gesellschaft’ bestraft und als Sozialismus’ gebrandmarkt. Und schließlich
werden de Hohenpriester der Religion und Ordnung’ selbst mit Fußtritten von
ihren Pyathiastühlen verjagt, bei Nacht und Nebel ais ihren Betten geholt, in
Zellenwagen gesteckt, in Kerker geworfen oder ins Exil geschickt, ihr Tempel
wird der Erde gleichgemacht, ihr Mund wird versiegelt, ihre Feder zerbrochen,
ihr Gesetz zerrissen, im Namen der Religion, des Eigentums, der Familie, der
Ordnung”. MARX, Karl – Der achtzehnte
Brumaire des Louis Bonaparte, in MARX, Karl – ENGELS, Friedrich – Werke, Band 8, Berlin, Dietz Verlag,
1982, p. 123. [19] “Man verweist Regenten, Staatsmänner, Völker vornehmlich
an die Belehrung durch die Erfahrung der Geschichte. Was die Erfahrung aber und
die Geschichte lehren, ist dies, dass Völker und Regierungen niemals etwas aus
der Geschichte gelernt und nach Lehren, die aus derselben zu ziehen gewesen
wären, gehandelt haben”. HEGEL, G. W. F. – Vorlesungen über die Philosophie der Weltgeschichte, Band 1 (Die Vernunft in der Geschichte), Hamburg, Felix Mainer Verlag, 1994, p. 19. |